170926 - Durante a mais recente edição dos Emmys, Michael J. Fox subiu ao palco e fez um discurso inspirador sobre a Parkinson. Estamos mesmo perto da "erradicação definitiva" da doença?
Já sabemos que noite de Emmys significa looks de red carpet incríveis e, claro, este ano não foi uma exceção, muito graças a estrelas como Zendaya, Selena Gomez ou Nicole Kidman. É também uma noite de prémios e o mais importante da noite chegou às mãos de Michael J. Fox.
Durante a cerimónia, o ator conhecido pelo seu papel como Marty McFly, na trilogia Regresso ao Futuro, recebeu o Prémio Humanitário Bob Hope, um reconhecimento pelas suas décadas de trabalho através da Fundação Michael J. Fox.
Para aceitar a distinção, o ator fez um discurso que está a emocionar a internet e em que começou por falar sobre o homem que deu o nome ao prémio descrevendo-o como "mais do que um artista" e um "exemplo".
"Quando as coisas começam a ficar difíceis, é preciso estar presente, ajudar e, se conseguires acrescentar um pouco de alegria enquanto o fazes, é para saberes que fica ainda melhor", acrescentou.
É, no entanto, outra parte do discurso que está a causar mais reações. Michael aproveitou o momento para falar sobre a doença com que foi diagnosticado em 1991 quando tinha apenas 29 anos: Parkinson.
Confessou que manteve o diagnóstico em segredo no início. Tinha receio que afetasse o seu trabalho e a sua relação com o público. Quando o partilhou, em 1998, acabou por ficar "impressionado com o apoio".
"Compreendi que aceitar a doença de Parkinson não significava que tivesse de me render a ela. Significava apenas fazer tudo o que pudesse pelas pessoas que vivem com esta doença. Por isso, decidi defender as necessidades dos doentes", continuou. E, em 2000, criou a sua fundação objetivo ajudar a financiar investigações sobre a doença.
"Encontrei pessoas brilhantes para liderarem este esforço comigo e comprometi-me a financiar a melhor investigação científica do mundo. Sinto-me orgulhoso dos progressos que alcançámos em benefício dos doentes com Parkinson e das suas famílias, à medida que nos aproximamos da erradicação definitiva desta doença."
"Estou profundamente grato à nossa equipa, aos doadores, aos investigadores e, acima de tudo, à comunidade de doentes que torna possível o nosso trabalho na Fundação Michael J. Fox", concluiu.
Estamos mesmo a aproximar-nos da erradicação definitiva desta doença?
No ano passado, num artigo partilhado com a VERSA, Ana Graça Velon, médica neurologista, explicou que ainda "não há nenhum medicamento capaz de atrasar ou reverter" a Parkinson.
É, no entanto, uma "área que tem merecido maior interesse de investigação" e existem "novos fármacos e administrações inovadoras".
Por exemplo, em Portugal, "estão disponíveis vários fármacos para tratar os sintomas motores e não motores". Neste caso, "o medicamento mais eficaz é a levodopa, mas há várias categorias farmacológicas possíveis, que se utilizam habitualmente em combinação", acrescenta.
Joana Damásio, neurologista e presidente da Sociedade Portuguesa das Doenças do Movimento, explicou a situação de uma forma semelhante num artigo que escreveu para a VERSA, acrescentando que em fases mais avançadas da doença "podem ser consideradas outras abordagens, como sistemas de perfusão contínua de medicação (subcutânea ou intestinal) ou a cirurgia de estimulação cerebral profunda".
Para além disto, "o exercício físico regular, fisioterapia, terapia da fala, terapia ocupacional e apoio psicológico desempenham um papel fundamental, sobretudo na gestão dos sintomas não motores e manutenção da autonomia". Fonte: versa iol.