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domingo, 18 de janeiro de 2026

A doença de Parkinson pode ser desencadeada por esta bactéria bucal bem conhecida

18 de janeiro de 2026 - Uma nova pesquisa está desafiando visões antigas sobre a doença de Parkinson, sugerindo que uma bactéria bucal comum pode silenciosamente ajudar a iniciar a doença anos antes do aparecimento do primeiro tremor.

Uma bactéria da cárie agora ligada à doença de Parkinson

A doença de Parkinson tem sido descrita por muito tempo como um distúrbio estritamente cerebral, impulsionado pela morte lenta de neurônios produtores de dopamina no mesencéfalo. Essa visão está sendo abalada por uma onda de estudos que apontam para um ator inesperado: o microbioma, e particularmente as bactérias que não permanecem onde deveriam.

O trabalho mais recente, publicado em 2025 na Nature Communications e relatado pelo SciTechDaily, concentra-se no Streptococcus mutans. Essa bactéria é uma inimiga conhecida dos dentistas devido ao seu papel central na cárie dentária. Os pesquisadores agora sugerem que ela também pode ajudar a direcionar o cérebro para a doença de Parkinson em algumas pessoas.

Cientistas descobriram que uma bactéria conhecida por causar cáries parece ser mais comum no intestino de pessoas com Parkinson e pode estar produzindo compostos que danificam células cerebrais vulneráveis.

De acordo com o estudo, a S. mutans nem sempre permanece confinada à boca. Em alguns indivíduos, ela parece ser capaz de migrar pelo trato digestivo e se estabelecer no intestino, tornando-se parte da microbiota intestinal. Essa colonização intestinal parece ocorrer com mais frequência em pacientes já diagnosticados com Parkinson.

Da boca ao intestino e ao cérebro: uma nova via de doença

Uma vez no intestino, a S. mutans não é apenas uma passageira passiva. A equipe mostrou que a bactéria pode produzir uma enzima específica que gera um subproduto chamado propionato de imidazol. Essa pequena molécula já é conhecida nos círculos de pesquisa metabólica devido à sua ligação com o diabetes tipo 2.

Nesse contexto, o propionato de imidazol assume um papel diferente e mais preocupante. Ele pode atravessar do intestino para a corrente sanguínea, circular pelo corpo e eventualmente chegar ao cérebro, ultrapassando a barreira hematoencefálica.

O propionato de imidazol parece agir como um irritante bioquímico dentro do cérebro, estressando os neurônios e levando-os à disfunção e à morte.

Experimentos com animais descritos no artigo mostram que a exposição constante a esse metabólito leva a várias características da patologia da doença de Parkinson. Os neurônios produtores de dopamina em regiões-chave do cérebro diminuem. A inflamação aumenta. Aglomerados da proteína alfa-sinucleína começam a aparecer, uma característica marcante observada nos cérebros de pessoas com Parkinson.

mTORC1: o interruptor hiperestimulado nas células cerebrais

O mecanismo por trás desse dano parece envolver um sistema de controle interno nas células conhecido como via mTORC1. Essa via regula o crescimento, o uso de energia e a sobrevivência. Um certo nível de atividade é necessário para que os neurônios funcionem corretamente. No entanto, atividade em excesso torna-se tóxica.

O propionato de imidazol parece levar o mTORC1 a um estado de hiperatividade. Quando isso acontece em células cerebrais que já enfrentam estresse relacionado à idade ou fatores de risco genéticos, o equilíbrio se desfaz. Os neurônios têm dificuldade para eliminar proteínas danificadas, tornam-se mais frágeis e, eventualmente, morrem.

Em modelos animais, medicamentos que reduzem a atividade do mTORC1 diminuíram os danos cerebrais e melhoraram os movimentos. Isso ainda não se traduz em um tratamento para humanos, mas ressalta um ponto crucial: produtos bacterianos provenientes do intestino podem influenciar significativamente o que acontece no cérebro.

Por que a boca é repentinamente fundamental para a prevenção do Parkinson?

A ideia de um “eixo boca-intestino-cérebro” soa abstrata à primeira vista, mas tem consequências muito práticas. Se uma bactéria associada à cárie pode influenciar o risco de Parkinson, então os hábitos diários de higiene bucal podem desempenhar um papel pequeno, mas real, na saúde cerebral a longo prazo.

Manter as bactérias causadoras de cárie sob controle pode não apenas proteger seus dentes; também pode reduzir um fator potencial de risco para a doença de Parkinson.

Pesquisadores enfatizam que a doença de Parkinson é complexa. Genes, idade, toxinas ambientais e estilo de vida contribuem para o seu desenvolvimento. Uma única bactéria nunca será a causa exclusiva. Ainda assim, este estudo sugere que o microbioma oral pode atuar como um amplificador precoce de vulnerabilidades preexistentes.

Hábitos simples que podem fazer a diferença ao longo de décadas

Embora ninguém consiga curar a doença de Parkinson apenas com a escovação, caso haja fortes fatores genéticos ou ambientais presentes, a higiene bucal continua sendo uma das medidas mais fáceis de se tomar. Com base no conhecimento atual, especialistas tendem a destacar rotinas familiares e comprovadas cientificamente que podem, indiretamente, ajudar a limitar a proliferação de bactérias orais agressivas.

Escovar os dentes duas vezes ao dia com pasta de dente com flúor

Usar fio dental ou escovas interdentais para alcançar a placa bacteriana entre os dentes

Limitar o consumo frequente de lanches e bebidas açucaradas que alimentam a bactéria S. mutans

Consultar um dentista regularmente para limpeza e tratamento precoce de cáries

Evitar o tabagismo, que prejudica a microbiota oral e intestinal

Nenhuma dessas medidas é específica para a doença de Parkinson, e o estudo não comprova que uma melhor higiene bucal seja eficaz para prevenir a doença.  Fonte: trackography.


sexta-feira, 3 de outubro de 2025

Cientistas identificam uma das causas do Parkinson e ela está presente em grande parte da população

02/10/2025 - A conexão entre a saúde bucal e a doença de Parkinson tem atraído a atenção de pesquisadores globalmente.

Estudos recentes indicam que problemas bucais comuns em portadores de Parkinson, como xerostomia(*) e alterações bacterianas, podem impactar o curso da condição.

Estima-se que a saúde oral precária possa agravar sintomas neurodegenerativos, mas qual é o alcance dessa relação?

Problemas bucais, como a xerostomia, afetam consideravelmente a qualidade de vida de pacientes com Parkinson.

As dificuldades para manter uma higiene bucal adequada são exacerbadas pelas limitações motoras da doença, criando um ciclo de saúde bucal em deterioração.

Estudos sugerem que a microbiota oral pode servir como um prenúncio de doenças neurológicas. Bactérias presentes na cavidade bucal podem influenciar a evolução de tais doenças.

Pesquisas apontam que a composição bacteriana anormal pode estar associada a respostas inflamatórias corporais, complicando o cenário já delicado da saúde do paciente.

Impactos da microbiota oral no cérebro

A como a flora bucal afeta o cérebro ocorre por meio da migração de microrganismos nocivos, que podem favorecer inflamações. Com a corrente sanguínea como meio de transporte, essas bactérias indicam a importância fundamental de práticas preventivas de saúde bucal.

Dentistas recomendam consultas regulares para ajustar procedimentos conforme a progressão da doença. O manejo adequado auxilia na prevenção de complicações adicionais, adaptando técnicas e ferramentas de higiene para pacientes com limitações físicas.

Estratégias eficazes para cuidados bucais

Manter uma rotina de higiene oral é essencial para pacientes com Parkinson. Intervenções clínicas em combinação com práticas diárias, como a escovação adequada e o uso de fio dental, são essenciais.

Instrumentos adaptados e técnicas ajustadas são fundamentais para garantir a eficácia dos cuidados orais em pacientes com Parkinson. Fonte: crusoe.

(*)Xerostomia (xe·ros·to·mi·a)

substantivo feminino

[Medicina] Secura excessiva da boca devido a secreção insuficiente ou deficiente de saliva.

Origem: xero- + grego stóma, -atos, boca + -ia.

"xerostomia", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2025, https://dicionario.priberam.org/xerostomia.

quarta-feira, 11 de junho de 2025

Desequilíbrio Bacteriano na Boca e Intestino Pode Sinalizar Declínio Cognitivo Precoce

junho 11, 2025 - Um estudo inovador conduzido pelo King’s College London lança luz sobre uma possível conexão entre a saúde bucal e o desenvolvimento de problemas cognitivos em pacientes com Parkinson. A pesquisa aponta que alterações no microbioma da boca e do intestino podem ser indicadores precoces do declínio cognitivo associado à doença.

As descobertas, publicadas na revista científica Gut Microbes, sugerem que modificações nas comunidades bacterianas podem preceder os estágios iniciais da demência. Esses achados podem abrir novas perspectivas para o diagnóstico e tratamento da doença de Parkinson, que afeta cerca de 10 milhões de pessoas em todo o mundo.

O estudo envolveu a análise de amostras de fezes e saliva de 228 participantes, incluindo pacientes com Parkinson em diferentes estágios de comprometimento cognitivo e indivíduos saudáveis. Os resultados revelaram diferenças significativas nas comunidades bacterianas entre os grupos, com uma relação proporcional entre a quantidade de bactérias nocivas e o nível de declínio cognitivo.

Indivíduos com sinais precoces de demência apresentaram uma maior concentração de bactérias prejudiciais no intestino, muitas das quais originárias da boca. Esse fenômeno, denominado “translocação oral-intestino”, pode levar à liberação de toxinas que afetam negativamente os tecidos, desencadeando inflamações e, potencialmente, comprometendo as funções cerebrais.

“Ainda não sabemos em que ponto essas alterações aparecem, mas nossas descobertas sugerem que elas podem desempenhar um papel ativo no agravamento dos sintomas”, explicou Frederick Clasen, gastroenterologista e primeiro autor do estudo. Saeed Shoaie, microbiologista e coautor, destacou a *Porphyromonas gingivalis*, bactéria associada a doenças gengivais, como um possível gatilho também para o Alzheimer.

Embora a pesquisa ainda não determine se as bactérias são causa ou consequência do declínio cognitivo, os cientistas enfatizam a importância de manter um microbioma equilibrado. Dieta balanceada, higiene bucal adequada e o uso de probióticos são citados como estratégias potenciais para mitigar a progressão da neurodegeneração. Fonte: folhadecuritiba.