quarta-feira, 20 de maio de 2026

China lidera a corrida biotecnológica para encontrar cura para a doença de Parkinson

 

Ilustração editorial sobre China lidera a corrida biotecnológica para encontrar cura para a doença de Parkinson. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

20/05/2026- Pesquisadores chineses estão na vanguarda do desenvolvimento de terapias de células-tronco para a doença de Parkinson, superando competidores internacionais em eficiência e velocidade de teste clínico.

A doença de Parkinson é frequentemente descrita como um distúrbio do movimento, causado pela falha do cérebro em produzir dopamina suficiente devido à morte ou disfunção das neurônios especiais responsáveis pela geração da substância química.

Na busca por uma cura, pesquisadores ao redor do mundo estão explorando terapias de células-tronco voltadas para repor neurônios que produzem dopamina – um campo em que uma empresa chinês afirma estar na liderança.

Nuwacell Biotechnologies, fundada uma década atrás em Hefei, na província de Anhui, por biólogos de células-tronco Yu Junying e Zhang Ying após sua volta da China de instituições líderes nos EUA, está se destacando nessa corrida.

Yu, a cientista-chefe da empresa, disse que a terapia da Nuwacell apresentou uma ‘eficiência significativamente maior’ do que times internacionais dos EUA e do Japão, com taxas de conversão das células em neurônios produtoras de dopamina de 80 a 90%, enquanto os dados publicados por outros times são inferiores a 25%.

China avança com terapias celulares e pressiona farmacêuticas ocidentais no tratamento do Parkinson

Médicos chineses avaliam paciente com dispositivo na cabeça, em ambiente hospitalar. (Foto: scmp.com)

Empresas do país investem em terapias com células do próprio paciente e em produtos celulares prontos para uso. Elas também avançam em terapias genéticas e em tecnologias não invasivas baseadas em ultrassom.

De acordo com o South China Morning Post, essas iniciativas buscam reduzir a dependência histórica de soluções desenvolvidas por laboratórios dos Estados Unidos e da Europa.

A UniXell Biotechnology, startup sediada em Xangai e fundada em 2021, obteve autorização para ensaios clínicos na China em 2024. A empresa iniciou testes nos Estados Unidos em 2025 com o candidato UX-DA001.

Essa terapia de células-tronco autólogas visa substituir neurônios produtores de dopamina destruídos pela doença. O tratamento busca restaurar funções motoras e aliviar sintomas sem cirurgias invasivas.

A UniXell captou mais de 300 milhões de yuans, o equivalente a 44 milhões de dólares, em rodadas de séries A e A-plus. Fundos estatais, capital de risco e o grupo Tasly Pharmaceutical participaram dos investimentos.

A Chongqing Haifu Medical Technology desenvolve ultrassom focalizado de alta intensidade para estimular áreas específicas do cérebro. A técnica elimina a necessidade de abrir o crânio e reduz riscos e tempo de recuperação.

Os laboratórios ocidentais dominam há décadas o mercado de medicamentos para o sistema nervoso central. Suas patentes concentram-se principalmente em tratamentos que controlam sintomas em vez de reparar danos neurológicos.

O governo chinês apoia a biotecnologia com políticas voltadas à pesquisa e à produção nacional de medicamentos avançados. Essa linha de ação busca fortalecer a capacidade científica interna e diminuir a dependência de importações.

Os ensaios em andamento testam a segurança e a eficácia dessas novas abordagens. Resultados positivos podem permitir a aprovação regulatória e a entrada comercial das terapias chinesas em diferentes países. Fonte: ocafezinho.

Terapias com células-tronco no tratamento da doença de Parkinson

 200526 - Resumo

A doença de Parkinson é uma enfermidade neurodegenerativa progressiva caracterizada pela perda de neurônios dopaminérgicos, comprometendo as funções motoras e não motoras e impactando significativamente a qualidade de vida dos pacientes. O presente estudo teve como objetivo investigar o uso de células-tronco como estratégia terapêutica na doença de Parkinson, analisando os principais tipos celulares empregados, seus mecanismos de ação, eficácia, segurança e limitações. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada por meio de buscas nas bases de dados PubMed, SciELO e Google. Os resultados demonstraram que as células-tronco embrionárias (ESCs), células-tronco pluripotentes induzidas (iPSCs) e células-tronco mesenquimais (MSCs) apresentam potencial terapêutico relevante para o tratamento da doença. As ESCs e iPSCs destacaram-se pela capacidade de diferenciação em neurônios dopaminérgicos, favorecendo a regeneração neuronal, enquanto as MSCs evidenciaram efeitos anti-inflamatórios e neuroprotetores. Observou-se ainda melhora potencial dos sintomas motores e não motores da doença. Entretanto, foram identificados desafios relacionados à tumorigênese, à rejeição imunológica, à instabilidade genética e à integração funcional das células transplantadas. Conclui-se que as terapias com células-tronco representam uma abordagem promissora e inovadora, embora ainda sejam necessários estudos clínicos adicionais para garantir a segurança, a eficácia e a padronização terapêutica. Fonte: revistarcmos.

Tomar café pode ajudar raciocínio de pacientes com Parkinson. Entenda

Pesquisadores observaram melhor desempenho cognitivo em pacientes com Parkinson inicial que consumiam café regularmente

19/05/2026 - Pesquisadores identificaram uma possível associação entre o consumo de café e melhor desempenho cognitivo em pessoas com doença de Parkinson em estágio inicial.

Os cientistas observaram que pacientes que consumiam a bebida apresentaram resultados superiores em testes ligados às chamadas funções executivas — habilidades mentais responsáveis por planejamento, atenção, organização e controle de impulsos. A pesquisa foi publicada em 15 de abril na revista científica Parkinsonism & Related Disorders.

Cientistas acham novo benefício do café ligado à saúde do organismo

O estudo foi conduzido com 149 pacientes diagnosticados recentemente com Parkinson. Entre eles, 115 relataram consumir café regularmente. Os pesquisadores também analisaram o histórico de tabagismo dos participantes, mas não encontraram relação significativa entre fumar e melhora cognitiva.

A doença de Parkinson é geralmente associada aos sintomas motores, como tremores, rigidez muscular e lentidão nos movimentos. Porém, alterações cognitivas também podem surgir logo nas fases iniciais da condição, afetando tarefas do dia a dia e reduzindo gradualmente a autonomia dos pacientes.

Segundo os autores, o objetivo da pesquisa foi entender se hábitos comuns da rotina poderiam influenciar o funcionamento cerebral durante os primeiros estágios da doença.

Café foi associado a melhor desempenho em testes mentais

Para chegar aos resultados, os pesquisadores aplicaram avaliações neuropsicológicas padronizadas para medir memória, atenção, linguagem e funções executivas dos participantes.

A associação mais relevante apareceu em testes relacionados ao controle mental e à capacidade de interromper respostas automáticas. Pacientes que consumiam café tiveram melhor desempenho especialmente no chamado Go-No-Go Test – exame utilizado para avaliar atenção, autocontrole e inibição de impulsos.

Na prática, o teste mede a capacidade do cérebro de reagir rapidamente a estímulos corretos e frear respostas inadequadas. Alterações nessa habilidade costumam aparecer precocemente em doenças neurodegenerativas. Os cientistas também observaram diferenças em tarefas relacionadas a cálculo e programação contrastante entre participantes com maior consumo de café.

Apesar dos achados, os autores reforçam que o estudo mostra apenas uma associação estatística. Isso significa que ainda não é possível afirmar que o café melhora diretamente a cognição ou desacelera o avanço do Parkinson. Embora muitas pessoas associem o Parkinson apenas aos tremores, dificuldades cognitivas podem aparecer logo no início da doença.

Sintomas comuns de Parkinson:

Lentidão de raciocínio;

Dificuldade de concentração;

Problemas para organizar tarefas;

Alterações de atenção;

Dificuldade para tomar decisões;

Maior dificuldade para lidar com múltiplas informações ao mesmo tempo;

Segundo os autores do estudo, alterações nas funções executivas podem impactar desde tarefas simples da rotina até atividades profissionais e sociais. Os autores destacam que novos estudos ainda serão necessários para entender de forma mais precisa como fatores ligados ao estilo de vida podem influenciar a cognição em pacientes com Parkinson inicial.

Por enquanto, os resultados indicam apenas que o consumo regular de café esteve associado a desempenho melhor em áreas específicas do funcionamento cerebral. O trabalho não recomenda aumento do consumo de cafeína nem substitui tratamentos médicos já estabelecidos para a doença. Fonte: metrópoles.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Mulher com Parkinson grave comete suicídio assistido na Itália

Trata-se do 16º caso registrado no país e do quarto na região da Toscana

14 mai 2026 - Uma mulher de 63 anos com uma forma grave da doença de Parkinson cometeu suicídio assistido na região da Toscana, na Itália, informou nesta quinta-feira (14) a Associação Luca Coscioni, organização que defende o direito à morte digna no país.

Paciente morreu em casa no último dia 4 de maio

Identificada pelo nome fictício de "Mariasole", a paciente morreu em casa no último dia 4 de maio após a autoadministração de uma substância letal fornecida pelo Serviço Regional de Saúde da Toscana, juntamente com os equipamentos necessários para o procedimento.

Segundo a associação, este é o 16º caso de suicídio assistido registrado na Itália e o quarto na Toscana desde que a prática passou a ser permitida em circunstâncias específicas.

Mariasole sofria desde 2015 de uma doença neurodegenerativa grave que, ao longo dos anos, a tornou totalmente dependente de terceiros para realizar atividades cotidianas.

De acordo com a Associação Luca Coscioni, a mulher aguardou nove meses pela autorização do procedimento.

A discussão sobre suicídio assistido ganhou força na Itália após uma decisão histórica da Suprema Corte do país, em 2019. Na ocasião, os magistrados consideraram legal o auxílio ao suicídio em determinadas situações, desde que sejam respeitados critérios rigorosos.

A decisão também solicitou que o Parlamento criasse uma legislação específica para preencher a lacuna jurídica sobre o tema. Até o momento, porém, nenhuma lei nacional foi aprovada.

Antes da decisão da Suprema Corte, integrantes da Associação Luca Coscioni auxiliavam pacientes terminais a viajarem até a clínica Dignitas, na Suíça, onde o suicídio assistido já era legalizado. Fonte: terra.

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Governo do Japão aprova cobertura de seguro para tratamento de Parkinson com iPS

14/05/2026 - Painel do Ministério da Saúde aprovou a cobertura do seguro saúde para o Amchepry, medicamento derivado de células iPS para tratar a doença de Parkinson.

Um painel do Ministério da Saúde do Japão aprovou, na quarta-feira (13), a cobertura pelo seguro saúde público para um produto de medicina regenerativa derivado de células-tronco pluripotentes induzidas (iPS), utilizado no tratamento da doença de Parkinson.

UT SURI-EMU - Empregos seguros no Japão

O preço total do Amchepry, desenvolvido pela Sumitomo Pharma, será de 55.306.737 ienes por pessoa (US$351.000). A previsão é que os tratamentos comecem possivelmente neste outono, marcando a primeira aplicação prática mundial de medicina regenerativa utilizando células iPS.

A doença de Parkinson é uma condição neurodegenerativa progressiva causada pela degeneração e perda de células cerebrais produtoras de dopamina, o que pode levar a uma diminuição da função motora.

Com o Amchepry, células iPS humanas são cultivadas até se tornarem “células progenitoras neurais dopaminérgicas” e injetadas no cérebro do paciente. O tratamento é destinado a pacientes com Parkinson que não responderam aos medicamentos convencionais.

Regulamentação e próximos passos

Em março, o governo aprovou condicionalmente a comercialização do Amchepry, bem como do ReHeart, outro medicamento derivado de iPS desenvolvido pela Cuorips para tratar pacientes com insuficiência cardíaca grave decorrente de cardiomiopatia isquêmica.

O preço do ReHeart e a definição sobre sua cobertura pelo seguro saúde devem ser decididos por volta deste verão.

Como ambos os produtos possuem um número limitado de casos de ensaios clínicos, tanto o ReHeart quanto o Amchepry precisam comprovar sua eficácia dentro de sete anos, por meio do tratamento de pacientes, para obter a aprovação definitiva.

Os requisitos principais para a continuidade do uso incluem:

Comprovação de eficácia clínica em pacientes reais.

Monitoramento contínuo dos resultados dentro do prazo de sete anos.

Acompanhamento rigoroso da segurança do procedimento de injeção cerebral. Fonte: portalmie.

Doença de Parkinson: etiopatogenia e tratamento

20 de abril de 2020 - RESUMO

O conceito de doença de Parkinson (DP) “idiopática” como uma entidade única tem sido questionado com a identificação de vários subtipos clínicos, genes patogênicos e possíveis agentes ambientais causadores.

Além dos sintomas motores clássicos,  manifestações não motoras (como distúrbio do sono REM, anosmia, constipação e depressão) aparecem no estágio prodrômico/pré-motor e evoluem, juntamente com o comprometimento cognitivo e a disautonomia, à medida que a doença progride, muitas vezes dominando os estágios avançados da doença. Os principais mecanismos moleculares patogênicos incluem dobramento incorreto e agregação da α-sinucleína, disfunção mitocondrial, comprometimento da depuração de proteínas (associado a sistemas deficientes de ubiquitina-proteassoma e autofagia-lisossoma), neuroinflamação e estresse oxidativo. O envolvimento das vias dopaminérgicas, bem como noradrenérgicas, glutamatérgicas, serotonérgicas e adenosinérgicas, fornece informações sobre a rica e variável fenomenologia clínica associada à DP e a possibilidade de abordagens terapêuticas alternativas além das terapias tradicionais de reposição de dopamina. Um dos maiores desafios no desenvolvimento de potenciais terapias neuroprotetoras tem sido a falta de biomarcadores de progressão confiáveis ​​e sensíveis. (segue...) Fonte: jnnp.

terça-feira, 12 de maio de 2026

Proteína imunológica pode ser alvo para retardar a progressão da doença de Parkinson

Bloqueio da GPNMB interrompe a disseminação de proteínas tóxicas no cérebro em estudos pré-clínicos da Penn Medicine

12 de maio de 2026 - FILADÉLFIA — Anticorpos monoclonais podem bloquear uma proteína imunológica fundamental que impulsiona a disseminação de danos às células cerebrais na doença de Parkinson (DP). Essa proteína, chamada glicoproteína B do melanoma não metastático (GPNMB), pode fazer parte de uma estratégia promissora para o desenvolvimento de um tratamento que retarde a progressão da doença em seus estágios iniciais, de acordo com um novo estudo publicado hoje na revista Neuron, realizado por pesquisadores da Escola de Medicina Perelman da Universidade da Pensilvânia.

“Muitos pacientes com doença de Parkinson são diagnosticados nos estágios iniciais, quando os sintomas são relativamente leves, mas atualmente não existe tratamento que retarde a progressão”, disse a autora principal, Dra. Alice Chen-Plotkin, Professora Titular de Neurologia da Família Parker. “Esses resultados iniciais são um passo promissor para o desenvolvimento desse tipo de tratamento.”

Como a doença de Parkinson se espalha pelo cérebro

A DP afeta mais de um milhão de pessoas nos Estados Unidos, com aproximadamente 90.000 novos diagnósticos a cada ano. Embora a causa exata da doença permaneça incerta, os cientistas sabem há muito tempo que a DP se espalha pelo cérebro em estágios.

Essa progressão é impulsionada por aglomerados anormais de uma proteína neuronal chamada alfa-sinucleína. Esses aglomerados se acumulam dentro dos neurônios afetados, contribuindo para sua disfunção e morte, e são então liberados e absorvidos por neurônios saudáveis ​​próximos. À medida que essa patologia se move por diferentes regiões do cérebro, os pacientes experimentam o agravamento dos sintomas que caracterizam a DP, como tremores e dificuldade para andar ou engolir.

Embora existam vários medicamentos e terapias que podem ajudar a melhorar os sintomas da DP — desde um medicamento chamado levodopa até a estimulação cerebral profunda administrada por meio de um eletrodo implantado — não existe nenhum tratamento que retarde a progressão da DP.

Identificando células imunes como uma terapia inesperada

Em um trabalho anterior, publicado em 2022, Chen-Plotkin e seus colegas identificaram a GPNMB como uma molécula-chave envolvida na disseminação da patologia da alfa-sinucleína de neurônio para neurônio, tornando-a um alvo terapêutico promissor.

Neste novo estudo, os pesquisadores descobriram que a microglia, as células imunes residentes do cérebro, são uma importante fonte de GPNMB relacionada à doença de Parkinson. Quando a microglia está próxima a neurônios lesionados ou em processo de morte, ela produz quantidades aumentadas de GPNMB. Enzimas então separam a proteína da superfície celular, liberando parte dela para se mover livremente entre as células.

Em experimentos pré-clínicos usando neurônios cultivados, Chen-Plotkin desenvolveu anticorpos que bloqueiam a GPNMB, impedindo a disseminação da patologia da alfa-sinucleína de célula para célula.

“Esses resultados sugerem que a doença de Parkinson pode ser impulsionada por um ciclo de auto-reforço: a alfa-sinucleína se acumula nos neurônios, danificando-os. A lesão nos neurônios inicia a liberação de GPNMB, que acelera a disseminação da alfa-sinucleína, levando a mais danos”, disse Chen-Plotkin. “Interromper esse ciclo poderia, idealmente, retardar ou até mesmo impedir a disseminação da alfa-sinucleína pelo cérebro e a neurodegeneração subsequente.”

Traçando um caminho potencial para uma terapia modificadora da doença

Para avaliar a relevância dessas descobertas em humanos, a equipe analisou tecido de 1.675 cérebros do Banco de Cérebros da Universidade da Pensilvânia. Indivíduos com variantes genéticas associadas à maior produção de GPNMB apresentaram patologia de alfa-sinucleína mais extensa, fornecendo fortes evidências em humanos de que a proteína desempenha um papel central na progressão da doença. Além disso, níveis elevados de GPNMB não foram associados a marcadores de outras doenças neurodegenerativas, como a doença de Alzheimer.

“Esses resultados são promissores para modelos de laboratório e análises de tecido cerebral humano, mas ainda temos muito trabalho a fazer antes de podermos aplicar essa terapia em humanos”, disse Chen-Plotkin. “Dito isso, esses resultados são encorajadores, enquanto continuamos trabalhando em direção a um novo tratamento para a doença de Parkinson.”

Este estudo foi financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde (R37 NS115139, P30 AG010124, U19 AG062418, P01 AG084497), SPARK‑NS, a Cátedra da Família Parker e o Fundo da Família Lipman. Fonte: eurekalert.

Startup aposta em IA para acelerar tratamento experimental de Parkinson

12 de maio de 2026 - Terapia foi criada por laboratório responsável pelo Ozempic e adquirida por startup que pretende usar IA para acelerar tratamentos contra doenças neurodegenerativas

Parkinson – A startup de biotecnologia Cellular Intelligence anunciou a aquisição dos direitos globais do STEM-PD, terapia experimental para Parkinson criada pela Novo Nordisk, farmacêutica conhecida mundialmente pelos medicamentos Ozempic e Wegovy. O acordo coloca a empresa entre os projetos mais ambiciosos da medicina moderna ao combinar inteligência artificial e células-tronco na tentativa de restaurar neurônios danificados pela doença.

A iniciativa tem atraído atenção do setor de tecnologia e saúde por contar com investidores ligados ao empresário Mark Zuckerberg e por apostar em uma abordagem considerada altamente complexa: 

O STEM-PD foi desenvolvido para substituir neurônios produtores de dopamina destruídos pelo Parkinson. A doença afeta justamente essas células, provocando sintomas como tremores, rigidez muscular, lentidão nos movimentos e perda progressiva da coordenação motora.

A terapia utiliza células-tronco de doadores, transformadas em células cerebrais imaturas capazes de evoluir posteriormente para neurônios dopaminérgicos. A expectativa é que o tratamento consiga restaurar parcialmente funções neurológicas comprometidas pela doença.

Atualmente, a terapia está em testes clínicos iniciais de Fase 1/2 em humanos e recebeu da FDA a designação Fast Track, concedida a tratamentos considerados promissores para doenças graves.

O principal diferencial da Cellular Intelligence está no uso intensivo de inteligência artificial para acelerar o desenvolvimento da terapia. Segundo a empresa, seus modelos de IA analisam a resposta das células a diferentes sinais biológicos e ajudam a otimizar processos de fabricação, dosagem e desenvolvimento clínico.

O CEO e cofundador da startup, Micha Breakstone, afirmou que a empresa pretende construir uma companhia de terapias “nativa em IA”. Segundo ele, o STEM-PD oferece o cenário ideal para testar se a inteligência artificial pode realmente acelerar tratamentos complexos envolvendo células humanas vivas.

Além de dar continuidade aos estudos clínicos, a startup pretende utilizar os dados obtidos durante os testes para alimentar e aprimorar seus próprios modelos de inteligência artificial.

De acordo com informações divulgadas pela Bloomberg, a empresa planeja iniciar um estudo clínico de estágio intermediário já no começo do próximo ano. Caso os resultados sejam positivos, a terapia poderá avançar para etapas mais amplas de testes e eventual aprovação regulatória.

Apesar de ainda existir um longo caminho até uma possível comercialização, o acordo é visto como um marco importante para o setor de biotecnologia baseada em IA.

A decisão da Novo Nordisk de transferir o projeto também chamou atenção no mercado. No ano passado, a farmacêutica reduziu significativamente seus investimentos em terapias celulares para concentrar esforços nos mercados de diabetes e obesidade, impulsionados pelo sucesso global do Ozempic e do Wegovy.

Durante o auge da expansão dos medicamentos GLP-1, a empresa chegou a ocupar o posto de companhia mais valiosa da Europa. No entanto, o avanço da concorrência da Eli Lilly e o surgimento de versões manipuladas e alternativas mais baratas aumentaram a pressão sobre o setor.

Mesmo deixando o desenvolvimento direto da terapia contra Parkinson, a Novo Nordisk seguirá vinculada ao projeto. A farmacêutica fará um investimento estratégico na Cellular Intelligence e continuará elegível para pagamentos futuros e royalties caso o tratamento avance.

O acordo reforça também o avanço da inteligência artificial dentro da medicina. Se antes a tecnologia era associada principalmente a chatbots, geração de texto e análise de imagens médicas, agora empresas tentam utilizá-la para enfrentar um dos maiores desafios da biologia moderna: compreender o comportamento das células humanas em sistemas altamente complexos.

No caso do Parkinson, isso pode representar a possibilidade de substituir neurônios perdidos e restaurar funções cerebrais comprometidas, algo que parecia inalcançável há poucas décadas.

Embora terapias celulares ainda estejam entre os segmentos mais arriscados da medicina experimental, o interesse crescente de empresas de tecnologia, investidores bilionários e gigantes farmacêuticas mostra que a próxima revolução da inteligência artificial pode acontecer menos nas telas e mais dentro do próprio corpo humano. Fonte: fenati.

Molécula anti-inflamatória mostra potencial contra Parkinson em estudo com camundongos

12 de maio de 2026 - Em experimento, o peptídeo Ac2 -26  protegeu neurônios da morte celular característica da condição; estudo também demonstrou diferenças entre machos e fêmeas em progressão e proteção da doença

Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) descobriram uma nova estratégia que pode, no futuro, proteger neurônios e outras células cerebrais envolvidas na doença de Parkinson. Os resultados do estudo realizado em camundongos foram publicados na revista Neuropharmacology.

Na pesquisa, apoiada pela FAPESP, os pesquisadores avaliaram o efeito de um peptídeo (Ac2-26), ou “um pedaço” de uma proteína (Anexina A1) sobre a doença. A proteína é produzida naturalmente tanto em roedores quanto em humanos e os testes em animais demonstraram que a molécula controla a neuroinflamação associada ao Parkinson, além de reduzir a degeneração neuronal.

A doença de Parkinson está intimamente ligada aos neurônios que sintetizam e liberam dopamina, neurotransmissor essencial para funções motoras, motivação, recompensa e prazer. Com a doença e a perda desses neurônios, o corpo perde a capacidade de realizar a síntese de dopamina. Sem essa substância, os pacientes sofrem prejuízos como o congelamento da marcha (dificuldade ao caminhar) e tremores.

“É ainda um estudo experimental, muito inicial, mas que traz uma proposta interessante por apresentar uma estratégia diferente do tratamento convencional. O peptídeo atua na neuroinflamação e não na reposição de dopamina. Isso é importante, pois nas doenças neurodegenerativas há uma reação inflamatória que afeta não só os neurônios, mas as outras células ao redor, e o peptídeo atua mitigando esse processo e, por consequência, protegendo o cérebro da morte celular”, diz Cristiane Damas Gil, chefe do Departamento de Morfologia e Genética da Escola Paulista de Medicina (EPM) da Unifesp e autora do trabalho.

Atualmente, a doença de Parkinson não tem cura, sendo o tratamento voltado principalmente para o controle dos sintomas motores, decorrentes da deficiência de dopamina. O recurso terapêutico é baseado, portanto, no uso da levodopa, um precursor da dopamina, com ação direcionada aos neurônios dopaminérgicos.

“Esse medicamento é considerado o padrão-ouro, apresentando benefícios significativos, especialmente em fases iniciais ou no uso agudo, quando promove melhora importante dos sintomas motores. Entretanto, com o uso crônico, sua eficácia tende a diminuir, além de poder levar ao desenvolvimento de complicações motoras e flutuações na resposta terapêutica. Por isso, é fundamental a busca por alternativas de tratamento para uma doença tão complexa como o Parkinson”, explica Luiz Philipe de Souza Ferreira, bolsista da FAPESP que realizou a investigação.

O peptídeo Ac2-26 é um conhecido anti-inflamatório, já tendo sido testado para outras doenças, embora não tenha se tornado ainda um medicamento. Além disso, estudos indicam que a Anexina A1 está alterada na doença de Parkinson, associando-se tanto à inflamação cerebral quanto a neurônios dopaminérgicos envolvidos no controle do movimento.

Machos e fêmeas

Para simular um quadro de Parkinson, os pesquisadores injetaram no cérebro dos animais uma droga neurotóxica, induzindo assim a morte neuronal e sintomas típicos da doença. Quase que concomitantemente à injeção intracerebral, os pesquisadores aplicaram o peptídeo via intraperitoneal (no abdômen).

O estudo também mostrou que existem diferenças quanto à proteção e progressão da doença entre camundongos machos e fêmeas. Os pesquisadores observaram que, após a lesão que simula o Parkinson, as fêmeas apresentaram desempenho superior em testes de movimento nomo na ausência da proteína Anexina A-1”, conta Gil.

No estudo, foram realizados experimentos tanto em animais que tinham a proteína quanto naqueles que foram geneticamente modificados para ficar sem ela.

“Já nos machos, a perda de neurônios foi mais evidente, o que permitiu avaliar com clareza os efeitos do tratamento com o peptídeo Ac2-26, capaz de proteger o quadro de degeneração” diz Ferreira.

Os experimentos também revelaram que a indução da doença altera de modo profundo o ciclo reprodutivo das fêmeas, evidenciando como o Parkinson afeta o sistema endócrino. “Isso reforça a necessidade de protocolos específicos para cada sexo biológico”, ressalta.

O estudo atual mostrou que o peptídeo funciona de forma preventiva, agindo simultaneamente ao início do dano. “Nosso próximo passo é investigar se o peptídeo funciona revertendo o dano causado pela doença de Parkinson. Se isso for comprovado, alça o peptídeo a um candidato de tratamento mais interessante”, finaliza Gil.

O artigo Annexin A1 and its N-terminal peptide Ac2-26 regulate dopaminergic degeneration and neuroinflammation in a 6-OHDA model of Parkinson's disease pode ser lido em: sciencedirect.com/science/article/pii/S0028390826001152. Fonte: agencia.fapesp.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

“Antes eu sobrevivia. Hoje eu consigo viver”: paciente relata uso de Cannabis medicinal no tratamento do Parkinson

Após diagnóstico precoce de Parkinson, paciente encontrou no uso medicinal da Cannabis uma alternativa para controlar sintomas, reduzir medicamentos e recuperar qualidade de vida

15 de abril de 2026 - O diagnóstico de Parkinson aos 36 anos interrompeu de forma brusca a rotina de André Gubolin. Ativo, acostumado a trabalhar o dia inteiro e a se dedicar à música desde jovem, ele viu o próprio corpo mudar em poucos meses.

“Eu comecei com um tremor no dedo que nunca tive. Depois vieram as dores, a perda de força… e aquilo foi só aumentando”, lembra.

Os sintomas surgiram após um acidente de trabalho. Durante o período de recuperação, o que parecia pontual começou a se transformar em algo mais persistente, até a confirmação do diagnóstico, feita por avaliação clínica.

Impacto do diagnóstico e desafios com o tratamento

Além das limitações físicas, o impacto emocional foi imediato. André descreve o período após o diagnóstico como um dos mais difíceis. “Eu entrei em um luto. Você começa a procurar informação e só encontra coisa ruim. Parece que sua vida acabou ali.”

O tratamento convencional para o Parkinson foi iniciado logo em seguida, com uso de múltiplos medicamentos ao longo do dia. Apesar de algum alívio inicial, os efeitos eram temporários e acompanhados de efeitos colaterais.

“O remédio ajudava por algumas horas, mas depois tudo voltava. E cada vez precisava de mais.”

Baterista desde a adolescência, André teve que se afastar completamente da música após o avanço dos sintomas.

“Eu tive que parar tudo. Vender meus equipamentos… foi uma das partes mais difíceis, porque a música sempre foi parte de quem eu sou.”

Por um período, a doença não afetou apenas o corpo, mas também sua identidade.

Cannabis medicinal como alternativa terapêutica

Diante das dificuldades com o tratamento convencional, André buscou outras possibilidades de cuidado. Foi nesse contexto que iniciou o uso de Cannabis medicinal.

Após avaliação clínica, passou a utilizar o óleo, com prescrição médica e acompanhamento profissional( etapa essencial para garantir segurança e ajuste individualizado do tratamento).

Melhora dos sintomas e redução de medicamentos

Segundo André, as mudanças começaram a ser percebidas nos primeiros dias de uso. Entre os principais efeitos relatados estão a redução da rigidez muscular, melhora das dores e maior controle dos tremores.

Ele também observa avanços na fala, na mobilidade e na estabilidade corporal. “Com o uso do óleo, eu consegui voltar a me movimentar melhor e ter mais controle do meu corpo”, conta.

Outro ponto importante foi a redução significativa no número de medicamentos utilizados ao longo do dia.

“Antes eu tomava muitos remédios. Hoje, com acompanhamento médico e o uso do canabidiol, consegui diminuir bastante.”

Qualidade de vida e retomada da autonomia

Mais do que o controle dos sintomas, André destaca o impacto do tratamento na sua vida como um todo.

“Antes eu sobrevivia. Hoje eu consigo viver.” Segundo ele, o uso da Cannabis medicinal contribuiu não apenas para o alívio físico, mas também para uma melhora no bem-estar geral, permitindo retomar atividades e ter mais autonomia no dia a dia.

Música, propósito e impacto social

Com a melhora dos sintomas, André também conseguiu retomar uma parte importante da sua identidade: a música. Baterista desde a adolescência, ele havia se afastado completamente após o diagnóstico.

Ao recuperar movimentos e qualidade de vida, voltou a tocar e passou a usar a música como ferramenta de enfrentamento da doença.

A iniciativa evoluiu para um projeto social voltado ao acolhimento e à troca de experiências com outras pessoas que convivem com o Parkinson. Hoje, ele integra um instituto que atua na conscientização e no apoio a pacientes, além de compartilhar informações sobre a condição e possibilidades de tratamento.

“Depois que eu comecei a melhorar, eu percebi que podia ajudar outras pessoas também. Isso deu um novo sentido para tudo.”

Importante! 

Para quem busca entender se a Cannabis medicinal pode ser uma alternativa no tratamento de condições como o Parkinson, o primeiro passo é a avaliação com um médico. No portal Cannabis & Saúde, é possível agendar consultas com profissionais experientes, que realizam uma análise individualizada e orientam sobre as possibilidades de tratamento de forma segura e responsável.  Fonte:cannabisesaude.