quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Neurônios de reposição: a nova fronteira contra Parkinson e Alzheimer

29/09/2026 - Pesquisas avançam na reposição de neurônios e na proteção das células ainda funcionais, mas os resultados variam entre Parkinson e Alzheimer

A medicina regenerativa começa a sair do laboratório e a chegar aos pacientes com Parkinson. Para o Alzheimer, o desafio é outro. Entre as possibilidades em investigação, pesquisadores buscam entender até onde é possível substituir neurônios danificados, proteger aqueles que ainda funcionam e interferir nos processos responsáveis pela deterioração do cérebro.

Esquecer o nome de alguém próximo. Perceber que as mãos já não obedecem como antes. Precisar de ajuda para uma tarefa que, até pouco tempo atrás, era automática. A neurodegeneração tem muitas faces, mas todas compartilham o mesmo roteiro: a perda progressiva de células nervosas e, com ela, de funções que sustentam a vida cotidiana e a autonomia.

A medicina regenerativa propõe ir além do alívio dos sintomas. Pesquisadores investigam formas de substituir neurônios danificados, proteger aqueles que ainda funcionam e interferir nos processos responsáveis pela deterioração do cérebro. Embora algumas dessas estratégias já tenham alcançado pacientes, a recuperação de funções perdidas continua sendo um desafio.

“Quem recebe um diagnóstico quer saber o que poderá preservar da própria vida. É compreensível que uma notícia sobre reposição de neurônios mobilize esperança. É preciso explicar com cautela os resultados possíveis e o que ainda continua sem resposta”, afirma o médico Guilherme Storch, especialista em Medicina Preventiva.

Parkinson: da compensação à reconstrução

No Parkinson, a perda de neurônios que produzem dopamina prejudica o controle dos movimentos. Os medicamentos tradicionais atuam compensando essa falta, enquanto a medicina regenerativa procura repor parte dessas células, na tentativa de restabelecer a produção da substância e melhorar a capacidade motora.

Essa aposta ganhou um marco em março de 2026, quando o Japão concedeu autorização condicional e por tempo limitado ao Amchepry, terapia celular voltada a pacientes que não respondem bem aos remédios convencionais. O tratamento usa células preparadas em laboratório para dar origem a neurônios produtores de dopamina. A autorização vem com exigências: acompanhamento dos pacientes e novos estudos para confirmar eficácia e segurança.

A novidade representa uma mudança na forma de abordar a doença. Em vez de apenas compensar a falta de dopamina com medicamentos, a estratégia busca recuperar parte da capacidade de produzi-la. Mas vale moderar o entusiasmo: isso não interrompe todos os mecanismos da doença nem reverte suas diferentes manifestações.

Também é preciso distinguir os resultados obtidos com esse tipo de terapia de outros produtos apresentados como regenerativos. “O resultado de um transplante não pode ser transferido para qualquer produto vendido como regenerativo”, ressalta Storch.

Alzheimer: por que recuperar a memória é um desafio diferente?

No Alzheimer, o problema não se limita à perda de um tipo específico de neurônio. A doença compromete conexões espalhadas por várias regiões do cérebro, afetando memória, linguagem, raciocínio e, pouco a pouco, a independência.

Por isso, a reposição celular, por si só, não seria suficiente para recuperar uma lembrança. O que acumulamos ao longo da vida está guardado em redes de comunicação entre neurônios, construídas com o tempo. Mesmo que novas células fossem introduzidas, seria preciso entender como elas se integrariam a essa arquitetura e passariam a funcionar dentro dela.

“Uma lembrança depende de conexões celulares construídas ao longo da vida. Colocar novas células no cérebro não garante que elas consigam reconstruir essa organização. Por isso, parte das pesquisas procura preservar o tecido que ainda funciona, reduzir a inflamação e criar condições para que os neurônios resistam ao processo de degeneração”, explica o médico.

Nesse caminho, a ciência estuda células capazes de influenciar o ambiente cerebral, com efeitos sobre a inflamação e sobre mecanismos de proteção dos neurônios. O objetivo não é necessariamente substituir tudo o que se perdeu, mas preservar o que ainda está ativo e frear os danos. São abordagens promissoras, mas ainda em investigação, e precisam comprovar eficácia antes de entrar na rotina de tratamento.


O desafio é encontrar intervenções capazes de produzir resultados que façam diferença na vida do paciente. Preservar a capacidade de reconhecer familiares, manter a comunicação ou realizar atividades sem ajuda são objetivos que precisam orientar a avaliação de qualquer avanço científico.

O que já é possível oferecer aos pacientes?

Com o avanço das pesquisas, é preciso distinguir uma terapia em investigação de um procedimento com eficácia comprovada para determinada indicação. No Brasil, a Anvisa alerta para os riscos de produtos à base de células-tronco oferecidos sem aprovação e para promessas de cura de Alzheimer e Parkinson sem respaldo científico.

Para Storch, a expectativa em torno das descobertas não pode desviar o olhar do que acontece hoje dentro de casa. “As famílias buscam recursos para lidar com dificuldades do dia a dia, como caminhar, dormir ou aumentar a independência do familiar adoecido. Essas questões exigem cuidado agora, com revisão do tratamento e apoio a quem acompanha o paciente”, observa.

O acompanhamento médico, a reabilitação e o suporte aos cuidadores continuam fundamentais. No Parkinson, medicamentos e fisioterapia ajudam a controlar sintomas e preservar a mobilidade. No Alzheimer, o acompanhamento envolve treinamentos para manter a funcionalidade, acompanhamento das alterações cognitivas e medidas para que a pessoa conserve sua autonomia pelo maior tempo possível. O suporte a quem cuida também faz parte do tratamento.

A medicina regenerativa acrescenta uma camada nova a esse cenário: a possibilidade de atuar diretamente sobre o dano. No Parkinson, a reposição de neurônios já chegou a uma autorização de uso, sob condições específicas, no Japão. No Alzheimer, proteger as células que restam e buscar mecanismos de reparo seguem como as apostas da ciência. Esses caminhos permanecem em investigação e sua eficácia precisa ser confirmada antes que possam integrar os tratamentos recomendados à população de maneira geral. Fonte: thepresident.

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Doença de Parkinson e incontinência

250926- A doença de Parkinson é uma doença progressiva do sistema nervoso caracterizada por tremor, rigidez muscular e movimentos lentos e imprecisos, que afeta principalmente pessoas de meia-idade e idosos. Está associada à degeneração dos gânglios da base do cérebro e à deficiência do neurotransmissor dopamina.

A dopamina é um importante mensageiro químico, ou neurotransmissor, que permite a transmissão de mensagens entre as células do cérebro.

Essa falta de dopamina significa que as pessoas podem ter dificuldade em controlar seus movimentos e se movimentar livremente, podendo também afetar outros sistemas do corpo, como o olfato, o intestino, o pensamento e o humor.

Uma pessoa com doença de Parkinson pode apresentar problemas com a frequência e urgência para urinar, mesmo quando a bexiga não está cheia. Medicamentos como o Ditropan podem ajudar, assim como a avaliação por um urologista. Retenção urinária e noctúria também podem ser problemas comuns.

As dificuldades na bexiga em pacientes com Parkinson estão relacionadas às flutuações nos níveis de dopamina, que afetam a função do músculo da bexiga. Acredita-se também que a doença de Parkinson afete a via nervosa entre a bexiga e a parte do cérebro que controla a função da bexiga.

Constipação e doença de Parkinson

A constipação também pode ser um problema que afeta o sistema urinário. De acordo com a Continence Foundation Australia (CFA), existem quatro maneiras principais pelas quais a doença de Parkinson pode causar constipação:

Os músculos do intestino podem ser afetados, alterando a forma como os alimentos se movem pelo intestino.

Os medicamentos usados ​​para tratar a doença de Parkinson podem tornar o intestino mais lento.

Dificuldades para mastigar e engolir podem afetar a capacidade de se alimentar adequadamente e ingerir a quantidade adequada de líquidos.

Os músculos usados ​​para caminhar e praticar exercícios podem ser afetados, e a diminuição dos níveis de exercício adequado pode afetar a atividade intestinal. Fonte: shop conni.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Confira 10 possíveis complicações da doença de Parkinson

210926 -Por se tratar de uma doença progressiva, os sintomas de Parkinson vão se intensificando com o passar do tempo e podem surgir algumas complicações decorrentes dessa condição. Vale lembrar, porém, que muitas dessas complicações podem ser tratadas, favorecendo a qualidade de vida das pessoas que convivem com a doença.1 Veja abaixo algumas das complicações que podem ser causadas por Parkinson:

Dificuldade de raciocínio:

podem se manifestar alguns problemas cognitivos, como demência e dificuldade de raciocínio. Geralmente, essas questões surgem em estágios mais avançados da doença.1,2

Depressão e outras mudanças emocionais:

às vezes, a depressão pode ocorrer ainda nos estágios iniciais da doença, quando a pessoa está lutando para lidar com a notícia do diagnóstico. Receber o tratamento adequado para a depressão pode ser muito importante para que a pessoa se sinta capaz de superar os desafios impostos pela doença de Parkinson. Outras alterações emocionais importantes, como medo, ansiedade e falta de motivação, também podem ocorrer no curso do tratamento de Parkinson e é fundamental conversar abertamente sobre esses sentimentos com a equipe médica.1,2

Dificuldades para mastigar e engolir:

em estágios avançados da doença de Parkinson, músculos e nervos da região da boca podem ser afetados, o que torna mesmo difícil o ato de mastigar e engolir (ainda que só saliva). Nesses casos, é preciso buscar acompanhamento médico porque essas complicações podem levar a engasgos e subnutrição.1,2

Distúrbios do sono:

não é raro que a doença de Parkinson seja associada a problemas para dormir, pode ser que a pessoa acorde muitas vezes durante a noite, sofra de insônia ou mesmo que acabe cochilando durante o dia. Algumas terapias e medicamentos são capazes de melhorar a qualidade do sono dessas pessoas.1,2

Problemas na bexiga:

podem ocorrer, como complicação da doença de Parkinson, problemas para controlar a urina, vontade constante de ir ao banheiro ou ainda dificuldades para urinar.1,2

Constipação:

muitas pessoas com Parkinson notam dificuldades para evacuar, isso ocorre principalmente por conta do sistema digestivo que também pode ficar mais lento.1,2

Alterações na pressão arterial:

é possível que a pessoa sinta tonturas ao se levantar repentinamente por conta da queda de pressão (hipotensão ortostática).1,2

Disfunções no olfato:

a doença de Parkinson pode causar problemas no olfato, tornando mais difícil identificar ou diferenciar alguns cheiros.1,2

Dores:

não é raro que pessoas que convivem com a doença de Parkinson sintam dores pontuais ou espalhadas por todo o corpo. Medicamentos podem aliviar esses desconfortos.1,2

Disfunções sexuais:

algumas pessoas com Parkinson relatam baixa libido ou dificuldade para atingir um orgasmo.1 Fonte: patients sandoz.

sábado, 19 de setembro de 2026

Ser Cadeirante Júnior

180926 - Para ser cadeirante com “C” maiúsculo é preciso ter experiência, ou seja, ser um cadeirante sênior. Eu, como cadeirante júnior, tenho que relatar minha inexperiência, por isso júnior, nessa hierarquia.


Pensava eu, que a cadeira de rodas me daria liberdade. Deu, mas não tanto como imaginei que daria.


A princípio, um parkinsoniano como eu, deve ter duas cadeiras. Uma “manual” e uma elétrica. Elétrica para que acompanhe o Chico (um cãozinho Lhasa Apso) de +/- uns 6 anos, muito querido, achado abandonado no lago do Braço Morto, aqui em Imbé-RS.


Pensando em cadeira de rodas, pensei no Imbé, que fica no litoral norte gaúcho, local plano, próprio para cadeira de rodas. Só não contava com o pavimento...


Quebrei dois garfos na queda em buracos e desníveis do passeio. O lago Braço Morto é um antigo braço do Rio Tramandaí que, após a fixação da barra daquele, com o enrocamento, serviria como um pequeno porto de apoio aos navios petroleiros que descarregam petróleo destinado a Canoas, passando pelo Tedut, em Osório


Contornando o lago Braço Morto, tem um pequeno passeio pavimentado com blocos cimentados tipo Pavi-S ou em I. Desgastados pelo tempo. Sob o efeito de raízes que as desnivelam.


A escolha da cadeira é um passo importante. Deve ser leve (a minha tem 34kg) e facilmente transportável.


A segunda cadeira é para quando a elétrica estiver carregando, em manutenção ou quando tiver que sair de carro, pelo peso da outra que é quase impossível colocá-la ou tirá-la do porta-malas do carro.

Primeira lição cadeira boa é a leve que tu vais usar mais.

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

"Aproximamo-nos da erradicação definitiva" da Parkinson: quão perto estamos da solução segundo a comunidade científica?

170926 - Durante a mais recente edição dos Emmys, Michael J. Fox subiu ao palco e fez um discurso inspirador sobre a Parkinson. Estamos mesmo perto da "erradicação definitiva" da doença?

Já sabemos que noite de Emmys significa looks de red carpet incríveis e, claro, este ano não foi uma exceção, muito graças a estrelas como Zendaya, Selena Gomez ou Nicole Kidman. É também uma noite de prémios e o mais importante da noite chegou às mãos de Michael J. Fox.

Durante a cerimónia, o ator conhecido pelo seu papel como Marty McFly, na trilogia Regresso ao Futuro, recebeu o Prémio Humanitário Bob Hope, um reconhecimento pelas suas décadas de trabalho através da Fundação Michael J. Fox.

Para aceitar a distinção, o ator fez um discurso que está a emocionar a internet e em que começou por falar sobre o homem que deu o nome ao prémio descrevendo-o como "mais do que um artista" e um "exemplo".


"Quando as coisas começam a ficar difíceis, é preciso estar presente, ajudar e, se conseguires acrescentar um pouco de alegria enquanto o fazes, é para saberes que fica ainda melhor", acrescentou.

É, no entanto, outra parte do discurso que está a causar mais reações. Michael aproveitou o momento para falar sobre a doença com que foi diagnosticado em 1991 quando tinha apenas 29 anos: Parkinson.

Confessou que manteve o diagnóstico em segredo no início. Tinha receio que afetasse o seu trabalho e a sua relação com o público. Quando o partilhou, em 1998, acabou por ficar "impressionado com o apoio".

"Compreendi que aceitar a doença de Parkinson não significava que tivesse de me render a ela. Significava apenas fazer tudo o que pudesse pelas pessoas que vivem com esta doença. Por isso, decidi defender as necessidades dos doentes", continuou. E, em 2000, criou a sua fundação objetivo ajudar a financiar investigações sobre a doença.

"Encontrei pessoas brilhantes para liderarem este esforço comigo e comprometi-me a financiar a melhor investigação científica do mundo. Sinto-me orgulhoso dos progressos que alcançámos em benefício dos doentes com Parkinson e das suas famílias, à medida que nos aproximamos da erradicação definitiva desta doença."

"Estou profundamente grato à nossa equipa, aos doadores, aos investigadores e, acima de tudo, à comunidade de doentes que torna possível o nosso trabalho na Fundação Michael J. Fox", concluiu.

Estamos mesmo a aproximar-nos da erradicação definitiva desta doença?

No ano passado, num artigo partilhado com a VERSA, Ana Graça Velon, médica neurologista, explicou que ainda "não há nenhum medicamento capaz de atrasar ou reverter" a Parkinson.

É, no entanto, uma "área que tem merecido maior interesse de investigação" e existem "novos fármacos e administrações inovadoras".

Por exemplo, em Portugal, "estão disponíveis vários fármacos para tratar os sintomas motores e não motores". Neste caso, "o medicamento mais eficaz é a levodopa, mas há várias categorias farmacológicas possíveis, que se utilizam habitualmente em combinação", acrescenta.

Joana Damásio, neurologista e presidente da Sociedade Portuguesa das Doenças do Movimento, explicou a situação de uma forma semelhante num artigo que escreveu para a VERSA, acrescentando que em fases mais avançadas da doença "podem ser consideradas outras abordagens, como sistemas de perfusão contínua de medicação (subcutânea ou intestinal) ou a cirurgia de estimulação cerebral profunda".

Para além disto, "o exercício físico regular, fisioterapia, terapia da fala, terapia ocupacional e apoio psicológico desempenham um papel fundamental, sobretudo na gestão dos sintomas não motores e manutenção da autonomia". Fonte: versa iol.

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Marcador genético comum associado à progressão mais rápida da doença de Parkinson

16 de setembro de 2026 - Pessoas com doença de Parkinson portadoras de variantes de perda de função do receptor de melanocortina 1 (MC1R) apresentaram declínio motor de 30% a 50% mais rápido do que aquelas sem essas variantes, em duas coortes independentes.

Mais de 60% dos pacientes com Parkinson de ascendência europeia possuem pelo menos uma dessas variantes, sugerindo que a descoberta pode se aplicar a um grande subgrupo de pacientes.

Um novo estudo realizado por pesquisadores do Mass General Brigham Neuroscience Institute identificou variantes genéticas comuns no gene MC1R como marcadores de declínio motor mais rápido em pessoas com doença de Parkinson (DP). As descobertas, publicadas no JAMA Neurology, sugerem que o MC1R pode ajudar a identificar um grande subgrupo de pacientes com risco de progressão mais rápida da doença e abrir um novo caminho para o desenvolvimento de medicamentos.

“As variantes do MC1R foram comuns entre os indivíduos em nosso estudo e associadas a uma progressão da doença substancialmente mais rápida”, disse Xiqun Chen, MD, PhD, autor sênior e pesquisador do Instituto de Neurociências Mass General Brigham. “Essa descoberta sugere que um simples teste genético poderia ajudar a melhorar a avaliação prognóstica e o planejamento de ensaios clínicos para uma grande proporção de pacientes. É importante ressaltar que o MC1R é um alvo farmacológico, e medicamentos que ativam essa via demonstraram efeitos protetores em modelos pré-clínicos da DP.”

A DP é uma doença neurodegenerativa que envolve a perda progressiva de neurônios produtores de dopamina no cérebro, manifestando-se em tremor, lentidão de movimentos, rigidez e dificuldade de equilíbrio e coordenação. O MC1R é o gene responsável pela pigmentação do cabelo e da pele, mais conhecido por sua ligação com cabelos ruivos e melanoma.

Embora cabelos ruivos sejam raros, variantes que reduzem parcialmente a função do MC1R são muito mais prevalentes — presentes em mais de 60% dos pacientes com DP de ascendência europeia. O MC1R também regula a forma como as células, incluindo os neurônios produtores de dopamina perdidos na DP, respondem ao estresse oxidativo.

O novo estudo utilizou dados longitudinais do estudo pioneiro da Fundação Michael J. Fox, a Iniciativa de Medicina de Precisão para Parkinson (PPMI), uma coorte internacional com até 12 anos de acompanhamento. A análise primária incluiu 383 participantes com doença de Parkinson esporádica, classificados de acordo com a presença ou não de uma variante de perda de função do MC1R. Entre os pacientes com DP que não apresentavam uma mutação genética conhecida associada à doença, aqueles com variantes de perda de função do MC1R experimentaram um declínio motor aproximadamente 30% mais rápido do que os não portadores. Além disso, o efeito foi dependente da dose do alelo: em comparação com os não portadores, os indivíduos com duas cópias de uma variante de perda de função apresentaram uma taxa de declínio motor 63% mais rápida, contra 27% entre aqueles com uma cópia.

As descobertas foram então replicadas em uma coorte separada, baseada em ensaios clínicos, com 587 pacientes. Nesta coorte, os portadores apresentaram declínio motor aproximadamente 50% mais rápido. Em um pequeno grupo de pacientes com sinais precoces de DP que ainda não haviam recebido um diagnóstico clínico, os portadores da variante apresentaram uma probabilidade mais de quatro vezes maior de desenvolver DP.

"O que me chama a atenção é a consistência dessa associação em uma coorte de replicação independente. Os resultados se mantêm em diferentes coortes em diferentes estágios da doença que examinamos: em indivíduos com características prodrômicas ainda não diagnosticados com DP, em pacientes em estágio inicial não tratados e naqueles já em terapia dopaminérgica. Esse tipo de convergência, combinado com o efeito dose-dependente, é convincente", disse Jackson Schumacher, BS, co-primeiro autor e pesquisador associado do Instituto de Neurociências Mass General Brigham.

Este estudo amplia o trabalho anterior da equipe, demonstrando que o MC1R está na interseção entre melanoma e doença de Parkinson. Os autores concluem que, embora sejam necessárias mais pesquisas, esses achados clínicos, juntamente com as evidências pré-clínicas da equipe de que os agonistas de MC1R existentes são neuroprotetores, fornecem uma justificativa para investigar terapias baseadas em MC1R na doença de Parkinson. Fonte: massgeneralbrigham. 

Anvisa alerta sobre risco de deficiência de vitamina B6 em pacientes com Parkinson

16/09/2026 - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta sobre a possibilidade de deficiência de vitamina B6 em indivíduos que fazem uso de medicamentos que contêm carbidopa/levodopa, utilizados no tratamento da doença de Parkinson. A Anvisa destaca que essa deficiência pode estar relacionada ao surgimento de convulsões.

A decisão da Anvisa foi tomada após a Food and Drug Administration (FDA), a agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos, ter identificado casos de convulsões em pacientes que apresentavam deficiência de vitamina B6 enquanto utilizavam esses medicamentos.

Como precaução, a Anvisa determinou que a bula do medicamento Carbidol, que contém carbidopa/levodopa, seja atualizada para incluir informações sobre o risco de deficiência de B6. Além disso, a agência recomendou que os níveis dessa vitamina sejam avaliados antes do início do tratamento e periodicamente durante o uso do medicamento.

“A ação da Anvisa é preventiva e busca aumentar a conscientização entre profissionais de saúde e pacientes, promovendo o uso seguro desses medicamentos e permitindo a identificação precoce de sinais de deficiência de vitamina B6 durante o tratamento”, finalizou a Anvisa. Fonte: metronews.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

O que fazer quando o paciente com Parkinson perde a força nas pernas?

140926 - A rotina familiar de cuidados com um idoso diagnosticado com a doença de Parkinson é marcada por um processo contínuo de adaptações e superação de barreiras motoras. Um dos momentos que costuma gerar grande apreensão e desânimo nos filhos e cônjuges é quando o paciente começa a relatar que as pernas estão pesadas ou sem a firmeza necessária para sustentar o corpo. O idoso passa a demonstrar imensa dificuldade para realizar movimentos que antes executava de forma automática.

Essa percepção de fraqueza nos membros inferiores transforma tarefas corriqueiras em momentos de grande desgaste físico e emocional para toda a casa. Ver o familiar falhar ao tentar se levantar do sofá, fraquejar os joelhos durante um passo na sala ou hesitar ao entrar no carro desperta o receio iminente de que ele perca completamente a capacidade de andar. A dependência física passa a rondar as conversas e a rotina da residência.

Muitas famílias reagem a esse sintoma assumindo todas as ações pelo idoso, realizando as transferências por ele e mantendo-o a maior parte do tempo deitado ou sentado. Embora nasça de um profundo sentimento de carinho, essa passividade excessiva acaba acelerando o enfraquecimento real dos músculos. Descubra neste artigo os mecanismos neurológicos dessa queixa e saiba como a reabilitação física avançada atua para devolver a força e a firmeza aos passos de quem você ama.

A raiz neurológica da queixa de pernas fracas no paciente

A sensação de perda de força muscular que afeta o idoso com a doença de Parkinson possui uma causa clínica muito diferente dos quadros ortopédicos tradicionais. Na grande maioria das vezes, o problema não está em uma atrofia ou lesão nas fibras dos músculos das coxas e panturrilhas, mas sim em uma falha grave na transmissão dos impulsos elétricos que partem do cérebro.

A bradicinesia, que é a lentidão motora central, e a rigidez muscular no Parkinson atuam de forma combinada para criar uma barreira invisível ao movimento. O cérebro do paciente demora mais tempo para recrutar as unidades motoras necessárias para gerar uma contração firme. Para o idoso, a sensação prática é a de que as suas pernas pesam toneladas e não respondem à sua vontade mecânica de caminhar.

Somado a isso, o desuso funcional acelera o processo. Quando o paciente sente dificuldade e passa a se movimentar menos por medo de cair, o corpo inicia uma perda real de massa magra. Esse ciclo vicioso de lentidão central e desuso muscular periférico compromete a estabilidade das articulações profundas do quadril e dos joelhos, exigindo um protocolo de intervenção estruturado diretamente no sistema nervoso.

Como os exercícios neurofuncionais resgatam a potência muscular

O tratamento focado em destravar e fortalecer as pernas do idoso faz uso de exercícios fundamentados na neuroplasticidade para otimizar o recrutamento dos neurônios motores. O fisioterapeuta especializado aplica treinos de força funcional com alta velocidade e grande amplitude, estimulando o cérebro a enviar comandos elétricos mais limpos, rápidos e intensos para os membros inferiores.

Nas sessões especializadas, trabalha-se exaustivamente o ato de sentar e levantar de superfícies com alturas variadas, o treino de marcha com resistência controlada e os exercícios de equilíbrio dinâmico. O uso de pistas sensoriais auditivas e visuais atua como um potente organizador cerebral, ajudando o paciente a romper a lentidão inicial e disparar o movimento das pernas com maior firmeza e estabilidade mecânica.

Essas metodologias são desenvolvidas em conformidade com as diretrizes clínicas compartilhadas mundialmente pelas maiores referências da saúde neurológica, como a Parkinson’s Foundation. O objetivo principal não é apenas hipertrofiar o músculo de forma isolada, mas sim restabelecer a agilidade e a coordenação funcional necessárias para que o idoso recupere a segurança para se mover sozinho dentro de casa.

A tecnologia de neuromodulação como ferramenta de ativação motora

O combate ao enfraquecimento das pernas ganhou um suporte tecnológico de altíssimo padrão por meio do uso integrado da neuromodulação não invasiva nos consultórios. A aplicação coordenada de técnicas modernas como a Estimulação Magnética Transcraniana trabalha emitindo ondas magnéticas muito suaves sobre o crânio do paciente, agindo de maneira direta na regulação dos circuitos corticais.

A EMT atua reduzindo de forma significativa a rigidez crônica que trava as articulações profundas do quadril e dos tornozelos do paciente. Ao passar pelas sessões com o equipamento, o idoso experimenta uma sensação valiosa de leveza e relaxamento físico, o que retira aquela trava mecânica central e deixa o organismo totalmente preparado para responder aos treinos físicos aplicados pelo terapeuta.

Essa integração perfeita entre a alta engenharia médica que organiza os estímulos elétricos no cérebro e os exercícios neurofuncionais que fixam o aprendizado prático é o grande diferencial dos resultados de longo prazo. O idoso consegue aproveitar o tempo de atendimento com o máximo aproveitamento funcional e menor cansaço muscular, transferindo a força e a independência conquistadas diretamente para o bem estar do lar.

 nas pernas na rotina e na harmonia da casa

(...)

Os reflexos da firmezaA reconquista de membros inferiores fortes e estáveis promove transformações profundas na saúde mental e na autoestima do idoso diagnosticado com a doença de Parkinson. Recuperar a capacidade de se levantar da poltrona sozinho para buscar um objeto ou ir ao banheiro sem precisar convocar o amparo físico constante dos familiares resgata o sentimento de dignidade e afasta o paciente do isolamento social crônico.

A evolução motora traz um alívio imensurável para a rotina diária e para a saúde física dos filhos e cônjuges responsáveis pelos cuidados domésticos. O medo constante de ver o idoso fraquejar as pernas dá lugar a um clima cercado de segurança, leveza e tranquilidade. O lar volta a ser um ponto de convivência confortável, onde a qualidade de vida do idoso é blindada por protocolos de movimento fundamentados na ciência.

Frear o avanço da perda de mobilidade exige proatividade e a escolha por clínicas especializadas que compreendam a fundo as disfunções do sistema nervoso central. Proporcionar ao seu familiar um plano de reabilitação física moderno e estruturado na ciência do movimento é a decisão mais protetora que você pode adotar para garantir um envelhecimento ativo, confortável e independente para quem você tanto ama.

FAQ (PERGUNTAS FREQUENTES)

Fisioterapia ajuda em todos os estágios do Parkinson?

Sim, a fisioterapia neurológica beneficia o paciente em qualquer fase da doença de Parkinson. No início, o foco é manter a alta performance e adiar os sintomas. Nos estágios avançados, o tratamento se adapta para proteger as articulações, evitar o encurtamento muscular e treinar transferências seguras com o cuidador.

Qual a diferença entre fisioterapia convencional e neurofuncional para Parkinson?

A fisioterapia convencional trata disfunções ortopédicas comuns, como dores e fraturas. Já a fisioterapia neurofuncional é especializada no sistema nervoso. Ela utiliza protocolos baseados em neuroplasticidade, pistas sensoriais e treino de marcha específico para contornar as falhas motoras que o Parkinson causa no cérebro.

O que é EMT e tDCS para Parkinson?

A Estimulação Magnética Transcraniana (EMT) e a Estimulação Transcraniana por Corrente Contínua (tDCS) são tecnologias de neuromodulação não invasivas. Emitem estímulos leves sobre o crânio para modular os circuitos cerebrais, diminuindo a rigidez e preparando o cérebro para responder melhor aos exercícios físicos.

CONCLUSÃO

A sensação de pernas fracas e pesadas não deve ser aceita como uma evolução sem alternativas de controle na rotina do paciente com Parkinson. Compreender a raiz neurológica desse sintoma e intervir por meio de exercícios neurofuncionais intensivos associados à neuromodulação avançada é o caminho comprovado pela ciência para devolver a potência muscular e garantir a segurança ao caminhar.

Se você nota que o seu familiar está enfrentando grandes dificuldades para se levantar da cadeira ou demonstrando fraqueza nas pernas ao dar os primeiros passos, o momento de agir com precisão terapêutica é agora. Fonte: balancefisioterapia.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Michael J. Fox relata piora do Parkinson, mas vê ciência perto da cura

Ator recebe prêmio por ativismo e diz que ciência em meio ao agravamento da doença

9 de setembro de 2026- Doença ficou mais difícil

Michael J. Fox reconheceu que os efeitos do Parkinson se agravaram depois de mais de três décadas convivendo com a doença, mas mantém uma visão otimista sobre os avanços científicos. “É claro que as coisas ficaram mais difíceis ao longo dos anos”, afirmou o astro de “De Volta para o Futuro” à revista People nesta quarta-feira (9/9). Aos 65 anos, ele enfrenta tremores e problemas de equilíbrio, mas diz concentrar sua energia na busca por tratamentos melhores e uma cura.

O que sustenta a esperança?

A confiança de Fox vem dos resultados acumulados pela pesquisa nos últimos anos. “A ciência está mostrando que estamos chegando perto”, afirmou. O ator destacou o aumento no número de descobertas, novos medicamentos para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e ferramentas que aceleram o desenvolvimento de terapias. A declaração não significa que já exista uma cura disponível, mas reflete a mudança de perspectiva provocada por avanços na compreensão biológica do Parkinson.

Um dos principais saltos ocorreu em 2023, quando pesquisadores ligados à Michael J. Fox Foundation validaram um biomarcador capaz de detectar a alfa-sinucleína anormal, proteína associada à doença, no líquido cefalorraquidiano de pessoas vivas e até antes do aparecimento dos sintomas motores. Em 2026, o grande estudo mantido pela entidade passou a se chamar Parkinson’s Precision Medicine Initiative, refletindo a tentativa de identificar diferentes perfis biológicos da doença para desenvolver tratamentos mais específicos.

Fundação recebe reconhecimento

As declarações acompanham a escolha de Fox para o Lasker-Bloomberg Public Service Award de 2026. A Fundação Lasker destacou o ator por usar sua projeção pública para combater o estigma associado ao Parkinson, ampliar a participação de pacientes nas pesquisas e acelerar a busca por melhores terapias e uma cura.

Fox começou a apresentar sintomas aos 29 anos, no início dos anos 1990, mas só tornou o diagnóstico público em 1998. Dois anos depois, criou a Michael J. Fox Foundation for Parkinson’s Research, que já destinou mais de US$ 3 bilhões a pesquisas e se tornou a maior financiadora filantrópica mundial de estudos sobre a doença. Dezenas de terapias apoiadas pela organização encontram-se atualmente em diferentes etapas de investigação.

A entidade também mantém a campanha plurianual “All Grit. No Quit.”, com meta de US$ 2,5 bilhões para financiar novas pesquisas. Até agora, foram arrecadados cerca de US$ 1,59 bilhão. Fox afirma que pretende continuar trabalhando na fundação enquanto a doença permitir: “Vamos continuar até que o trabalho esteja concluído”.

Volta à atuação

O avanço do Parkinson não impediu Fox de retomar a carreira neste ano. Depois de se afastar novamente da atuação em 2020 por dificuldades para memorizar textos e suportar jornadas longas de gravação, ele participou da 3ª temporada de “Falando a Real”, da Apple TV, como Gerry, personagem que também vive com Parkinson. O trabalho rendeu uma nova indicação ao Emmy.

A participação colocou Fox diante de Harrison Ford, cujo personagem Paul Rhodes também enfrenta a doença na série. O ator afirmou que o papel permitiu incorporar ao trabalho sua condição real em vez de tentar escondê-la e já manifestou interesse em voltar na 4ª temporada. Fonte: pipocamoderna. 

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Mutações genéticas na doença de Parkinson serão estudadas no Uruguai

 Montevidéu, 8 de setembro (Prensa Latina) O Uruguai investigará mutações genéticas associadas à doença de Parkinson, em um estudo liderado pela Faculdade de Medicina da Universidade da República, conforme revelado hoje.

O estudo começará com entre 200 e 300 pacientes, com o objetivo de identificar novas mutações genéticas ligadas ao Parkinson e ampliar o conhecimento sobre o perfil genético dos pacientes uruguaios.

A pesquisa será liderada pela neurologista Elena Diéguez, especialista na doença, e por Víctor Raggio, geneticista médico de nível 4.

Na primeira etapa, serão estudados pacientes que apresentem os sintomas característicos da doença para buscar genes ainda não identificados no Uruguai.

Algumas das informações obtidas poderão ser armazenadas por um período em um banco de dados internacional, informou o jornal La Diaria.

Dessa forma, se um grupo científico renomado identificar uma nova mutação no futuro, poderá revisar os dados disponíveis para determinar se essa variante já estava presente em amostras uruguaias.

Caso uma mutação relevante seja identificada, a Faculdade de Medicina poderá localizar o paciente para informá-lo do resultado. Se houver tratamento disponível para essa mutação, ele será oferecido ao paciente, explicou Diéguez.

A chamada para participação será feita por meio da Sociedade de Neurologia, para que os neurologistas possam encaminhar pacientes para o projeto. Além disso, os neurologistas envolvidos no projeto deverão viajar para diferentes regiões do país para ampliar o alcance da iniciativa.

Esta pesquisa dá continuidade a um estudo realizado há aproximadamente 20 anos, liderado pelo mesmo especialista.

O projeto será financiado pela Fundação Michael J. Fox e pela Fundação Internacional de Parkinson, com a Cleveland Clinic como instituição líder.

Este programa já estudou aproximadamente 140.000 pacientes em todo o mundo por meio de diversos projetos. Fonte: prensa-latina.