quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Medicamento oral da Cerevance atinge objetivo principal de estudo de Fase III para Parkinson

07 de outubro de 2026 - Uma década após seu lançamento como uma joint venture entre a Takeda e a Lightstone Ventures, a Cerevance anunciou na quarta-feira que um estudo de Fase III do medicamento oral para doença de Parkinson, solengepras (CVN424), atingiu seu objetivo primário, reforçando o potencial para tratar tanto os sintomas motores quanto os não motores da doença.

"Como uma potencial terapia não dopaminérgica inédita, o solengepras nos dá a oportunidade de avaliar o que um novo mecanismo pode oferecer às pessoas com Parkinson", comentou o CEO Craig Thompson. "Estamos ansiosos para discutir esses resultados com o FDA para determinar os próximos passos."

Ao contrário das terapias dopaminérgicas, que atuam principalmente repondo, aumentando ou imitando a dopamina, a Cerevance observou que o solengepras tem como alvo seletivo a via indireta, inibindo o receptor GPR6. Este mecanismo foi concebido para ajudar a restaurar o equilíbrio entre as vias diretas e indiretas dos gânglios da base, com potencial para melhorar as funções motoras e não motoras sem alterar diretamente os níveis ou a sinalização da dopamina.

O estudo ARISE investigou o solengepras como terapia adjuvante à levodopa e a outros medicamentos de base para a doença de Parkinson em pacientes com 30 anos ou mais, com flutuações motoras e que apresentam uma média de três ou mais horas de tempo OFF total por dia. O ensaio clínico randomizou 341 participantes para receber solengepras 75 mg ou 150 mg ou placebo, uma vez ao dia, durante 12 semanas.

Os principais resultados mostraram que a dose de 150 mg de solengepras atingiu o objetivo principal do estudo, reduzindo o tempo OFF diário médio em 0,61 horas, um resultado estatisticamente significativo, em comparação com o placebo na 12ª semana. A Cerevance afirmou que essa redução no tempo OFF em relação ao placebo foi observada já na segunda semana.

Entretanto, em um dos principais desfechos secundários do estudo, o solengepras 150 mg também demonstrou um aumento no tempo ON sem discinesia problemática de 0,60 horas, um resultado estatisticamente significativo, em comparação com o placebo. A dose mais alta do medicamento também apresentou uma melhora estatisticamente significativa nas experiências motoras da vida diária — medidas pela MDS-UPDRS Parte II — e melhorias em duas medidas não motoras: a Escala de Sonolência de Epworth e o PDQ-39.

“O tempo OFF tem sido, por muito tempo, a principal forma de avaliarmos terapias adjuvantes, mas ele captura apenas um aspecto da doença. Analisar essas medidas em conjunto pode fornecer uma visão mais completa dos benefícios potenciais de um tratamento para os pacientes”, comentou o investigador do estudo, Robert Hauser.

A Cerevance afirmou que o solengepras foi geralmente bem tolerado no estudo ARISE, observando que o medicamento esteve associado a menos eventos adversos do que os tipicamente observados com terapias adjuvantes dopaminérgicas. A taxa de descontinuação do solengepras foi semelhante à do placebo, sendo de 3,5% em todos os braços do estudo. O sucesso no estudo ARISE ocorre 18 meses depois de a Cerevance ter relatado um revés no programa solengepras, com o medicamento não atingindo o objetivo primário do estudo de Fase II ASCEND em pacientes com 30 anos ou mais com doença de Parkinson em estágio inicial e não tratada, que ainda não apresentavam flutuações motoras/período OFF. Fonte: firstwordpharma.

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domingo, 4 de outubro de 2026

Campo magnético pode afetar o envelhecimento? Estudo mostra impacto em células e abre caminhos para pesquisas sobre Parkinson

Experimento britânico com moscas revela que a menor exposição à radiação altera as usinas de energia do organismo e pode aumentar a longevidade

03/10/26 - Pesquisa aponta como redução de campo magnético afeta mitocôndrias e pode impactar longevidade e doenças neurodegenerativas

Pesquisadores da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, observaram que um campo magnético drasticamente reduzido pode alterar a longevidade e o funcionamento das mitocôndrias em moscas-das-frutas. A descoberta, publicada na revista científica Aging, sugere uma possível influência do ambiente magnético no envelhecimento celular humano e em doenças neurodegenerativas como Parkinson.

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O trabalho inova ao explorar como o escudo magnético natural da Terra, responsável por proteger os seres vivos de partículas espaciais, interage com mecanismos biológicos internos. Até então, essa interferência nos processos de envelhecimento celular era pouco investigada.

Para realizar a análise, os cientistas utilizaram um dispositivo capaz de simular um ambiente com proteção magnética quase nula. Dois grupos de moscas-das-frutas foram submetidos a essa condição: um composto por insetos saudáveis e outro com mutação genética associada ao Parkinson.

O que a pesquisa revelou

Os resultados apontaram um aumento na sobrevivência dos espécimes com a alteração genética do Parkinson quando expostos ao campo enfraquecido. Em contrapartida, as moscas saudáveis não apresentaram o mesmo benefício na longevidade, o que indica que o efeito magnético pode variar conforme a condição biológica do organismo.

Mitocôndrias e envelhecimento

Consideradas as "usinas de energia" das células, as mitocôndrias desempenham papel crucial na produção energética, e seu mau funcionamento está diretamente ligado ao envelhecimento e a diversas patologias. O levantamento indicou que a atenuação do campo magnético modificou processos energéticos e o estresse oxidativo nessas estruturas.

Esse estresse, caracterizado pelo desequilíbrio entre radicais livres e antioxidantes, contribui para a degradação celular acelerada e o desenvolvimento de doenças. A mudança no ambiente magnético alterou diretamente a forma como as mitocôndrias geram energia, impactando esse quadro.

Potencial e limitações

O achado abre caminho para futuras investigações sobre a manipulação controlada de campos magnéticos como uma potencial intervenção em disfunções mitocôndriais, especialmente em quadros de Parkinson e Alzheimer.

Contudo, os próprios autores do estudo alertam que as conclusões não podem ser aplicadas diretamente aos seres humanos, uma vez que o experimento foi conduzido exclusivamente com moscas-das-frutas, cuja biologia é consideravelmente menos complexa.

Além disso, a variação nas respostas entre os grupos, dependente da condição genética de cada um, demonstra que o impacto magnético não ocorre de forma uniforme. Sendo assim, novas pesquisas são necessárias antes de qualquer aplicação prática na medicina humana.

Portanto, ainda não é possível afirmar que o campo magnético terrestre determine a longevidade humana ou que a sua redução retardará o envelhecimento.

Esse texto foi gerado por inteligência artificial com base no conteúdo produzido pela Itatiaia. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN Brasil. Fonte: cnnbrasil.

sábado, 3 de outubro de 2026

EUA aprovam remédio para Parkinson que pode diminuir risco de compulsões

Mais de 11 milhões de pessoas vivem com Parkinson no mundo, segundo a Parkinson's Foundation

01/10/26 - A FDA, agência que regula medicamentos nos Estados Unidos, aprovou um novo tratamento para a doença de Parkinson. O tavapadon, administrado uma vez ao dia em comprimido, chegou ao mercado americano na segunda-feira (28) com o nome comercial Juvmo.

Ainda não há previsão de quando o remédio estará disponível no Brasil. Procurada, a AbbVie, fabricante do medicamento, informou que avalia como poderá disponibilizá-lo para pacientes em outros países, mas não disse se já submeteu ou quando pretende submeter os estudos à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

 No Brasil, de acordo com a ABN (Associação Brasileira de Neurologia), são mais de 500 mil. A doença afeta principalmente pessoas com mais de 60 anos e não tem cura. Os tratamentos disponíveis buscam controlar os sintomas.

É uma doença neurodegenerativa marcada pela perda progressiva de neurônios que produzem dopamina, neurotransmissor envolvido no controle dos movimentos. Tremor, rigidez e alterações no equilíbrio estão entre os sintomas mais comuns.

“A base do tratamento da doença segue sendo a chamada reposição de dopamina. Ou seja, progressivamente vamos acrescentando fármacos que são estimulantes diretos do receptor de dopamina ou que de forma indireta aumentam a disponibilidade da levodopa, o principal precursor farmacológico”, explica o neurologista Felipe Sampaio Saba, especialista em distúrbios do movimento e médico do Einstein Hospital Israelita.

A levodopa é convertida em dopamina no cérebro e é o principal medicamento usado para repor a substância. Já os agonistas dopaminérgicos estimulam diretamente os receptores de dopamina.

O tavapadon pertence à classe dos agonistas dopaminérgicos, mas age principalmente sobre os receptores D1 e D5. Os outros agonistas disponíveis no Brasil, como o pramipexol, de uso oral, e a rotigotina, aplicada por meio de um adesivo, atuam sobretudo nos receptores D2 e D3.

Segundo Saba, esses medicamentos têm indicações específicas e podem precisar ser suspensos em alguns pacientes por causa de efeitos adversos, como sonolência e inchaço nas pernas.

Um dos mais relevantes é a desregulação do controle dos impulsos, que pode levar a comportamentos compulsivos ligados a jogos e apostas, compras, alimentação e atividade sexual.

Para o neurologista, a ação seletiva do tavapadon deve reduzir esse risco. “O tavapadon veio exatamente para estimular o grupo de receptores de dopamina em que isso não acontece. Por isso que a gente diz que ele é muito seletivo. Estimular os receptores D1 e D5 diminui muito isso, então a gente tem uma segurança maior”, afirma.

Essa característica, segundo o médico, pode ampliar o grupo de pacientes beneficiados. “É um grupo de remédios que a gente pode usar isoladamente no início da doença, quando os sintomas são muito frustros, são muito discretos, e a gente pode inclusive usar em fases mais adiantadas da doença em combinação com os outros.”

A aprovação da FDA se baseou em três estudos de fase 3, que incluíram pacientes em fase inicial da doença e pacientes já em uso de levodopa. Os resultados mostraram melhora dos sintomas. Náusea, tontura e dor de cabeça estiveram entre os efeitos colaterais mais comuns.

Saba ressalta que ainda não há evidência direta de superioridade da tavapadona sobre outros remédios da mesma classe, já que os estudos compararam o novo medicamento apenas com placebo.

“Estes estudos são geralmente conduzidos pelos laboratórios e sempre temos que ter um olhar muito crítico sobre eles”, diz. “Por isso que o Brasil sempre tem muita cautela na aprovação.”

EUA aprovam remédio para Parkinson que pode diminuir risco de compulsões

Mais de 11 milhões de pessoas vivem com Parkinson no mundo, segundo a Parkinson's Foundation

A FDA, agência que regula medicamentos nos Estados Unidos, aprovou um novo tratamento para a doença de Parkinson. O tavapadon, administrado uma vez ao dia em comprimido, chegou ao mercado americano na segunda-feira (28) com o nome comercial Juvmo.

Ainda não há previsão de quando o remédio estará disponível no Brasil. Procurada, a AbbVie, fabricante do medicamento, informou que avalia como poderá disponibilizá-lo para pacientes em outros países, mas não disse se já submeteu ou quando pretende submeter os estudos à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

No Brasil, de acordo com a ABN (Associação Brasileira de Neurologia), são mais de 500 mil. A doença afeta principalmente pessoas com mais de 60 anos e não tem cura. Os tratamentos disponíveis buscam controlar os sintomas.

É uma doença neurodegenerativa marcada pela perda progressiva de neurônios que produzem dopamina, neurotransmissor envolvido no controle dos movimentos. Tremor, rigidez e alterações no equilíbrio estão entre os sintomas mais comuns.

“A base do tratamento da doença segue sendo a chamada reposição de dopamina. Ou seja, progressivamente vamos acrescentando fármacos que são estimulantes diretos do receptor de dopamina ou que de forma indireta aumentam a disponibilidade da levodopa, o principal precursor farmacológico”, explica o neurologista Felipe Sampaio Saba, especialista em distúrbios do movimento e médico do Einstein Hospital Israelita.

A levodopa é convertida em dopamina no cérebro e é o principal medicamento usado para repor a substância. Já os agonistas dopaminérgicos estimulam diretamente os receptores de dopamina.

O tavapadon pertence à classe dos agonistas dopaminérgicos, mas age principalmente sobre os receptores D1 e D5. Os outros agonistas disponíveis no Brasil, como o pramipexol, de uso oral, e a rotigotina, aplicada por meio de um adesivo, atuam sobretudo nos receptores D2 e D3.

Segundo Saba, esses medicamentos têm indicações específicas e podem precisar ser suspensos em alguns pacientes por causa de efeitos adversos, como sonolência e inchaço nas pernas.

Um dos mais relevantes é a desregulação do controle dos impulsos, que pode levar a comportamentos compulsivos ligados a jogos e apostas, compras, alimentação e atividade sexual.

Para o neurologista, a ação seletiva do tavapadon deve reduzir esse risco. “O tavapadon veio exatamente para estimular o grupo de receptores de dopamina em que isso não acontece. Por isso que a gente diz que ele é muito seletivo. Estimular os receptores D1 e D5 diminui muito isso, então a gente tem uma segurança maior”, afirma.

Essa característica, segundo o médico, pode ampliar o grupo de pacientes beneficiados. “É um grupo de remédios que a gente pode usar isoladamente no início da doença, quando os sintomas são muito frustros, são muito discretos, e a gente pode inclusive usar em fases mais adiantadas da doença em combinação com os outros.”

A aprovação da FDA se baseou em três estudos de fase 3, que incluíram pacientes em fase inicial da doença e pacientes já em uso de levodopa. Os resultados mostraram melhora dos sintomas. Náusea, tontura e dor de cabeça estiveram entre os efeitos colaterais mais comuns.

Saba ressalta que ainda não há evidência direta de superioridade da tavapadona sobre outros remédios da mesma classe, já que os estudos compararam o novo medicamento apenas com placebo.

“Estes estudos são geralmente conduzidos pelos laboratórios e sempre temos que ter um olhar muito crítico sobre eles”, diz. “Por isso que o Brasil sempre tem muita cautela na aprovação.” Fonte: iclnoticias.

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Neurônios de reposição: a nova fronteira contra Parkinson e Alzheimer

29/09/2026 - Pesquisas avançam na reposição de neurônios e na proteção das células ainda funcionais, mas os resultados variam entre Parkinson e Alzheimer

A medicina regenerativa começa a sair do laboratório e a chegar aos pacientes com Parkinson. Para o Alzheimer, o desafio é outro. Entre as possibilidades em investigação, pesquisadores buscam entender até onde é possível substituir neurônios danificados, proteger aqueles que ainda funcionam e interferir nos processos responsáveis pela deterioração do cérebro.

Esquecer o nome de alguém próximo. Perceber que as mãos já não obedecem como antes. Precisar de ajuda para uma tarefa que, até pouco tempo atrás, era automática. A neurodegeneração tem muitas faces, mas todas compartilham o mesmo roteiro: a perda progressiva de células nervosas e, com ela, de funções que sustentam a vida cotidiana e a autonomia.

A medicina regenerativa propõe ir além do alívio dos sintomas. Pesquisadores investigam formas de substituir neurônios danificados, proteger aqueles que ainda funcionam e interferir nos processos responsáveis pela deterioração do cérebro. Embora algumas dessas estratégias já tenham alcançado pacientes, a recuperação de funções perdidas continua sendo um desafio.

“Quem recebe um diagnóstico quer saber o que poderá preservar da própria vida. É compreensível que uma notícia sobre reposição de neurônios mobilize esperança. É preciso explicar com cautela os resultados possíveis e o que ainda continua sem resposta”, afirma o médico Guilherme Storch, especialista em Medicina Preventiva.

Parkinson: da compensação à reconstrução

No Parkinson, a perda de neurônios que produzem dopamina prejudica o controle dos movimentos. Os medicamentos tradicionais atuam compensando essa falta, enquanto a medicina regenerativa procura repor parte dessas células, na tentativa de restabelecer a produção da substância e melhorar a capacidade motora.

Essa aposta ganhou um marco em março de 2026, quando o Japão concedeu autorização condicional e por tempo limitado ao Amchepry, terapia celular voltada a pacientes que não respondem bem aos remédios convencionais. O tratamento usa células preparadas em laboratório para dar origem a neurônios produtores de dopamina. A autorização vem com exigências: acompanhamento dos pacientes e novos estudos para confirmar eficácia e segurança.

A novidade representa uma mudança na forma de abordar a doença. Em vez de apenas compensar a falta de dopamina com medicamentos, a estratégia busca recuperar parte da capacidade de produzi-la. Mas vale moderar o entusiasmo: isso não interrompe todos os mecanismos da doença nem reverte suas diferentes manifestações.

Também é preciso distinguir os resultados obtidos com esse tipo de terapia de outros produtos apresentados como regenerativos. “O resultado de um transplante não pode ser transferido para qualquer produto vendido como regenerativo”, ressalta Storch.

Alzheimer: por que recuperar a memória é um desafio diferente?

No Alzheimer, o problema não se limita à perda de um tipo específico de neurônio. A doença compromete conexões espalhadas por várias regiões do cérebro, afetando memória, linguagem, raciocínio e, pouco a pouco, a independência.

Por isso, a reposição celular, por si só, não seria suficiente para recuperar uma lembrança. O que acumulamos ao longo da vida está guardado em redes de comunicação entre neurônios, construídas com o tempo. Mesmo que novas células fossem introduzidas, seria preciso entender como elas se integrariam a essa arquitetura e passariam a funcionar dentro dela.

“Uma lembrança depende de conexões celulares construídas ao longo da vida. Colocar novas células no cérebro não garante que elas consigam reconstruir essa organização. Por isso, parte das pesquisas procura preservar o tecido que ainda funciona, reduzir a inflamação e criar condições para que os neurônios resistam ao processo de degeneração”, explica o médico.

Nesse caminho, a ciência estuda células capazes de influenciar o ambiente cerebral, com efeitos sobre a inflamação e sobre mecanismos de proteção dos neurônios. O objetivo não é necessariamente substituir tudo o que se perdeu, mas preservar o que ainda está ativo e frear os danos. São abordagens promissoras, mas ainda em investigação, e precisam comprovar eficácia antes de entrar na rotina de tratamento.


O desafio é encontrar intervenções capazes de produzir resultados que façam diferença na vida do paciente. Preservar a capacidade de reconhecer familiares, manter a comunicação ou realizar atividades sem ajuda são objetivos que precisam orientar a avaliação de qualquer avanço científico.

O que já é possível oferecer aos pacientes?

Com o avanço das pesquisas, é preciso distinguir uma terapia em investigação de um procedimento com eficácia comprovada para determinada indicação. No Brasil, a Anvisa alerta para os riscos de produtos à base de células-tronco oferecidos sem aprovação e para promessas de cura de Alzheimer e Parkinson sem respaldo científico.

Para Storch, a expectativa em torno das descobertas não pode desviar o olhar do que acontece hoje dentro de casa. “As famílias buscam recursos para lidar com dificuldades do dia a dia, como caminhar, dormir ou aumentar a independência do familiar adoecido. Essas questões exigem cuidado agora, com revisão do tratamento e apoio a quem acompanha o paciente”, observa.

O acompanhamento médico, a reabilitação e o suporte aos cuidadores continuam fundamentais. No Parkinson, medicamentos e fisioterapia ajudam a controlar sintomas e preservar a mobilidade. No Alzheimer, o acompanhamento envolve treinamentos para manter a funcionalidade, acompanhamento das alterações cognitivas e medidas para que a pessoa conserve sua autonomia pelo maior tempo possível. O suporte a quem cuida também faz parte do tratamento.

A medicina regenerativa acrescenta uma camada nova a esse cenário: a possibilidade de atuar diretamente sobre o dano. No Parkinson, a reposição de neurônios já chegou a uma autorização de uso, sob condições específicas, no Japão. No Alzheimer, proteger as células que restam e buscar mecanismos de reparo seguem como as apostas da ciência. Esses caminhos permanecem em investigação e sua eficácia precisa ser confirmada antes que possam integrar os tratamentos recomendados à população de maneira geral. Fonte: thepresident.

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Doença de Parkinson e incontinência

250926- A doença de Parkinson é uma doença progressiva do sistema nervoso caracterizada por tremor, rigidez muscular e movimentos lentos e imprecisos, que afeta principalmente pessoas de meia-idade e idosos. Está associada à degeneração dos gânglios da base do cérebro e à deficiência do neurotransmissor dopamina.

A dopamina é um importante mensageiro químico, ou neurotransmissor, que permite a transmissão de mensagens entre as células do cérebro.

Essa falta de dopamina significa que as pessoas podem ter dificuldade em controlar seus movimentos e se movimentar livremente, podendo também afetar outros sistemas do corpo, como o olfato, o intestino, o pensamento e o humor.

Uma pessoa com doença de Parkinson pode apresentar problemas com a frequência e urgência para urinar, mesmo quando a bexiga não está cheia. Medicamentos como o Ditropan podem ajudar, assim como a avaliação por um urologista. Retenção urinária e noctúria também podem ser problemas comuns.

As dificuldades na bexiga em pacientes com Parkinson estão relacionadas às flutuações nos níveis de dopamina, que afetam a função do músculo da bexiga. Acredita-se também que a doença de Parkinson afete a via nervosa entre a bexiga e a parte do cérebro que controla a função da bexiga.

Constipação e doença de Parkinson

A constipação também pode ser um problema que afeta o sistema urinário. De acordo com a Continence Foundation Australia (CFA), existem quatro maneiras principais pelas quais a doença de Parkinson pode causar constipação:

Os músculos do intestino podem ser afetados, alterando a forma como os alimentos se movem pelo intestino.

Os medicamentos usados ​​para tratar a doença de Parkinson podem tornar o intestino mais lento.

Dificuldades para mastigar e engolir podem afetar a capacidade de se alimentar adequadamente e ingerir a quantidade adequada de líquidos.

Os músculos usados ​​para caminhar e praticar exercícios podem ser afetados, e a diminuição dos níveis de exercício adequado pode afetar a atividade intestinal. Fonte: shop conni.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Confira 10 possíveis complicações da doença de Parkinson

210926 -Por se tratar de uma doença progressiva, os sintomas de Parkinson vão se intensificando com o passar do tempo e podem surgir algumas complicações decorrentes dessa condição. Vale lembrar, porém, que muitas dessas complicações podem ser tratadas, favorecendo a qualidade de vida das pessoas que convivem com a doença.1 Veja abaixo algumas das complicações que podem ser causadas por Parkinson:

Dificuldade de raciocínio:

podem se manifestar alguns problemas cognitivos, como demência e dificuldade de raciocínio. Geralmente, essas questões surgem em estágios mais avançados da doença.1,2

Depressão e outras mudanças emocionais:

às vezes, a depressão pode ocorrer ainda nos estágios iniciais da doença, quando a pessoa está lutando para lidar com a notícia do diagnóstico. Receber o tratamento adequado para a depressão pode ser muito importante para que a pessoa se sinta capaz de superar os desafios impostos pela doença de Parkinson. Outras alterações emocionais importantes, como medo, ansiedade e falta de motivação, também podem ocorrer no curso do tratamento de Parkinson e é fundamental conversar abertamente sobre esses sentimentos com a equipe médica.1,2

Dificuldades para mastigar e engolir:

em estágios avançados da doença de Parkinson, músculos e nervos da região da boca podem ser afetados, o que torna mesmo difícil o ato de mastigar e engolir (ainda que só saliva). Nesses casos, é preciso buscar acompanhamento médico porque essas complicações podem levar a engasgos e subnutrição.1,2

Distúrbios do sono:

não é raro que a doença de Parkinson seja associada a problemas para dormir, pode ser que a pessoa acorde muitas vezes durante a noite, sofra de insônia ou mesmo que acabe cochilando durante o dia. Algumas terapias e medicamentos são capazes de melhorar a qualidade do sono dessas pessoas.1,2

Problemas na bexiga:

podem ocorrer, como complicação da doença de Parkinson, problemas para controlar a urina, vontade constante de ir ao banheiro ou ainda dificuldades para urinar.1,2

Constipação:

muitas pessoas com Parkinson notam dificuldades para evacuar, isso ocorre principalmente por conta do sistema digestivo que também pode ficar mais lento.1,2

Alterações na pressão arterial:

é possível que a pessoa sinta tonturas ao se levantar repentinamente por conta da queda de pressão (hipotensão ortostática).1,2

Disfunções no olfato:

a doença de Parkinson pode causar problemas no olfato, tornando mais difícil identificar ou diferenciar alguns cheiros.1,2

Dores:

não é raro que pessoas que convivem com a doença de Parkinson sintam dores pontuais ou espalhadas por todo o corpo. Medicamentos podem aliviar esses desconfortos.1,2

Disfunções sexuais:

algumas pessoas com Parkinson relatam baixa libido ou dificuldade para atingir um orgasmo.1 Fonte: patients sandoz.

sábado, 19 de setembro de 2026

Ser Cadeirante Júnior

180926 - Para ser cadeirante com “C” maiúsculo é preciso ter experiência, ou seja, ser um cadeirante sênior. Eu, como cadeirante júnior, tenho que relatar minha inexperiência, por isso júnior, nessa hierarquia.


Pensava eu, que a cadeira de rodas me daria liberdade. Deu, mas não tanto como imaginei que daria.


A princípio, um parkinsoniano como eu, deve ter duas cadeiras. Uma “manual” e uma elétrica. Elétrica para que acompanhe o Chico (um cãozinho Lhasa Apso) de +/- uns 6 anos, muito querido, achado abandonado no lago do Braço Morto, aqui em Imbé-RS.


Pensando em cadeira de rodas, pensei no Imbé, que fica no litoral norte gaúcho, local plano, próprio para cadeira de rodas. Só não contava com o pavimento...


Quebrei dois garfos na queda em buracos e desníveis do passeio. O lago Braço Morto é um antigo braço do Rio Tramandaí que, após a fixação da barra daquele, com o enrocamento, serviria como um pequeno porto de apoio aos navios petroleiros que descarregam petróleo destinado a Canoas, passando pelo Tedut, em Osório


Contornando o lago Braço Morto, tem um pequeno passeio pavimentado com blocos cimentados tipo Pavi-S ou em I. Desgastados pelo tempo. Sob o efeito de raízes que as desnivelam.


A escolha da cadeira é um passo importante. Deve ser leve (a minha tem 34kg) e facilmente transportável.


A segunda cadeira é para quando a elétrica estiver carregando, em manutenção ou quando tiver que sair de carro, pelo peso da outra que é quase impossível colocá-la ou tirá-la do porta-malas do carro.

Primeira lição cadeira boa é a leve que tu vais usar mais.

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

"Aproximamo-nos da erradicação definitiva" da Parkinson: quão perto estamos da solução segundo a comunidade científica?

170926 - Durante a mais recente edição dos Emmys, Michael J. Fox subiu ao palco e fez um discurso inspirador sobre a Parkinson. Estamos mesmo perto da "erradicação definitiva" da doença?

Já sabemos que noite de Emmys significa looks de red carpet incríveis e, claro, este ano não foi uma exceção, muito graças a estrelas como Zendaya, Selena Gomez ou Nicole Kidman. É também uma noite de prémios e o mais importante da noite chegou às mãos de Michael J. Fox.

Durante a cerimónia, o ator conhecido pelo seu papel como Marty McFly, na trilogia Regresso ao Futuro, recebeu o Prémio Humanitário Bob Hope, um reconhecimento pelas suas décadas de trabalho através da Fundação Michael J. Fox.

Para aceitar a distinção, o ator fez um discurso que está a emocionar a internet e em que começou por falar sobre o homem que deu o nome ao prémio descrevendo-o como "mais do que um artista" e um "exemplo".


"Quando as coisas começam a ficar difíceis, é preciso estar presente, ajudar e, se conseguires acrescentar um pouco de alegria enquanto o fazes, é para saberes que fica ainda melhor", acrescentou.

É, no entanto, outra parte do discurso que está a causar mais reações. Michael aproveitou o momento para falar sobre a doença com que foi diagnosticado em 1991 quando tinha apenas 29 anos: Parkinson.

Confessou que manteve o diagnóstico em segredo no início. Tinha receio que afetasse o seu trabalho e a sua relação com o público. Quando o partilhou, em 1998, acabou por ficar "impressionado com o apoio".

"Compreendi que aceitar a doença de Parkinson não significava que tivesse de me render a ela. Significava apenas fazer tudo o que pudesse pelas pessoas que vivem com esta doença. Por isso, decidi defender as necessidades dos doentes", continuou. E, em 2000, criou a sua fundação objetivo ajudar a financiar investigações sobre a doença.

"Encontrei pessoas brilhantes para liderarem este esforço comigo e comprometi-me a financiar a melhor investigação científica do mundo. Sinto-me orgulhoso dos progressos que alcançámos em benefício dos doentes com Parkinson e das suas famílias, à medida que nos aproximamos da erradicação definitiva desta doença."

"Estou profundamente grato à nossa equipa, aos doadores, aos investigadores e, acima de tudo, à comunidade de doentes que torna possível o nosso trabalho na Fundação Michael J. Fox", concluiu.

Estamos mesmo a aproximar-nos da erradicação definitiva desta doença?

No ano passado, num artigo partilhado com a VERSA, Ana Graça Velon, médica neurologista, explicou que ainda "não há nenhum medicamento capaz de atrasar ou reverter" a Parkinson.

É, no entanto, uma "área que tem merecido maior interesse de investigação" e existem "novos fármacos e administrações inovadoras".

Por exemplo, em Portugal, "estão disponíveis vários fármacos para tratar os sintomas motores e não motores". Neste caso, "o medicamento mais eficaz é a levodopa, mas há várias categorias farmacológicas possíveis, que se utilizam habitualmente em combinação", acrescenta.

Joana Damásio, neurologista e presidente da Sociedade Portuguesa das Doenças do Movimento, explicou a situação de uma forma semelhante num artigo que escreveu para a VERSA, acrescentando que em fases mais avançadas da doença "podem ser consideradas outras abordagens, como sistemas de perfusão contínua de medicação (subcutânea ou intestinal) ou a cirurgia de estimulação cerebral profunda".

Para além disto, "o exercício físico regular, fisioterapia, terapia da fala, terapia ocupacional e apoio psicológico desempenham um papel fundamental, sobretudo na gestão dos sintomas não motores e manutenção da autonomia". Fonte: versa iol.