quarta-feira, 27 de setembro de 2023

Lipossomas direcionados ao cérebro carregados com anticorpos monoclonais reduzem a agregação de alfa-sinucleína e melhoram os sintomas comportamentais da doença de Parkinson

27 September 2023 - Resumo

Os anticorpos monoclonais (mAbs) são promissores para o tratamento da doença de Parkinson (DP), mas seu uso terapêutico é prejudicado pela fraca entrega ao cérebro. Neste estudo, demonstramos que os lipossomos direcionados ao cérebro (BTL) aumentam a entrega de mAbs através da barreira do céu sanguíneo (BBB) e em neurônios, melhorando assim o tratamento intracelular e extracelular do cérebro da DP. O BTL foi decorado com transferrina para melhorar o direcionamento cerebral através de receptores transferrin superexpressos no BBB durante a DP. O BTL foi carregado com syn 04, um mAb que inibe a agregação alfa-sinucleína (AS), uma marca patológica da DP. Mostramos que os modelos BBB humanos de 100 nm BTL cruzam intactos e foram adotados por neurônios primários. Dentro dos neurônios, o sino4 é liberado das nanopartículas e se liga ao seu alvo, reduzindo assim como agregação e aumentando a viabilidade neuronal. In-vivo, a administração intravenosa de BTL levou a um aumento de 7 vezes de mAbs nas células cerebrais, reduzindo como agregação e neuroinflamação. Além disso, os tratamentos BTL melhoraram a função motora comportamental e a capacidade de aprendizado em camundongos, com um perfil de segurança favorável. Nanotecnologias direcionadas são plataformas promissoras para fornecer medicamentos para tratar a neurodegeneração cerebral. Original em inglês, tradução Google, revisão Hugo. Fonte: Wiley.

Pacientes internados com doença de Parkinson em risco devido à falta de controle do horário da medicação

2023, 26 September - Um em cada quatro hospitais do NHS não permite que os pacientes internados com doença de Parkinson controlem a sua medicação e quase metade não fornece formação aos seus funcionários sobre medicação de tempo crítico, mostra um novo relatório da instituição de caridade Parkinson's UK.

Every Minute Counts é um resumo da auditoria de 2022 sobre cuidados para pessoas com doença de Parkinson. Constatou-se que 58% das pessoas com doença de Parkinson internadas no hospital não recebiam sempre os seus medicamentos atentamente, um número que pouco mudou desde 2015. Não havia nenhuma política que permitisse aos doentes internados com doença de Parkinson administrar os seus próprios medicamentos em 25% dos trusts, 48% não tinham pessoal treinado em medicação de tempo crítico e 42% dos trusts com prescrição eletrônica não o utilizavam para verificar o horário da medicação.

O relatório faz seis recomendações sobre a melhoria da formação, o desenvolvimento de uma política de medicação e a optimização do potencial da prescrição electrónica. Original em inglês, tradução Google, revisão Hugo. Fonte: Wiley.

Previsão de síndromes intestinais e doença de Parkinson

27 September 2023 - Gut syndromes and Parkinson disease prediction.

Onda de estudos promissores abre avenida para tratamento do Parkinson

Anunciam-se avanços com transplante de células-tronco, edição genética, imunoterapia e métodos menos invasivos para estimulação cerebral, como o ultrassom 

26 de setembro de 2023 - A doença de Parkinson, descrita e batizada em 1817 a partir do nome do neurologista que a definiu, James Parkinson (1755-1824), ganhou recentemente muita visibilidade. A atenção ao distúrbio — antes conhecido como “paralisia agitante” — brotou da condição do ator Mi­chael J. Fox, o astro da adorável franquia De Volta Para o Futuro, que vive com o problema desde os 29 anos — ele tem agora 62 anos. Fox, sem medo de se exibir publicamente com os tremores, força muscular reduzida e tronco ligeiramente curvado, ajuda a reduzir tabus. Mostrou-se por inteiro na série Still: Ainda Sou Michael J. Fox, na Apple TV+, e avisou: “Não se morre de Parkinson — a gente morre com o Parkinson”.

A postura corajosa do ator ilumina o atual momento das investigações em torno do Parkinson, a segunda doença neurodegenerativa mais comum do mundo, depois do Alzheimer, mas que nunca teve tratamentos eficazes aprovados, em eterno desafio. Hoje, porém, pode-se dizer que, dada as dificuldades de antes, o Parkinson está de volta para o futuro.

Neste ano, uma ampla gama de estudos promissores tem despontado nas principais publicações científicas do mundo. Anunciam-se avanços com tratamento apoiado no transplante de células-tronco, na edição genética, na imunoterapia e em métodos menos invasivos para estimulação cerebral, como o ultrassom. É um dos mais interessantes movimentos da medicina hoje — e ele merece ser visto de perto.

Em uma parte profunda do cérebro, sabe-se que a doença se espraia e ganha as células nervosas produtoras de dopamina, conhecida como hormônio da felicidade, e que também atua na coordenação dos movimentos. Com a morte desses neurônios, os tremores alternados com quadros de rigidez se instalam. Embora o mecanismo seja conhecido, o nó sempre foi alcançar o controle. Uma das apostas anunciadas em 2023 foi a realização do primeiro de oito transplantes de neurônios atrelados ao uso de células-tron­co por pesquisadores da Universidade de Lund, na Suécia. Os ensaios estão sendo conduzidos em pessoas com estágio moderado e diagnosticadas há, ao menos, dez anos. A proposta da técnica é de que as células transplantadas amadureçam e se tornem neurônios saudáveis e capazes de produzir o neurotransmissor.

Também na linha das células-tronco, a empresa BlueRock Therapeutics vai apresentar na próxima semana, durante o congresso da Sociedade Internacional de Parkinson e Distúrbios do Movimento (MDS, na sigla em inglês), o detalhamento de um ensaio de fase 1 com doze pacientes que já apontou tolerabilidade e segurança ao longo de um ano da terapia experimental. “Nosso objetivo é restaurar a funcionalidade e até reverter a doença, que é assustadora e devastadora”, afirma Seth Ettenberg, presidente da companhia americana.

As esperanças brotam

Um recente estudo publicado no periódico Neuron identificou o intestino como ponto de partida da condição. O achado é vital, por representar atalho para futuros tratamentos. “Temos muitos alvos, a grande promessa é encontrar a terapia modificadora da doença, capaz de tornar mais lenta e parar ou reverter o curso”, diz Rafael Bernhart Carra, neurologista do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo. Na linha dos métodos menos invasivos, um estudo com 94 pacientes com a doença, tratados com ultrassom focalizado no cérebro, mostrou redução dos sintomas em 70% dos casos e dois terços sustentaram os resultados por um ano. Em caminho semelhante, já se testou também a estimulação cerebral não invasiva — e ela melhorou a marcha dos pacientes. No Brasil, há abordagens sobre o diagnóstico na tentativa de usar o recurso do plasma de sangue, proposta da Unicamp e da Federal de São Carlos (UFSCar). São caminhos para tentar devolver aos pacientes o precioso controle do próprio corpo. E lá na frente, quando for realmente possível controlar o Parkinson, lembraremos com delicadeza da avenida aberta por Michael J. Fox. Fonte: CCB.

terça-feira, 26 de setembro de 2023

Cápsulas inteligentes: o futuro do diagnóstico e monitoramento da saúde intestinal?

Sep 26 2023 - Numa revisão recente publicada na revista Gut, os investigadores discutiram a utilização de cápsulas inteligentes e robóticas para amostragem e detecção do intestino. Eles descreveram os benefícios e limitações destes dispositivos miniaturizados, ao mesmo tempo que identificaram as suas aplicações potenciais na medicina personalizada, na dieta e no diagnóstico precoce de várias doenças intestinais crónicas, incluindo o cancro.

Estudo: Cápsulas inteligentes para detecção e amostragem do intestino: status, desafios e perspectivas. Crédito da imagem: SewCreamStudio/Shutterstock.com

Background

O trato gastrointestinal (GI) humano tem até nove metros de comprimento, com quatro segmentos estrutural e funcionalmente distintos, nomeadamente o esôfago, o estômago, o intestino delgado e o intestino grosso. O trato é colonizado por diversas bactérias, fungos e archaea, uma coleção de cerca de 1.013 microrganismos. A microbiota intestinal fermenta as fibras, fornece nutrientes essenciais e é agora conhecida por ser um marcador de saúde.

É relatado que a disbiose desses organismos está associada à inflamação, envelhecimento, bem como a doenças como diabetes, obesidade, doenças metabólicas, disfunção arterial e câncer. A coleta de amostras fecais é o método não invasivo mais comum empregado para estudar a microbiota intestinal.

No entanto, a amostra coletada de fezes pode não descrever com precisão a microflora do local da doença, faltando assim informações espaço-temporais importantes. As biópsias podem não ser métodos confiáveis para amostragem de microrganismos e são limitadas pelos riscos do procedimento.

Desde o advento dos endoscópios de cápsulas minúsculas e ingeríveis no início dos anos 2000, a nossa compreensão do intestino, da microflora associada e das suas ligações com a saúde geral melhorou muito. Esta revisão centra-se nos últimos avanços em detecção e amostragem intestinal e no seu papel potencial no diagnóstico e tratamento de doenças e na monitorização da saúde.

Cápsulas inteligentes para detecção intestinal

Embora o diagnóstico de doenças relacionadas ao intestino na era anterior dependesse amplamente do uso de raios X, endoscopia e cirurgia, o campo progrediu gradualmente para o uso de cápsulas engolidas com cerca de 3 cm x 1 cm de tamanho, que podiam transmitir informações no pH, temperatura e pressão do intestino. Esses dispositivos evoluíram muito desde então, superando os desafios relacionados ao seu movimento dentro do intestino, bem como aos seus efeitos adversos.

Os endoscópios de cápsulas inteligentes disponíveis comercialmente podem transmitir imagens do revestimento intestinal, encontrando aplicações clínicas em detecção, administração de medicamentos e monitoramento de doenças intestinais. Cápsulas inteligentes, incluindo a cápsula Bravo reflex, a cápsula alphaOne e a cápsula Heidelberg pH, têm sido usadas para medir o pH de várias seções do trato gastrointestinal. Cápsulas inteligentes como eCelsius e myTemp podem ser usadas para medir continuamente a temperatura central do intestino, especialmente em atletas durante o exercício, o que não é possível convencionalmente.

A medição das forças peristálticas (que também governam o movimento in vivo das cápsulas) é facilmente possível utilizando estes dispositivos. As cápsulas SmartPill e Bravo têm sido usadas para medir a pressão e o tempo de trânsito dos alimentos dentro do intestino para detectar condições como prisão de ventre, acalasia e dismotilidade. A cápsula de gás Atmo foi testada em humanos por sua capacidade de medir gases e identificar a origem da geração de gases dentro do intestino.

Cápsulas robóticas para amostragem intestinal

Apesar desses benefícios, as imagens inteligentes baseadas em cápsulas não capturam a riqueza de informações disponíveis no intestino humano. As cápsulas robóticas abordam essa lacuna, permitindo a coleta de amostras na forma de tecidos e/ou fluidos e permitindo seu exame detalhado pós-recuperação.

Cápsulas robóticas, equipadas com lâminas e lâminas de barbear em designs cilíndricos, baseados em farpas, baseados em tesouras e baseados em ímãs, têm sido usadas para coletar pequenas amostras de tecido por meio de biópsia da parede intestinal, proporcionando uma vantagem sobre os dispositivos tradicionais amarrados.

Além disso, cápsulas robóticas podem ser projetadas para extrair amostras de conteúdo do intestino na forma de fluidos, muco, microflora e esfoliantes. Vários desses designs foram patenteados desde 1957.

Protótipos laboratoriais e comerciais

Três tipos de protótipos de laboratório são descritos na literatura: passivos, ativos e dinâmicos. As cápsulas passivas podem ser osmóticas ou à base de gelatina; seu revestimento se dissolve ao entrar em contato com o fluido alvo no lúmen intestinal. No entanto, eles são limitados por um tempo de amostragem mais longo e pela falta de controle no intestino.

As cápsulas de amostragem ativas utilizam sistemas microeletromecânicos (MEMS) que acionam o processo de amostragem no local alvo. Eles podem ser baseados em motor, sucção a vácuo ou atuação magnética em seu mecanismo de ação. Enquanto as cápsulas ativas e passivas coletam amostras do conteúdo do lúmen intestinal, as cápsulas dinâmicas também podem coletar amostras da parede intestinal.

Embora as cápsulas dinâmicas possam raspar e extrair amostras microbianas da camada mucosa, um local anteriormente inexplorado, ainda não foram realizados ensaios in vivo para avaliar a sua eficácia.

Perspectivas futuras

Cápsulas inteligentes e robóticas permitiram medições minimamente invasivas, rápidas e precisas de vários parâmetros intestinais. No entanto, cápsulas multitarefa que podem detectar e coletar amostras de vários locais e medir vários parâmetros intestinais em uma única execução ainda precisam ser desenvolvidas e testadas. Além disso, a localização automática do local alvo e o funcionamento de forma independente são características desejáveis que poderiam ser introduzidas nestas cápsulas. O desenvolvimento de opções de baixo custo e a facilitação do seu funcionamento através de computadores e da Internet poderiam reduzir os encargos com os cuidados de saúde associados à utilização destes dispositivos em instalações médicas e em ambientes domésticos.

Em conclusão, o desenvolvimento de cápsulas ingeríveis avançadas no futuro para detecção e amostragem do intestino poderia ajudar no diagnóstico precoce de doenças, permitindo ao mesmo tempo uma monitorização fácil da saúde dos pacientes, melhorando assim os resultados clínicos. Original em inglês, tradução Google, revisão Hugo. Fonte: News-medical.

O futuro do tratamento da doença de Parkinson com dispositivos vestíveis inovadores: Alistair Macett, MD

Sep 24, 2023 - The Future of Parkinson Disease Treatment With Innovative Wearable Devices: Alistair Mackett, MD

Papel do microbioma intestinal, alfa sinucleína no estágio prodrômico da doença de Parkinson

Sep 25, 2023 - A fase prodrômica da doença de Parkinson (DP) pode durar até 20 anos e é caracterizada por uma série de sintomas não motores que podem anteceder o início dos sintomas motores clássicos. Esses sintomas incluem constipação, hiposmia, possível distúrbio comportamental do sono REM, depressão, transtorno de ansiedade e comprometimento cognitivo. Os corpos de Lewy e as neurites de Lewy, considerados sinais neuropatológicos da doença, espalham-se por todo o cérebro seguindo um padrão predeterminado.

Visar a fase prodrômica das doenças neurodegenerativas não é um conceito novo, proporcionando teoricamente uma oportunidade para o tratamento neuroprotetor precoce e limitando a propagação da patologia específica da doença e a subsequente morte neuronal. Na recém-concluída Reunião Anual da American Neurological Association (ANA) de 2023, realizada de 9 a 12 de setembro, na Filadélfia, Pensilvânia, Virginia Gao, PhD, participou de uma sessão que abordou doenças neurológicas prodrômicas e as oportunidades de detecção e tratamento precoces.

Gao, pesquisador de distúrbios do movimento na Weill Cornell Medicine, está atualmente conduzindo pesquisas no laboratório de Jacqueline Burré sobre as alterações bioquímicas subjacentes à patologia da DP no sistema nervoso central e entérico. Na reunião, Gao conversou com o NeurologyLive® para discutir sua apresentação e como certos biomarcadores são anteriores às doenças neurodegenerativas. Ela falou sobre o papel do microbioma intestinal e como ele pode ser considerado um “segundo cérebro”, bem como por que a alfa-sinucleína representa um caminho tão promissor para a pesquisa.

NeurologyLive®: Você pode fornecer uma visão geral de sua apresentação e explicar por que este tópico lhe interessa?

Virginia Gao, PhD: Atualmente estou estudando a doença de Parkinson, focando especificamente na conexão entre o intestino e o cérebro no Parkinson. A patologia dos corpos de Lewy, que é uma marca registrada do Parkinson, é frequentemente encontrada tanto no cérebro quanto no intestino. Curiosamente, alguns indivíduos apresentam sintomas prodrômicos relacionados ao intestino, como constipação e saciedade precoce, muitos anos antes de apresentarem sintomas motores, que são necessários para um diagnóstico formal. Nossa abordagem de pesquisa tem dois objetivos principais. Primeiro, pretendemos compreender melhor a doença estudando a sua fisiopatologia no intestino. Em segundo lugar, exploramos se o intestino pode ser um caminho potencial para o diagnóstico precoce e tratamento direcionado. Nosso foco principal é a alfa sinucleína, uma proteína associada ao Parkinson. Desempenha um papel crítico porque é um componente importante dos corpos de Lewy e, em casos raros, está ligado a formas familiares da doença. Estamos particularmente interessados na função fisiológica menos estudada da alfa sinucleína, que é expressa em todos os neurônios pré-sinápticos e desempenha um papel crucial na neurotransmissão. Nossa pesquisa investiga as primeiras alterações na alfa sinucleína e se essas alterações ocorrem tanto no intestino quanto no cérebro, potencialmente espelhando-se umas às outras. Os resultados preliminares sugerem que podemos detectar essas mudanças precocemente.

Como a alfa-sinucleína pode se tornar mais comumente usada no diagnóstico clínico da doença de Parkinson?

Atualmente, a Doença de Parkinson é diagnosticada clinicamente, mas há um interesse crescente no desenvolvimento de uma definição biológica utilizando biomarcadores, à semelhança do que tem sido feito na investigação da doença de Alzheimer. Embora os biomarcadores de alfa sinucleína ainda não estejam integrados na prática clínica, eles são inestimáveis para o avanço da investigação. Prevemos que, com o tempo, o papel dos biomarcadores de alfa sinucleína no diagnóstico de Parkinson evoluirá.

De que forma os biomarcadores podem melhorar o diagnóstico dos pacientes?

Vários biomarcadores periféricos para alfa sinucleína estão surgindo, incluindo aqueles de líquido cefalorraquidiano, pele e até mesmo amostras de sangue. No entanto, o que realmente precisamos são de biomarcadores preditivos e de progressão da doença. A sensibilidade e a especificidade destes biomarcadores irão melhorar e novos candidatos mostram-se promissores. Atualmente, esses biomarcadores não são amplamente utilizados para o Parkinson, mas possuem um potencial significativo.

Qual é a viabilidade do uso da alfa sinucleína como biomarcador confiável para a doença de Parkinson?

Vários fatores devem estar alinhados para que a alfa-sinucleína se torne um biomarcador confiável para a doença de Parkinson. Os avanços científicos, a validação de biomarcadores para fins clínicos e de investigação e as mudanças políticas fazem parte da equação. Estão a ser feitos progressos e as barreiras estão a ser gradualmente eliminadas, mas ainda há muito trabalho a fazer.

Como determinamos a eficácia dos biomarcadores?

Identificar biomarcadores eficazes é crucial. Exigimos biomarcadores que prevejam quem está em risco de desenvolver a doença, biomarcadores que possam medir com precisão as respostas ao tratamento em ensaios clínicos e, em última análise, estes biomarcadores necessitam de validação para potenciais tratamentos modificadores da doença. A eficácia dos biomarcadores dependerá da sua capacidade de cumprir estas funções.

Como determinamos a eficácia dos biomarcadores?

Identificar biomarcadores eficazes é crucial. Exigimos biomarcadores que prevejam quem está em risco de desenvolver a doença, biomarcadores que possam medir com precisão as respostas ao tratamento em ensaios clínicos e, em última análise, estes biomarcadores necessitam de validação para potenciais tratamentos modificadores da doença. A eficácia dos biomarcadores dependerá da sua capacidade de cumprir estas funções.

Qual é a importância de identificar e tratar pacientes no estágio prodrômico?

Reconhecer os sintomas prodrômicos do Parkinson, como sintomas não motores, como perda do olfato, comportamento do sono REM e vários problemas gastrointestinais e autonômicos, é vital. Esses sintomas podem se manifestar anos antes dos sintomas motores e servir como indicadores precoces da doença. Identificar e tratar indivíduos na fase prodrômica é essencial para avançar na compreensão e no manejo da doença de Parkinson. Original em inglês, tradução Google, revisão Hugo. Fonte: Neurologylive.

Parar a progressão da doença

260923 - O Parkinson é uma doença progressiva, o que significa que com o tempo os sintomas vão piorar. Portanto, o primeiro e mais crítico passo em qualquer cura para o Parkinson é encontrar um tratamento que retarde ou interrompa a progressão da doença.

A perda progressiva de neurônios dopaminérgicos no cérebro é uma das marcas do Parkinson. Não se sabe exatamente por que estas células específicas são vulneráveis à doença de Parkinson, mas a consciência da sua perda forneceu um ponto focal para os nossos esforços de investigação.

Numerosos estudos pré-clínicos em modelos laboratoriais da doença de Parkinson apontaram para certas vias biológicas nas células que podem ser alvo; e estes projetos levaram ao início de ensaios clínicos do Cure Parkinson’s com o objetivo de impedir a progressão da doença.

Um exemplo deste tipo de abordagem direcionada envolve melhorar a função celular, e pesquisas pré-clínicas significativas baseadas em laboratório mostraram que aumentar a função dos pequenos “pacotes de energia” dentro das células chamadas mitocôndrias pode ajudar as células a sobreviver. Cure Parkinson’s tem vários programas de ensaios clínicos dedicados a abordagens direcionadas às mitocôndrias. Um exemplo disso é o estudo UDCA no Parkinson UP. O UDCA é um tratamento usado para dissolver cálculos biliares, mas recentemente pesquisadores descobriram que ele também possui propriedades neuroprotetoras em modelos de Parkinson. A Cure Parkinson’s está cofinanciando o estudo UP para determinar se o UDCA poderia ser um tratamento neuroprotetor útil para o Parkinson.

Um futuro tratamento potencial para interromper a doença é um novo medicamento chamado Anle138b, que está sendo desenvolvido pela empresa de biotecnologia MODAG. Anle138b é uma pequena molécula que pode inibir o agrupamento da alfa-sinucleína associada ao Parkinson.

Cure Parkinson’s financiou pesquisas pré-clínicas sobre Anle138b, e esta molécula foi priorizada pelo comitê International Linked Clinical Trials. A Cure Parkinson’s está agora trabalhando em estreita colaboração com a MODAG para colocar o Anle138b na fase 2 do ensaio clínico para Parkinson.

O ensaio clínico MODAG Anle138b

A genética do Parkinson nos forneceu informações sobre a biologia subjacente da doença. Agora entendemos mais sobre os processos biológicos associados aos fatores de risco genéticos, e tratamentos experimentais foram desenvolvidos para abordá-los.

Estes novos tratamentos estão a ser testados clinicamente para ver se terão efeitos benéficos não apenas para indivíduos portadores de certos factores de risco genéticos, mas também para a comunidade mais ampla de Parkinson. Original em inglês, tradução Google, revisão Hugo. Fonte: Cure Parkinson´s.

Um novo biomarcador poderia ajudar a diagnosticar precocemente o Parkinson e condições relacionadas?

 September 25, 2023 - Could a new biomarker help diagnose Parkinson's and related conditions early?

Um novo gatilho para Parkinson foi encontrado – e começa muito antes do que se pensava

 Um novo gatilho para Parkinson foi encontrado – e começa muito antes do que se pensava

set 25, 2023 - O difícil trabalho de tentar compreender a doença de Parkinson continua, com um novo estudo mostrando que a doença pode ser desencadeada mais cedo do que se pensava anteriormente.

Pesquisadores dos EUA e do Canadá analisaram neurônios de pacientes com Parkinson, descobrindo um culpado até então desconhecido para os sintomas da doença que podem começar antes de qualquer um dos outros.

Esse gatilho é um mau funcionamento nas sinapses (ou conexões) entre os neurônios que gerenciam a produção de dopamina, levando subsequentemente a um acúmulo tóxico da substância química que pode então causar o dano neuronal dopaminérgico que caracteriza o Parkinson.

“Mostramos que as sinapses dopaminérgicas tornam-se disfuncionais antes que ocorra a morte neuronal”, diz o neurocientista Dimitri Krainc, da Universidade Northwestern, nos EUA.

“Com base nessas descobertas, levantamos a hipótese de que direcionar as sinapses disfuncionais antes da degeneração dos neurônios pode representar uma estratégia terapêutica melhor”.

Os cientistas estudaram os danos aos neurônios e às sinapses em pacientes com Parkinson. (Song et al., Neuron, 2023)

O consenso existente é que problemas na forma como as mitocôndrias desgastadas são recicladas no cérebro – um processo tecnicamente conhecido como mitofagia – estão causando a perda de neurônios que leva à doença de Parkinson e aos sintomas (como tremores) associados a ela.

Dois genes, Parkin e PINK1, são responsáveis ​​pela mitofagia, e foi previamente estabelecido que mutações nestes genes que os impedem de fazer o seu trabalho adequadamente significam um risco muito maior de desenvolver Parkinson.

A nova pesquisa acrescenta a esse conhecimento, destacando as mutações em Parkin como sendo responsáveis ​​pela disfunção especificamente nas sinapses. É um mecanismo que não conhecíamos antes e parece ser o primeiro sinal de que o Parkinson está se instalando.

Também ensina aos pesquisadores mais sobre como Parkin e PINK1 operam independentemente um do outro.

Incluídos nas amostras estavam neurônios de duas irmãs com Parkinson. Embora ambos tenham nascido sem o gene PINK1, apenas um deles carecia completamente do gene Parkin, o que significava que o diagnóstico da doença era um mistério.

“Deve haver uma perda completa de Parkin para causar a doença de Parkinson”, diz Krainc. “Então, por que a irmã com perda apenas parcial de Parkin contraiu a doença há mais de 30 anos?”

Esse mistério é explicado pela função até então desconhecida de Parkin no controle da liberação de dopamina através das sinapses, além do trabalho que também realiza na reciclagem de neurônios. Mais adiante, poderemos ser capazes de controlá-lo.

Mais de 10 milhões de pessoas em todo o mundo vivem com a doença de Parkinson, com 90.000 diagnósticos só nos EUA todos os anos. Espera-se que esses números aumentem à medida que as populações em todo o mundo continuam a envelhecer.

Tanto a descoberta do mecanismo como o seu aparecimento no cérebro antes de quaisquer outros potenciais desencadeadores serão cruciais na busca contínua de tratamentos para a doença de Parkinson, dizem os pesquisadores.

“Agora, precisamos desenvolver medicamentos”, diz Krainc, “que estimulem essa via, corrijam a disfunção sináptica e, esperançosamente, previnam a degeneração neuronal no Parkinson”. Fonte: Universoracionalista.

domingo, 24 de setembro de 2023

Futuro da terapia com anticorpos monoclonais na doença de Parkinson

2023 Jan, 30 - Recentemente, no New England Journal of Medicine (NEJM), foram publicados dois ensaios promissores de duas fases, Fase 2 Trial of Anti-alpha-Synuclein Antibody in Early Parkinson's Disease (PASADENA) e SPARK.1, 2 Dois anticorpos monoclonais ( mAbs), Prasenizumabe e Cinpanemabe, direcionados à alfa-sinucleína agregada (α-sinucleína) foram investigados como terapias modificadoras da doença de Parkinson com um desfecho primário semelhante (alterações basais na revisão patrocinada pela Movement Disorder Society da Unified Parkinson's Disease Rating Scale [ MDS-UPDRS] pontuação total). Eles também tiveram um desfecho secundário de neuroimagem semelhante, ou seja, tomografia computadorizada por emissão de fóton único (SPECT).1, 2

A doença de Parkinson (DP) é uma condição neurológica progressiva para a qual não existe tratamento reconhecido, mas existem terapias disponíveis para proporcionar alívio dos sintomas e manter a qualidade de vida. O objetivo dos estudos clínicos da DP deveria ser retardar o desenvolvimento de problemas motores que poderiam levar a dificuldades a longo prazo. No entanto, encontrar novas terapias multialvo com efeitos colaterais mínimos é um sério desafio, dado o aumento dramático nas taxas de incidência de DP em todo o mundo. 3

Os corpos de Lewy e as neurites de Lewy contêm quantidades significativas da proteína α-sinucleína. A proteína citoplasmática α-sinucleína, que é pequena e nativamente desdobrada e pode se dobrar para formar polímeros agregados, tem sido associada à fisiopatologia da DP. A proteína α-sinucleína é codificada pelo gene da sinucleína alfa (SNCA), e mutações genéticas raras neste gene causam DP, que é herdada pelo mecanismo autossômico dominante.4, 5 Estudos em camundongos transgênicos de α-sinucleína usando anticorpos monoclonais (passivo imunoterapia) revelam que anticorpos anti-sinucleína com maior afinidade relativa à região da proteína C-terminal moderaram a patologia neuronal, reduzindo o acúmulo intracelular de α-sinucleína em corpos celulares e sinapses, projetados para proteger contra perda sináptica e gliose, e melhorar motor e cognitivo comprometimento.6–8 Assim, o princípio baseia-se no fato de que a regulação dos corpos de Lewy e os mecanismos de depuração celular são aumentados principalmente pela terapia de agregação anti-sinucleína. 9

Observando os resultados encorajadores dos anticorpos monoclonais em ratos, os investigadores concentraram a sua atenção nos ensaios em humanos de diferentes mAbs dirigidos à α-sinucleína. Em um estudo multicêntrico, randomizado, duplo-cego, controlado por placebo, de múltiplas doses ascendentes, de fase 1b, um anticorpo monoclonal de imunoglobulina humanizada (Ig)G1 PRX002/RG7935 (PRX002), feito para atingir as formas neurotóxicas (agregadas) de α -sinucleína do terminal C, foi administrada entre pacientes com DP leve a moderada em oito locais de estudo nos Estados Unidos. As doses únicas e múltiplas de PRX002 demonstraram ligação de alta afinidade à α-sinucleína periférica. Da mesma forma, PRX002 teve um aumento dependente da dose no líquido cefalorraquidiano (LCR). Assim, pensa-se que os mAbs encontrados nas concentrações de LCR no cérebro causam agregação extracelular de α-sinucleína. Não houve fatalidades relatadas, efeitos adversos graves (EAs) ou anticorpos anti-PRX002. O ensaio PASADENA de fase 2 foi apoiado pelos perfis de segurança e tolerabilidade de todos os níveis de dosagem testados do PRX002. 10

Os resultados do ensaio de fase 2 eram altamente aguardados e os investigadores tinham a certeza de desbloquear a opção de tratamento de mAbs para DP com resultados favoráveis. No entanto, aconteceu o contrário. O ensaio de fase 2 do PASADENA, um ensaio clínico randomizado e controlado em três partes, examinou a segurança e eficácia de doses baixas (1.500 mg) e doses altas (4.500 mg). O estudo descobriu que a progressão de um ano da soma das pontuações nas partes I, II e III do MDS-UPDRS não teve diferença significativa quando comparada ao placebo. As reações à infusão foram os eventos adversos mais comumente relatados. Os participantes do grupo placebo que mudaram para Prasinezumab na parte 2 (coorte de início retardado) em comparação com a coorte de início precoce não notaram uma melhoria nas pontuações totais ou subpontuações do MDS-UPDRS. Isto mostrou que é improvável que o tratamento com Prasinezumab durante mais 48 semanas tenha qualquer efeito sobre os sintomas. A terapia com prasinezumabe também não mostrou efeito aparente na imagem SPECT com 123I-ioflupano. 1

Outro aguardado pelo resultado do ensaio foi o SPARK, que utilizou Cinpanemab, um mAb de origem humana. 2 Tal como o ensaio PASADENA, este ensaio não apoiou as conclusões dos estudos pré-clínicos. As concentrações de cinpanemab no soro e no LCR aumentaram de forma dependente da dose num estudo de fase 1 que examinou voluntários saudáveis e pessoas com DP, sem evidência de formação de anticorpos anti-cinpanemab. Da mesma forma, pode haver atividade biológica dose-dependente em pessoas com DP, com base na formação de complexos cinpanemabe-sinucleína no plasma. 11

Os efeitos do cinpanemabe nos indicadores clínicos de desenvolvimento da doença, como o MDS-UPDRS e alterações na imagem do Dopamine Transporter SPECT, ao longo de um período de 52 semanas foram semelhantes quando comparados ao grupo placebo no ensaio SPARK de fase 2, uma continuação do acima estudo de fase 1. 2 De acordo com os resultados destes dois ensaios, a utilização de um anticorpo direcionado ao terminal N como monoterapia para atingir a sinucleína extracelular pode não ser suficiente para limitar a progressão da doença.1.2

No seu editorial no NEJM, Alan Whone revisou as conclusões e colocou duas questões. A primeira foi que a pesquisa pré-clínica deu origem a falsas esperanças na comunidade da DP, e a segunda foi que erros do tipo II estavam sendo produzidos pelos nossos atuais desenhos de ensaios clínicos, o que nos impediu de demonstrar a modificação da doença na DP. A primeira razão é mais plausível para PASADENA e o ensaio SPARK, mas a última explicação ainda é possível. Isto implica a necessidade de medidas de resultados mais sofisticadas. Os resultados, acrescentou, foram “mais do que decepcionantes e definitivamente não tiveram implicações para a prática atual”. 12

Agora, os futuros ensaios com mAbs representam uma crise financeira, uma vez que as grandes empresas farmacêuticas hesitam em financiar o desenvolvimento de medicamentos com resultados negativos. Mas o patrocinador do PASADENA não foi desencorajado de iniciar um ensaio de fase 2b, apesar dos resultados desfavoráveis. 12 Enquanto isso, a Biogen anunciou que descontinuará o desenvolvimento do Cinpanemab. 13

Okun e Subramanian discutiram as causas do fracasso do estudo em uma postagem no blog Parkinson Secrets. Eles questionaram a precisão dos corpos de Lewy como alvos e a lenta atividade dos agregados de α-sinucleína no processo patogênico. As falhas presentes foram a falha na medição do LCR como biomarcador e a falta de avaliação do envolvimento do alvo. Eles também afirmaram que a patologia dos corpos de Lewy, que significa o fim da “α-sinucleína funcional”, precisa ser abordada. De acordo com Alberto Espay, da Universidade de Cincinnati, a patologia de Lewy é composta por “lápides de sinucleína monomérica solúvel, anteriormente normal”. Provavelmente será tarde demais quando as proteínas se polimerizarem em corpos de Lewy. Isto pode ajudar a esclarecer a(s) causa(s) da falha dos anticorpos monoclonais e das futuras pesquisas de vacinação. 14

De acordo com as evidências, que parecem ser conclusivas em sua totalidade, os anticorpos monoclonais não podem mais ser usados para tratar a DP precoce. Esperamos também que haja uma falha no desenho do ensaio, necessitando de um desenho de ensaio mais coerente e sofisticado, com medidas de resultados de envolvimento no ensaio durante mais tempo. Assim, o caminho dos anticorpos monoclonais para a DP é uma tarefa difícil, com menos evidências de apoio e interesse financeiro reduzido por parte das grandes empresas farmacêuticas. Porém, a excelência é uma característica do ser humano. Embora seja um beco sem saída, há sempre uma terra americana à espera de ser descoberta por Colombo. Original em inglês, tradução Google, revisão Hugo. Fonte: NCBI.


Doença de Parkinson: 5 novas terapias do futuro

24.09.2023 - Para além do tratamento clássico com dopamina, estão a ser desenvolvidos muitos caminhos inovadores contra esta doença neurodegenerativa, cujo número de casos deverá explodir nos próximos anos. Revisão dessas terapias do futuro.

O tratamento de ultrassom focado guiado por imagem ajuda a reduzir os tremores dos pacientes (aqui na Escola de Medicina da Universidade de Maryland, EUA). UNIVERSIDADE DE MARYLAND.

Este extrato de artigo foi retirado da revista mensal Sciences et Avenir - La Recherche n°919, de setembro de 2023.

Duzentos anos atrás, o Dr. James Parkinson (1755-1824) ofereceu descrições pioneiras de uma doença caracterizada por tremores, movimentos mais lentos e rigidez. Cinquenta anos após sua morte, o neurologista francês Jean-Martin Charcot batizou a doença em sua homenagem. Seria preciso mais meio século para que o neuropatologista russo Constantin Tretiakoff encontrasse a sua origem, em 1919: a destruição dos neurônios localizados na “substância negra” do cérebro, aqueles que sintetizam a dopamina, neurotransmissor essencial para o controle dos movimentos. Por fim, só na década de 1960 foi proposto o primeiro tratamento, a L-dopa, que consiste em compensar a perda de produção de dopamina através do fornecimento de medicamentos. Ainda são prescritos, mas sua eficácia dura apenas alguns anos e os sintomas retornam, tornando-se cada vez mais difíceis de controlar.

“Sabemos hoje que é possível retardar a neurodegeneração e, esperançosamente, pará-la num futuro próximo”, diz Maria Carrillo (p. 58), doutora em neurociências, chefe da Associação de Alzheimer, a principal organização voluntária de saúde do mundo dedicada para o cuidado, apoio e pesquisa da doença de Alzheimer. Depois de tantos anos de dúvidas, divagações e decepções, estaremos começando a escrever um novo capítulo, mais otimista, na história do manejo das doenças neurodegenerativas, principalmente o Alzheimer e o Parkinson? Em todo caso, é isso que sugere a grande pesquisa que oferecemos este mês. É preciso dizer que não é difícil progredir: até agora, os médicos simplesmente não tinham medicamentos eficazes para tratar os pacientes de Alzheimer e o tratamento padrão para o Parkinson, que remonta à década de 1960, perde eficácia com o tempo.

150 medicamentos estão sendo testados atualmente na doença de Alzheimer

A notícia da comercialização - por enquanto nos Estados Unidos - de dois medicamentos e em breve de um terceiro retardando o desenvolvimento da doença de Alzheimer traz esperança (p. 52). Principalmente porque valida a ideia de atacar os aglomerados de proteínas que se acumulam no cérebro dos pacientes. Até agora, esta abordagem não tinha levado a qualquer melhoria na vida quotidiana dos pacientes. A tal ponto que os pesquisadores estiveram prestes a abandoná-lo.

“Considerando a pesquisa sob outros ângulos”

Hoje, 150 tratamentos estão sendo testados. Então a esperança está aí. Ainda assim, para o neurologista Yves Agid, “devemos considerar a investigação sob outros ângulos” (p. 56) para irmos mais longe. Uma abordagem que, aliás, já foi adotada para o Parkinson. Cinco abordagens radicalmente novas que detalhamos para você (pág. 60) estão atualmente sendo avaliadas. Em particular, a injecção directa no cérebro da dopamina em falta tornou possível, num ensaio francês realizado em Lille, obter um virtual desaparecimento dos movimentos involuntários! Enquanto isso, cuidar da sua forma física e manter o seu cérebro continuam sendo as chaves para a prevenção (segue...). Original em francês, tradução Google, revisão Hugo. Fonte: Sciencesetavenir.

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Apiterapia, tratamento alternativo para doenças como Parkinson, esclerose múltipla ou lúpus

22/09/2023 - A apiterapia costuma ser chamada de terapia com produtos apícolas e envolve basicamente seu uso para tratar um amplo espectro de doenças e seus sintomas, bem como dores causadas por lesões agudas e crônicas. Ao mesmo tempo, existem vários produtos benéficos à saúde que são utilizados na apiterapia e incluem: pólen, erva, própolis, mel, geleia real e veneno de abelha.

A médica Vanessa Youness, que também praticou apiterapia durante o complexo e longo tratamento, que a ajudou a superar a esclerose múltipla, doença que sofria desde a adolescência, acredita que, por mais simples e trivial que pareça, este tratamento alternativo ajuda tanto as pessoas com condições relativamente leves e condições graves, como a doença de Parkinson, esclerose múltipla, doença de Alzheimer ou mesmo lúpus.

“Mesmo que no início da minha carreira eu considerasse muito trivial para ser usado como método de tratamento em uma clínica, com o tempo mudei radicalmente minha percepção sobre a apiterapia. Por mais simplista que seja o método, tão maravilhosos são os resultados obtidos. A apiterapia pode ser utilizada tanto no caso de quadros mais leves, como feridas, dores, queimaduras ou tendinites, quanto no caso de quadros graves, como artrite, herpes zoster, infecções ou ainda no caso de esclerose múltipla, uma doença de que sofri durante anos e que poderá destruir irreversivelmente a minha vida. Além disso, a apiterapia é excelente para fortalecer o sistema imunológico, principalmente neste período crítico em que realmente precisamos ter um corpo forte”, explica a Dra. Vanessa Youness.

Tratamento com veneno de abelha

 “O veneno de abelha contém compostos antiinflamatórios e inflamatórios, como enzimas, açúcares, minerais e aminoácidos. Assim, está comprovado cientificamente que a melitina – seu principal componente – suprime as vias inflamatórias e reduz os marcadores inflamatórios. Ao mesmo tempo, utilizamos tratamentos naturais com a ajuda do veneno de abelha para reduzir os sintomas relacionados à artrite, tratamento que consiste em acupuntura à base de veneno, 5-15 picadas a cada dois dias. Também obtivemos efeitos promissores no caso de pessoas com baixa imunidade, mas também no caso de pessoas que desenvolveram doenças autoimunes, como lúpus, encefalomielite e artrite reumatoide, ao reduzir a inflamação e fortalecer a resposta imunológica”, afirma a Dra. Vanessa Youness. Original em romeno, tradução Google, revisão Hugo. Fonte: Gradinadelegume.

Deputado quer uso de cordão com desenho de girassóis para identificar pessoas com deficiências

21/09/2023 - Proposta do parlamentar do Cidadania-SP garante o direito das pessoas com surdez, parkinson e insuficiência cardíaca e pulmonar a utilizarem, de forma prioritária, espaços públicos e privados; matéria será apreciada pelas Comissões da Alesp, dentro dos próximos dias

O deputado estadual Rafa Zimbaldi (Cidadania-SP) quer que o Estado insira um cordão de fita com ilustração de girassóis em placas de atendimento prioritário de locais públicos e privados. O desenho é símbolo nacional de identificação de pessoas com deficiências ocultas. O projeto de lei 1.346/2023, que trata da iniciativa, foi protocolado há poucas horas pelo parlamentar e deve ser apreciado pelas Comissões da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), dentro dos próximos dias.

A proposta de Rafa fortalece em território bandeirante o que já determina a lei federal 14.624/2023 (Estatuto da Pessoa com Deficiência) - oriunda de um projeto substitutivo de autoria do deputado federal Alex Manente (Cidadania-SP). A expectativa é que, após aprovação nas Comissões da Alesp, o texto seja votado em Plenário.

Na prática, com a lei estadual em vigor, os direitos das pessoas com deficiência oculta estarão ainda mais garantidos em São Paulo, beneficiando quem tem parkinson, autismo, surdez, insuficiência pulmonar e cardíaca e deficiências cognitivas graves. Por outro lado, Rafa explica que, o acessório que permitirá os acessos não vai substituir a apresentação de documento comprobatório de deficiência, quando solicitado:

"Este projeto de lei é fundamental para o estado de São Paulo, principalmente no transporte público, para que haja maior democratização dos assentos preferenciais, que já são destinados a pessoas com autismo, deficientes físicos e obesos, por exemplo. Nossa intenção é que locais públicos e privados tenham não só a nova identificação com os girassóis, mas, também, uma cultura de entendimento dessas doenças ocultas, que dificultam o dia a dia de milhares de pessoas em inúmeros ambientes da sociedade", argumenta o deputado.

O cordão com desenhos de girassóis já é usado como símbolo para deficiências ocultas em vários países do mundo e em alguns municípios brasileiros, segundo explica Rafa:

"O parkinson, a surdez e as insuficiências cardíaca e pulmonar são exemplos de deficiências ocultas que podem não ser percebidas de imediato, mas exigem atenção e suporte específico. Por conta dessa complexidade e urgência, é que estou propondo este projeto de lei, para que, aqueles que tenham essas deficiências, sejam melhor atendidos em ambientes públicos e privados".

O parlamentar reitera que é necessário chamar a atenção de toda a sociedade para as deficiências ocultas, uma vez que são pouco faladas e/ou discutidas:

"Nossa missão é facilitar o acesso de pessoas com deficiência a políticas públicas, oferecendo uma atenção especial, bem como atendimento humanizado e prioritário", defende Rafa. Fonte: Alesp.

Lactoferrina: neuroproteção contra a doença de Parkinson e molécula secundária para potencial tratamento

2023 Sep 5 - Resumo

A doença de Parkinson (DP) é a segunda doença neurodegenerativa mais comum e é causada em grande parte pela morte de células dopaminérgicas (DA). A perda de dopamina ocorre na substância negra pars compacta e leva a disfunções nas funções motoras. A morte das células DA pode ocorrer com estresse oxidativo e disfunção das células gliais causadas por mutações genéticas relacionadas ao Parkinson. A lactoferrina (Lf) é uma glicoproteína multifuncional geralmente conhecida pela sua presença no leite, mas pesquisas recentes mostram que a Lf também é encontrada nas regiões do cérebro. 1-Metil-4-fenil-1,2,3,6-tetrahidropiridina (MPTP) é uma toxina mitocondrial conhecida que perturba o sistema da cadeia de transporte de elétrons mitocondrial (ETC) e aumenta a taxa de espécies reativas de oxigênio. A alta afinidade do Lf por metais diminui o ferro necessário para a reação de Fenton, reduz o dano oxidativo às células DA causado pelo MPTP e aumenta sua taxa de vigilância. Vários estudos também investigaram o efeito do Lf em neurônios tratados com MPTP. Os resultados apontaram que o efeito protetor do Lf também pode ser observado sem a presença de estresse oxidativo; assim, vários mecanismos potenciais estão sendo pesquisados, começando com uma potencial interação HSPG-Lf na membrana celular das células DA. A presença de atividade Lf na região cerebral também mostrou que a lactoferrina inicia a transcitose mediada por receptores na barreira hematoencefálica (BHE) com a existência de receptores de lactoferrina nas células endoteliais. A existência de receptores Lf tanto nas células endoteliais quanto nas células DA criou a ideia de usar Lf como molécula secundária no transporte de agentes terapêuticos através da BBB, especialmente no desenvolvimento de nanopartículas. Original em inglês, tradução Google, revisão Hugo. Fonte: PubMed.

Empresa da Covilhã deteta enzima que pode travar doença de Parkinson

22 set 2023 - Uma empresa com sede na Covilhã está na fase de conclusão dos testes pré-clínicos de uma enzima responsável por produzir stress oxidativo que pode ser moldada para níveis que permitam evitar a progressão da doença de Parkinson.

A NeuroSoV tem contactos agendados com empresas da indústria farmacêutica a quem prevê vender a licença da molécula em que tem trabalhado, para que sejam feitos os ensaios clínicos e, se tudo correr como esperado, o candidato a medicamento possa ser disponibilizado no mercado, um processo moroso e dispendioso, salientou uma das cofundadoras da ‘spin-off’ da Universidade da Beira Interior (UBI), Dina Pereira.

“A ideia é a de os ensaios clínicos já serem feitos por uma indústria que nos compre a licença. Isto é o que vai acontecer”, acrescentou a doutorada em Engenharia e Gestão Industrial, que destacou as perspetivas muito promissoras e os contactos que têm tido por parte “de farmas”.

As previsões da responsável apontam para que esse processo se desenrole até ao primeiro trimestre de 2024.

A neurocientista Ana Clara Cristóvão, que há 17 anos investiga doenças neurodegenerativas, explicou à agência Lusa que a enzima detetada responsável por produzir stress oxidativo, e que na doença de Parkinson tem uma função patológica, porque contribui para a morte de neurónios produtores de neurotransmissores que ajudam no controlo motor, pode ser ajustada para níveis que evitem a progressão da patologia e permita que os doentes permaneçam no primeiro estádio da doença, com independência e tendo uma vida quase normal.

Os testes pré-clínicos, em que falta fazer os ensaios de segurança de longa duração, permitiram concluir, para já, com base na observação feita em ratos nos quais foi induzida a doença, que o tratamento com a molécula em investigação previne que os animais desenvolvam a disfunção motora que acontece normalmente na doença de Parkinson, enfatizou a cofundadora da NeuroSov, instalada no UBImedical, incubadora de empresas nas áreas da saúde e ciências da vida.

Ana Clara Cristóvão pormenorizou que o que existe no mercado ajuda os doentes a lidarem com os sintomas da doença, enquanto a molécula em que estão a trabalhar não pretende substituir essa solução, mas fazer com que os neurónios que ainda estão funcionais no doente permaneçam funcionais e vivos durante mais tempo, de maneira a responderem de forma mais eficaz às terapias que existem no mercado para os sintomas para a doença neurodegenerativa, ainda sem cura.

“As outras linhas de investigação estão muito focadas na correção de mutações genéticas que existem numa parte dos doentes de Parkinson. A nossa não, tem um alvo terapêutico generalista que controla diferentes mecanismos patológicos”, vincou, em declarações à agência Lusa, a professora auxiliar na Faculdade de Ciências da Saúde da UBI e investigadora no Centro de Investigação em Ciências da Saúde.

As responsáveis da NeuroSoV frisaram que a empresa não está vocacionada para a produção, mas para o desenvolvimento e investigação, e revelaram estarem a trabalhar na utilização de um método que permita também a prevenção dos processos oxidativos na Esclerose Lateral Amiotrófica e na doença de Alzheimer. Fonte: Sapo24.

Movendo-se, rápido e devagar: percepções comportamentais sobre a bradicinesia na doença de Parkinson

Friday, September 22, 2023 - Resumo

Os sintomas debilitantes da doença de Parkinson, incluindo a lentidão de movimento característica, denominada bradicinesia, foram descritos há mais de 100 anos. Apesar dos avanços significativos na elucidação das alterações genéticas, moleculares e neurobiológicas na doença de Parkinson, ainda não está claro conceitualmente por que exatamente os pacientes com doença de Parkinson se movem lentamente. Para resolver isso, resumimos as observações comportamentais da lentidão de movimento na doença de Parkinson e discutimos essas descobertas em uma estrutura comportamental de controle ideal. Neste enquadramento, os agentes optimizam o tempo necessário para reunir e colher recompensas, adaptando o seu vigor de movimento de acordo com a recompensa que está em jogo e o esforço que precisa de ser despendido. Assim, movimentos lentos podem ser favoráveis quando a recompensa é considerada pouco atraente ou o movimento é muito caro. Embora tenha sido relatada redução da sensibilidade à recompensa, que torna os pacientes menos inclinados a trabalhar por recompensa, na doença de Parkinson, isso parece estar relacionado principalmente a déficits motivacionais (apatia) e não à bradicinesia. O aumento da sensibilidade ao esforço foi proposto como subjacente à lentidão dos movimentos na doença de Parkinson. No entanto, observações comportamentais cuidadosas da bradicinesia são inconsistentes com cálculos anormais de custos de esforço devido a restrições de precisão ou gasto energético de movimento. Estas inconsistências podem ser resolvidas quando se considera que uma incapacidade geral para alternar entre estados de movimento estáveis e dinâmicos pode contribuir para um custo de esforço composto anormal relacionado ao movimento na doença de Parkinson. Isto pode explicar observações paradoxais, como o relaxamento anormalmente lento das contrações isométricas ou dificuldades em interromper um movimento na doença de Parkinson, sendo que ambos aumentam o gasto energético do movimento. Uma boa compreensão dos cálculos comportamentais anormais que medeiam o comprometimento motor na doença de Parkinson será vital para ligá-los à sua dinâmica neural subjacente em redes cerebrais distribuídas e para fundamentar futuros estudos experimentais em estruturas comportamentais bem definidas.

Introdução

A doença de Parkinson é um distúrbio neurodegenerativo comum definido clinicamente pela presença marcante de bradicinesia, ou seja, lentidão de movimentos, combinada com tremor, rigidez ou ambos.[1,2] A expressão clínica dos sintomas em pacientes individuais com doença de Parkinson é muito heterogênea, compreendendo problemas de marcha, disfunção autonômica, depressão, apatia, ansiedade e muito mais. Neurobiologicamente, vários sistemas neurais são afetados, principalmente os neurônios dopaminérgicos do mesencéfalo da substância negra pars compacta (SNc).[3] Embora não exista tratamento curativo, existem vários tratamentos sintomáticos clinicamente eficazes, incluindo medicamentos que restauram o neurotransmissor dopamina, estimulação elétrica dos gânglios da base, denominada estimulação cerebral profunda (DBS), e tratamentos não farmacológicos, como fisioterapia. Houve progresso significativo na elucidação de alterações moleculares, genéticas e neurobiológicas na doença de Parkinson.[1] No entanto, para vincular os resultados de técnicas experimentais cada vez mais sofisticadas, por um lado, e o comprometimento clínico dos pacientes, por outro, é necessário compreender melhor os déficits comportamentais dos pacientes com doença de Parkinson.[4] Em particular, precisamos compreender os cálculos comportamentais subjacentes a qualquer deficiência motora que desejamos melhorar. Nesta revisão, resumiremos as observações do sintoma característico da doença de Parkinson, a bradicinesia, e consideraremos essas observações em uma estrutura comportamental, tomando emprestados conceitos do controle ideal e da teoria da utilidade.[5–7] Em particular, discutiremos como as decisões ideais e os movimentos podem ser baseados em cálculos de recompensa e esforço e como isso pode dar errado na doença de Parkinson. (segue...) Original em inglês, tradução Google, revisão Hugo. Fonte: Medscape.

segunda-feira, 18 de setembro de 2023

8 maneiras de gerenciar alucinações e delírios

June 23, 2023 - Alucinações e delírios são sintomas da psicose da doença de Parkinson. Embora sintomas motores como tremores, rigidez muscular e movimentos lentos sejam a marca registrada da doença, entre 20% e 40% das pessoas também apresentam sintomas de psicose. Gerenciar alucinações (sentir algo que não existe) e delírios (pensamentos persistentes e ilógicos não baseados na realidade) pode ser mais desafiador do que controlar sintomas motores.

Se o seu ente querido com Parkinson está tendo alucinações e delírios, há uma série de intervenções que podem ajudar. Continue lendo para saber mais sobre medicamentos, mudanças em casa e outras maneiras pelas quais os cuidadores podem controlar alucinações e delírios.

Leia mais sobre como reconhecer a diferença entre alucinações e delírios.

1. Seja aberto e honesto com seu médico

Infelizmente, o medo, o constrangimento ou o estigma podem fazer com que as pessoas evitem partilhar os sintomas da psicose de Parkinson com os seus prestadores de cuidados de saúde. É importante informar o seu médico se você ou um ente querido tiver alucinações ou delírios, para que possa discutir possíveis soluções.

Identifique a causa

O seu médico pode ajudar a determinar a causa das alucinações e delírios. Eles podem ser causados por uma infecção, como uma infecção do trato urinário, ou podem ser um efeito colateral de um tratamento para um problema de saúde não relacionado. Alucinações e delírios também podem ser uma indicação de outra condição médica, como a demência com corpos de Lewy. A demência com corpos de Lewy é um distúrbio do movimento que pode ser difícil de distinguir da doença de Parkinson.

Trabalhe em equipe

Seja qual for a causa, seu médico pode recomendar tratamentos ou estratégias para ajudar você e sua família a lidar melhor com episódios de psicose. Um membro do MyParkinsonsTeam compartilhou dicas do médico de seu cônjuge: “De acordo com o neurologista dele, você deve sempre ser honesto. Seu neurologista o orienta a me ouvir porque estou zelando pelos seus melhores interesses e não vou mentir para ele sobre o que é real e o que não é. Ele parece satisfeito com isso.”

2. Considere mudanças na medicação

Nunca hesite em discutir os sintomas de psicose seus ou de seus entes queridos com sua equipe de saúde. Os medicamentos utilizados para tratar a doença de Parkinson são por vezes a causa da psicose de Parkinson. Adicionar um novo medicamento para Parkinson ou alterar a dosagem de um medicamento existente pode às vezes levar a alucinações ou delírios. Cada medicamento traz benefícios e riscos potenciais, e reduzir ou interromper os medicamentos pode levar a piores sintomas motores. O médico do seu ente querido pode ajudar a avaliar os riscos e benefícios enquanto você encontra um plano de tratamento que funciona bem. Isso pode levar alguns meses e talvez você precise ser paciente.

Leia mais sobre as opções de tratamento para a psicose de Parkinson.

3. Permaneça calmo e paciente

Pode ser difícil saber como responder a uma alucinação ou delírio enquanto ela está acontecendo. Um membro descreveu uma amiga com delírios: “Ela acreditava que até 10 crianças vêm e ficam em sua casa e ela é responsável por cuidar delas. Eu não sabia se deveria dizer a ela que eles não eram reais ou apenas concordar com ela.”

A resposta certa irá variar, dependendo da pessoa e das circunstâncias específicas. Em todos os casos, fazer o possível para manter a calma e a paciência ajudará muito a administrar a situação. Um membro explicou como seu cônjuge os apoiou durante uma alucinação perturbadora: “Outro dia tive uma alucinação assustadora sobre mosquitos no meu quarto, centenas deles. Minha esposa veio, segurou minha mão e deitou-se comigo.”

4. Explicar que uma alucinação não é real pode ajudar

Se uma pessoa vê coisas ou ouve vozes, mas tem insight, você pode explicar que a alucinação não é real. Um membro compartilhou esta estratégia ao ajudar seu cônjuge: “Eu apenas converso com ele sobre o que ele está vendo e depois mostro que não há nada ali. Nunca tento fingir que o que ele vê é real.”

Outro cuidador escreveu: “Se as alucinações dele ocorrerem durante o dia, direi que ele está tendo alucinações e pedirei que me mostre onde ou qual é o problema. Assim ele acaba vendo que não tem nada ali.”

5. Evite delírios desafiadores

Desafiar a realidade de uma pessoa durante um delírio não é recomendado. Faça o possível para manter a calma e oferecer palavras tranquilizadoras. Um membro do MyParkinsonsTeam compartilhou conselhos que recebeu sobre como cuidar de seu cônjuge: “Disseram-me para não discutir com ele ou tentar convencê-lo de que os delírios não são reais. Apenas convença-o com calma de que ele está seguro e não sofrerá nenhum dano.”

Você também pode fazer perguntas sobre o que a pessoa está vivenciando para ajudá-la a se sentir apoiada.

6. Distraia-se com uma mudança de cenário ou nova atividade

Se a pessoa perdeu a visão, talvez seja melhor não desafiar a sua realidade. Em vez disso, você pode oferecer uma distração, mudar para outro cômodo da casa ou iniciar uma nova atividade.

Um cuidador explicou: “Se for a meio da noite e ele quiser vestir-se e ir trabalhar, geralmente peço-lhe que venha sentar-se comigo primeiro para que eu possa dormir”.

7. Use estratégias para neutralizar a raiva

Às vezes, uma pessoa que sofre alucinações ou delírios fica irritada ou agressiva. As seguintes estratégias de enfrentamento podem ajudar a acalmar a situação:

Ofereça palavras tranquilizadoras, como “Você está seguro”.

Fale devagar, com um tom calmo.

Faça perguntas sobre os sentimentos da pessoa.

Ouça sem interromper.

Evite movimentos bruscos e dê espaço à pessoa para que ela não se sinta ameaçada.

Pense em um plano de emergência caso seu ente querido se torne um perigo para si mesmo ou para você e outras pessoas. O neurologista do seu familiar ou outros profissionais de saúde podem ajudá-lo a planejar com antecedência.

8. Faça mudanças domésticas para reduzir o risco

Fazer mudanças em casa pode reduzir a probabilidade de episódios psicóticos e ajudar a minimizar o perigo quando eles ocorrem.

Aumentar a iluminação

As alucinações visuais ocorrem frequentemente com pouca luz. Manter as luzes acesas, especialmente à noite, pode minimizar a chance de alucinações visuais.

Objetos Seguros

Às vezes, uma pessoa que sofre alucinações ou crenças falsas pode se comportar de maneira que cause danos a si mesma ou a outras pessoas. Considere proteger armas de fogo, facas de cozinha, ferramentas, chaves de carro e outros objetos que uma pessoa possa usar de forma insegura.

Controle de acesso

Membros do MyParkinsonsTeam relatam situações em que um ente querido tenta sair de casa durante um delírio. “Meu pai já passou por dois episódios (que conhecemos) em que ele se levantou, se vestiu e tentou sair de casa. Graças a Deus a dificuldade dele em abrir a porta da frente despertou minha mãe!” um membro compartilhou.

Dependendo das circunstâncias, pode ser apropriado controlar ou monitorizar a capacidade de uma pessoa sair de casa.

Encontrando suporte

Cuidar de um ente querido com Parkinson requer uma equipe. Se puder, procure a ajuda de outros familiares, amigos ou cuidadores profissionais para que a responsabilidade total não recaia sobre os ombros de uma pessoa.

Conectar-se com outros cuidadores através de grupos de apoio e no MyParkinsonsTeam pode ajudá-lo a encontrar compreensão e respostas para perguntas sobre o comportamento do seu ente querido. Buscar apoio é uma parte importante de cuidar de si mesmo ao cuidar de seu ente querido.

Leia mais sobre dicas de autocuidado para cuidadores de Parkinson.

Encontre sua equipe

Ao ingressar no MyParkinsonsTeam, os membros ganham uma comunidade de mais de 98.000 pessoas que vivem com a doença de Parkinson ou cuidam de alguém com doença de Parkinson. Os membros compreendem os desafios do Parkinson, incluindo alucinações e delírios.

Você ou um ente querido já teve alucinações ou delírios de Parkinson? Você tem alguma dica para controlar alucinações ou delírios? Compartilhe sua opinião nos comentários abaixo ou poste no MyParkinsonsTeam. Original em inglês, tradução Google, revisão Hugo. Fonte: My Parkinson´s Team.

quarta-feira, 13 de setembro de 2023

Novo estudo fornece otimismo para quem sofre de Parkinson

September 12, 2023 - No que poderá revelar-se um desenvolvimento revolucionário na comunidade de investigação em células estaminais, a implantação de neurónios produzidos em laboratório nos cérebros de pessoas que sofrem da doença de Parkinson parece ter reduzido os sintomas para pelo menos alguns deles.

O objetivo é que as células adicionadas produzam dopamina, um neurotransmissor. É a falta de dopamina que produz os sintomas devastadores da doença debilitante.

Claire Henchcliffe, neurologista e professora da UCI, bem como uma das líderes do estudo, conversou com o MIT Technology Review sobre a pesquisa.

“O objetivo é que eles formem sinapses e conversem com outras células como se fossem da mesma pessoa. O que é tão interessante é que você pode entregar essas células e elas podem começar a falar com o hospedeiro.”

Henchcliffe é presidente e professor de neurologia na Faculdade de Medicina da UCI, com mais de 20 anos de experiência no tratamento de pacientes com doença de Parkinson e condições relacionadas. Sendo uma importante especialista internacional na doença de Parkinson, a sua investigação centrou-se no desenvolvimento de novos tratamentos, incluindo terapia regenerativa baseada em células estaminais e terapia genética.

Mais informação:

› Revisão de tecnologia do MIT: uma empresa de biotecnologia afirma que colocou células produtoras de dopamina no cérebro das pessoas

› A terapia com células-tronco para a doença de Parkinson mostra-se promissora em estudos iniciais › Terapia celular: uma nova fronteira na doença de Parkinson

Original em inglês, tradução Google, revisão Hugo. Fonte: Ucihealth.

terça-feira, 12 de setembro de 2023

7 benefícios da bicicletaterapia para a doença de Parkinson

August 16, 2023 - O exercício é bom para o corpo e a mente, especialmente quando se vive com uma doença crónica como a doença de Parkinson. No entanto, tremores e problemas de equilíbrio podem dificultar a descoberta de maneiras seguras de permanecer ativo. As bicicletas ergométricas podem ser uma boa opção em casa, na academia ou durante as consultas de fisioterapia.

Dependendo do seu nível de condicionamento físico inicial e dos sintomas do Parkinson, você pode considerar sessões de treinamento supervisionadas ou um treino solo. Aqui estão sete benefícios que você pode esperar da cicloterapia.

1. Melhor controle motor

Estudos demonstraram que o ciclismo melhora a função motora e leva a pontuações mais altas no teste motor III da escala unificada de avaliação da doença de Parkinson (UPDRS). Usando ressonância magnética, os pesquisadores descobriram que o exercício ativa partes do cérebro responsáveis pela função motora global. Portanto, embora o ciclismo envolva as pernas, melhora a função motora tanto na parte superior como na parte inferior do corpo.

A cadência (ou a rapidez com que você pedala) é importante. Os benefícios da função motora foram associados ao ciclismo a 80 rotações por minuto. Felizmente, uma pessoa pode começar a perceber melhorias significativas após três sessões de exercícios, mostrando que o ciclismo não demora muito para começar a dar frutos.

2. Melhor equilíbrio e menos lesões

Um estudo com 14 pessoas com Parkinson descobriu que andar de bicicleta em alta velocidade em uma bicicleta reclinada melhorou o equilíbrio estático (ficar imóvel) e dinâmico (em movimento) nos participantes. Depois de andar na bicicleta reclinada dois dias por semana durante seis semanas sob a supervisão de um treinador, os participantes demonstraram melhor equilíbrio geral. As sessões duraram 30 minutos e incluíram aquecimento e resfriamento. Os investigadores sugeriram que estas mudanças positivas podem ajudar a reduzir o risco de quedas potencialmente debilitantes.

Um membro do MyParkinsonsTeam descreveu como eles usam exercícios para melhorar o equilíbrio. “Para ter equilíbrio, faço fisioterapia. Meu fisioterapeuta agora está me ensinando boxe”, disseram. “Além disso, vou à academia três vezes por semana para fazer esteira ou pesos estacionários.”

Você pode misturar o ciclismo com outras formas de exercício ou mantê-lo como atividade principal para se manter saudável com Parkinson.

3. Coração mais saudável

As pessoas normalmente são diagnosticadas com Parkinson por volta da mesma idade média em que as doenças cardiovasculares também se tornam uma preocupação. Além disso, alguns estudos sugerem que o Parkinson está associado a taxas mais elevadas de doenças cardíacas. Exercícios aeróbicos como andar de bicicleta são uma maneira divertida de aumentar a frequência cardíaca e proteger o coração.

A American Heart Association recomenda que a maioria dos adultos faça 150 minutos de exercícios de intensidade moderada ou 75 minutos de exercícios vigorosos por semana. O ciclismo ou a cicloterapia podem ser um componente desse regime de exercícios de alta intensidade. No entanto, não existe uma prescrição de exercícios única para a doença de Parkinson. Converse com seu médico para determinar as metas de atividade física certas para você, para que possa obter os efeitos benéficos do exercício.

4. Aumento do uso de dopamina

O exercício faz você se sentir bem, física e mentalmente. Um benefício do exercício é um aumento nas substâncias químicas cerebrais que promovem uma sensação de felicidade e bem-estar. Para algumas pessoas, o exercício é uma parte eficaz do tratamento da depressão. “Acho que o exercício é a melhor maneira de manter a fadiga sob controle. Também ajuda a levantar meu ânimo”, disse um membro do MyParkinsonsTeam.

Além disso, estudos em ratos mostram-se promissores para a doença de Parkinson. Os pesquisadores observaram como o exercício ajuda as células cerebrais a usar a dopamina com mais eficiência. Também prolonga os efeitos da dopamina, sugerindo benefícios potenciais também para os humanos.

5. Menos fadiga e insônia

A fadiga é um sintoma comum da doença de Parkinson. Embora você possa não ter energia para um treino extenso, às vezes um breve período de atividade pode ajudar. “Acho que o exercício regular é uma necessidade para tentar lidar com a fadiga”, disse um membro do MyParkinsonsTeam. “Eu ando no meu Theracycle todos os dias durante uma hora ou meia hora e vou ao Rock Steady Boxing três vezes por semana durante 90 minutos. Às vezes, se estou realmente cansado, faço-me andar no meu Theracycle durante pelo menos 15 minutos e ele recarrega-me.”

Theracycle é uma marca de bicicleta ergométrica projetada para melhorar os sintomas motores em pessoas com problemas neurológicos.

A fadiga pode resultar de sono insatisfatório. Os membros do MyParkinsonsTeam relataram dificuldade para dormir, às vezes devido a sonhos vívidos, movimentos involuntários à noite ou outros motivos desconhecidos. “Nunca tive problemas de sono até a doença de Parkinson”, disse um membro. “Fico tão cansado que adormeço às 20h30. e depois acordo às 3h30. Eu me reviro até ter que me levantar para ir trabalhar. Tenho que me manter ocupado até as 21h30. ou algo assim para ter uma noite inteira de sono.”

Um passeio de bicicleta pode ser uma boa maneira de aumentar seus níveis de energia durante o dia e pode ajudá-lo a ter uma noite de sono melhor, cansando-o. “A fadiga crônica em apenas alguns dias é melhor que em outros. Mas se eu conseguir me esforçar para sair e fazer alguma coisa, isso parece ajudar”, compartilhou outro membro.

6. Função cognitiva aprimorada

Há pesquisas que mostram que pessoas com doença de Parkinson realizam melhor certas tarefas mentais enquanto andam de bicicleta. Tarefas envolvendo memória de recordação, processamento visual e função executiva tiveram tempos de resposta mais rápidos quando os participantes andavam de bicicleta (tanto em pessoas com Parkinson como sem). O Parkinson pode tornar particularmente difícil a realização de duas tarefas ao mesmo tempo. No entanto, o ciclismo parece ter um efeito diferente nas tarefas mentais do que outros tipos de exercício, tornando mais fácil pensar com clareza durante a atividade.

7. Maiores conexões sociais

O ciclismo e outras formas de exercício em grupo oferecem oportunidades de conexão com outras pessoas. Seja por meio de uma plataforma online para andar de bicicleta em casa ou de uma aula em grupo na academia local, você pode conhecer pessoas com interesses semelhantes por meio de exercícios.

Pergunte ao seu neurologista ou outro profissional de saúde se ele conhece algum programa de ciclismo específico para pessoas com doença de Parkinson ou consulte Pedalar para Parkinson. O centro local para idosos ou YMCA também pode oferecer aulas de ciclismo em sua comunidade. Para ajudar a apoiar seus objetivos, você pode procurar um treinador ou fisioterapeuta com experiência na doença de Parkinson.

Fale com outras pessoas que entendem

Na MyParkinsonsTeam — a rede social para pessoas com doença de Parkinson e seus entes queridos — mais de 99.000 membros se reúnem para fazer perguntas, dar conselhos e compartilhar suas histórias com outras pessoas que entendem a vida com a doença de Parkinson.

Você usa uma bicicleta ergométrica ou outra forma de terapia por exercícios para melhorar os sintomas do Parkinson? Como seu programa de exercícios afeta sua qualidade de vida? Compartilhe sua experiência nos comentários abaixo ou inicie uma conversa postando na sua página de Atividades. Original em inglês, tradução Google, revisão Hugo. Fonte: My Parkinson´s Team.

terça-feira, 5 de setembro de 2023

Locais ideais de estimulação subtalâmica e redes relacionadas para congelamento da marcha na doença de Parkinson

04 September 2023 - Resumo

O congelamento da marcha é um sintoma comum e debilitante na doença de Parkinson. Embora a estimulação cerebral profunda subtalâmica de alta frequência seja um tratamento eficaz para a doença de Parkinson, foi relatado que o congelamento pós-operatório da gravidade da marcha alivia, deteriora ou permanece constante. Conduzimos este estudo para explorar os locais de estimulação ideais e redes de conectividade relacionadas para estimulação cerebral profunda subtalâmica de alta frequência, tratando o congelamento da marcha na doença de Parkinson. Um total de 76 pacientes com doença de Parkinson com congelamento da marcha submetidos à estimulação subtalâmica bilateral de alta frequência foram incluídos retrospectivamente. Os volumes de tecido ativado foram estimados com base na reconstrução individual dos eletrodos. Os locais de estimulação ideal e previsto foram calculados em nível de coordenada/voxel/mapeamento e mapeados para o espaço anatômico com base em imagens específicas do paciente e configurações de estimulação. As redes de conectividade preditiva estrutural e funcional para a mudança do Questionário de Congelamento da Marcha pós-operatório também foram identificadas com base em conectomas normativos derivados do banco de dados da Parkinson's Progression Marker Initiative. O modelo de validação cruzada deixe um de fora validou os resultados acima, e o modelo permaneceu significativo após a inclusão de covariáveis. Os dois terços dorsolaterais do núcleo subtalâmico foram identificados como o local ideal de estimulação, enquanto a porção ventrocentral do núcleo subtalâmico direito e a cápsula interna que circunda o núcleo subtalâmico central esquerdo foram consideradas como locais de estimulação ácida. A modulação dos tratos de fibras que se conectam à área motora suplementar, à área motora pré-suplementar e ao núcleo pedunculopontino foi responsável pelo alívio do congelamento da marcha, enquanto os tratos que se conectam aos córtices pré-frontais medial e ventrolateral contribuíram para a deterioração do congelamento da marcha. Os locais de estimulação ideais/previstas e as redes de conectividade preditiva estrutural/funcional para estimulação cerebral profunda subtalâmica de alta frequência que tratam o congelamento da marcha são identificados e validados através de pacientes com doença de Parkinson de tamanho considerável neste estudo. Com a crescente compreensão dos locais de estimulação e redes relacionadas, o tratamento individualizado de estimulação cerebral profunda com eletrodos direcionais se tornará uma escolha ideal para pacientes com doença de Parkinson com congelamento da marcha no futuro. Original em inglês, tradução Google, revisão Hugo. Fonte: Academic.

domingo, 3 de setembro de 2023

Levodopa como tratamento inicial para Parkinson mostra melhor resultado prognóstico em longo prazo para qualidade de vida

Quando comparado com agentes poupadores de levodopa, o tratamento com levodopa isoladamente resultou em atividades de vida diária e índices resumidos significativamente melhores no Questionário da Doença de Parkinson, avaliados pelos pacientes.

Carl Clarke, MD, professor de neurologia clínica na Universidade de Birmingham

Sep 1, 2023 - Após 15 anos de acompanhamento, os resultados do estudo PD MED EARLY mostraram que a qualidade de vida (QV) avaliada pelos pacientes foi ligeiramente melhor em pacientes que iniciaram levodopa (LD) do que terapias poupadoras de LD, apesar do pequeno aumento na discinesia. Os inibidores da monoamina oxidase (MAOB) pareceram tão eficazes quanto os agonistas da dopamina (DA), com qualidade de vida ligeiramente melhor do que os inibidores da catecol-O-metil transferase (COMT).1,2

Esses dados fizeram parte de duas apresentações do Congresso Internacional de Doença de Parkinson e Distúrbios do Movimento (MDS) de 2023, realizado de 27 a 31 de agosto em Copenhague, na Dinamarca. Liderada por Carl Clarke, MD, professor de neurologia clínica na Universidade de Birmingham, a primeira análise incluiu 1.593 pacientes recém-diagnosticados com DP no Reino Unido que foram aleatoriamente designados 1:1:1 para terapia poupadora de LD, seja DA ou inibidor de MAOB., ou LD sozinho, com o resultado primário da dimensão mobilidade na escala de QV do Parkinson's Disease Questionnaire (PDQ-39) avaliada pelo paciente.

O estudo foi desenhado para avaliar qual dessas classes de medicamentos proporciona o maior controle em longo prazo e melhor qualidade de vida para pacientes com DP precoce. Ao longo de 15 anos de acompanhamento, os pacientes randomizados apenas para LD tiveram uma média de 2,4 pontos (IC, 0,6-4,3; P = 0,01) melhor do que os pacientes que receberam agentes poupadores de LD. Além disso, este grupo apresentou atividades de vida diária e índice resumido PDQ-39 significativamente melhores e pontuações EuroQol (EQ)-5D. Na conclusão do acompanhamento de 15 anos, foi relatada discinesia em 70% dos pacientes em uso de LD versus 63% daqueles em terapias poupadoras de LD (P = 0,005).

As análises de subgrupos não mostraram diferenças entre grupos nos resultados com base na idade (<70 anos vs ≥70 anos) e nível de incapacidade no início do estudo (classificação de Hoehn e Yahr, 1-1,5 vs 2-5). Os investigadores observaram resultados que sugeriam uma taxa ligeiramente reduzida de demência (HR, 0,84; IC 95%, 0,73-0,98), mas não houve evidência de qualquer diferença nas taxas de mortalidade ou institucionalização.

A segunda análise do estudo concentra-se especificamente em uma coorte de pacientes (n = 485) que foram randomizados para terapia com DA ou inibidor da degradação da dopamina (DDI), como um inibidor da MAOB ou um inibidor da COMT. Ao longo de 10 anos de acompanhamento, não houve diferenças significativas entre os grupos entre a terapia DA e DDI em qualquer medida de qualidade de vida avaliada pelo paciente ou na institucionalização, demência ou mortalidade. É digno de nota que os escores de mobilidade do PDQ-39 foram 4,8 pontos (IC, 1,3-8,3; P = 0,007) melhores com inibidores da MAOB do que com inibidores da COMT.2

Detalhes adicionais da análise mostraram diferenças significativas limítrofes nas atividades de vida diária do PDQ-39, bem-estar emocional e dimensões de apoio social, juntamente com o índice resumido que favorece os inibidores da MAOB. Tendências semelhantes foram observadas para EQ-5D. Não houve diferenças entre os grupos nas taxas de institucionalização, demência ou mortalidade. Análises exploratórias mostraram diferenças de magnitude semelhantes favorecendo o DA em relação aos inibidores da COMT; no entanto, estes não alcançaram significância estatística.

No estudo PD MED original, publicado na Lancet Neurology em 2014, os resultados mostraram benefícios pequenos, mas persistentes, para os escores de mobilidade avaliados pelos pacientes em pacientes tratados com LD em relação à terapia poupadora de LD. Entre 2000 e 2009, os escores de mobilidade do PDQ-39 foram 1,4 pontos (IC 95%, 0,0-2,9; P = 0,05) melhores em pacientes que tomavam inibidores da MAOB em comparação com aqueles alocados para DA. No total, 28% dos pacientes em uso de DA e 23% daqueles em uso de inibidores da MAOB descontinuaram o tratamento alocado devido a eventos adversos, em comparação com apenas 2% daqueles em uso de LD (P <0,0001). Original em inglês, tradução Google, revisão Hugo. Fonte: Neurologylive.

Obs.: A questão da introdução da levodopa, mais cedo ou mais tarde no tratamento do parkinson continua a ser polêmica, sob a suspeita de gerar discinesias induzidas por levodopa. Eu, particularmente, à revelia de meus médicos, que dizem que deveria tomar uma dose mínima, não tomo. Isto se deve à minha intolerância aos efeitos do off da levodopa, uma depressão profunda que me leva a ideações suicidas, como bem relatava a bula antiga do Prolopa. Na bula atual foi removida tal informação, na minha opinião criminosamente.

Por enquanto, apesar das dificuldades crescentes, prefiro a vida. Além disso a levodopa me deixa fraco das pernas, a ponto de não conseguir caminhar. Não tomo levodopa desde que fiz o implante de dbs, isto em 2016. Faço uso de maconha (Cannabis) fumada. Bem melhor do que ideações suicidas.

sábado, 2 de setembro de 2023

Alzheimer e Parkinson: 1 a cada 5 pessoas tem genes protetores contra as doenças; descoberta pode levar à vacina

De acordo com um estudo de Stanford, carregar um subtipo específico do gene DR4 reduz em cerca de 10% o risco dessas doenças neurodegenerativas

01/09/2023 - Cerca de uma em cada cinco pessoas carrega uma versão de um gene que, embora em grande parte desconhecido, parece conferir proteção contra Alzheimer e Parkinson. A descoberta é de um estudo publicado recentemente na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, realizado por pesquisadores da Stanford Medicine, nos Estados Unidos e pode ajudar no desenvolvimento de uma vacina para retardar ou impedir a progressão destas duas doenças neurodegenerativas.

A equipe da Stanford analisou bancos de dados médicos e genéticos com informações de mais de 100 mil pessoas com Alzheimer e mais de 40 mil com doença de Parkinson, de vários países da Europa, no Leste Asiático, no Oriente Médio e nas Américas do Sul e do Norte. Os cientistas compararam a incidência e a idade de início das doenças entre as pessoas portadoras da versão protetora do alelo DR4 e aquelas sem doença.

Os resultados mostraram uma redução de cerca de 10% no risco das doenças nos portadores do gene.

“Num estudo anterior, descobrimos que carregar o alelo DR4 parecia proteger contra a doença de Parkinson. Agora, descobrimos um impacto semelhante do DR4 na doença de Alzheimer.”, disse disse o autor sênior do estudo Emmanuel Mignot, professor de medicina do sono e de psiquiatria e ciências comportamentais.

Os investigadores também analisaram dados de cérebros de mais de 7 mil pacientes que morreram com Alzheimer e descobriram que os portadores de DR4 tinham menos emaranhados da proteína tau, bem como um início mais tardio dos sintomas, em comparação com aqueles sem o alelo.

Portar o DR4 também se correlacionou com um início mais tardio dos sintomas em pacientes com Parkinson. Embora os emaranhados neurofibrilares não sejam normalmente observados nessa doença, as evidências sugerem que a proteína tau, também pode estar envolvida no desenvolvimento de Parkinson.

“O fato de esse fator protetor para o Parkinson acabar tendo o mesmo efeito protetor em relação ao Alzheimer me deixou perplexo”, disse Mignot.

Os pesquisadores acreditam que o DR4 está envolvido no que tem sido chamado de “autoimunidade protetora".

Após observar os efeitos benéficos do DR4 nos níveis de tau, no Alzheimer e no Parkinson, os pesquisadores se concentraram na tau. Eles cortaram moléculas da proteína em 482 peptídeos, abrangendo coletivamente toda a sequência da tau, e depois os colocaram em pratos separados junto com o produto proteico do DR4, para ver se ela se liga fortemente a algum desses peptídeos.

O DR4 exerceu um controle especialmente poderoso sobre um único peptídeo, chamado PHF6. Este segmento da proteína tau está frequentemente alterado nos cérebros dos pacientes com Alzheimer por uma modificação chamada acetilação – a fixação de um pequeno aglomerado químico a um dos blocos de construção constituintes da proteína nesse segmento. O PHF6 acetilado já foi implicado na tendência das moléculas de tau de se agregarem em emaranhados neurofibrilares.

De acordo com os pesquisadores, a acetilação pode “enganar” o sistema imunológico fazendo-o pensar que o PHF6 é um estranho e uma ameaça, levando o sistema imunológico a atacar e demolir emaranhados neurofibrilares incipientes.

A descoberta sugere que o DR4 funciona mais naqueles que o carregam, criando uma espécie de vacina composta por PHF6 acetilado. Ao chamar a atenção do sistema imunológico para este peptídeo modificado, essa "vacina" pode interferir na agregação da tau.

Em pessoas portadoras de qualquer uma das variantes protetoras do DR4 (nem todas são protetoras) e cujos cérebros começaram a acumular agregados de tau, uma vacina poderia atrasar o início ou retardar a progressão da doença de Alzheimer e possivelmente da doença de Parkinson. No entanto, pessoas que não são portadoras de DR4 não se beneficiariam com esta vacina. Seria necessário realizar um exame de sangue para saber quem deveria ou não ser vacinado. Fonte: O Globo.