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quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Neurônios de reposição: a nova fronteira contra Parkinson e Alzheimer

29/09/2026 - Pesquisas avançam na reposição de neurônios e na proteção das células ainda funcionais, mas os resultados variam entre Parkinson e Alzheimer

A medicina regenerativa começa a sair do laboratório e a chegar aos pacientes com Parkinson. Para o Alzheimer, o desafio é outro. Entre as possibilidades em investigação, pesquisadores buscam entender até onde é possível substituir neurônios danificados, proteger aqueles que ainda funcionam e interferir nos processos responsáveis pela deterioração do cérebro.

Esquecer o nome de alguém próximo. Perceber que as mãos já não obedecem como antes. Precisar de ajuda para uma tarefa que, até pouco tempo atrás, era automática. A neurodegeneração tem muitas faces, mas todas compartilham o mesmo roteiro: a perda progressiva de células nervosas e, com ela, de funções que sustentam a vida cotidiana e a autonomia.

A medicina regenerativa propõe ir além do alívio dos sintomas. Pesquisadores investigam formas de substituir neurônios danificados, proteger aqueles que ainda funcionam e interferir nos processos responsáveis pela deterioração do cérebro. Embora algumas dessas estratégias já tenham alcançado pacientes, a recuperação de funções perdidas continua sendo um desafio.

“Quem recebe um diagnóstico quer saber o que poderá preservar da própria vida. É compreensível que uma notícia sobre reposição de neurônios mobilize esperança. É preciso explicar com cautela os resultados possíveis e o que ainda continua sem resposta”, afirma o médico Guilherme Storch, especialista em Medicina Preventiva.

Parkinson: da compensação à reconstrução

No Parkinson, a perda de neurônios que produzem dopamina prejudica o controle dos movimentos. Os medicamentos tradicionais atuam compensando essa falta, enquanto a medicina regenerativa procura repor parte dessas células, na tentativa de restabelecer a produção da substância e melhorar a capacidade motora.

Essa aposta ganhou um marco em março de 2026, quando o Japão concedeu autorização condicional e por tempo limitado ao Amchepry, terapia celular voltada a pacientes que não respondem bem aos remédios convencionais. O tratamento usa células preparadas em laboratório para dar origem a neurônios produtores de dopamina. A autorização vem com exigências: acompanhamento dos pacientes e novos estudos para confirmar eficácia e segurança.

A novidade representa uma mudança na forma de abordar a doença. Em vez de apenas compensar a falta de dopamina com medicamentos, a estratégia busca recuperar parte da capacidade de produzi-la. Mas vale moderar o entusiasmo: isso não interrompe todos os mecanismos da doença nem reverte suas diferentes manifestações.

Também é preciso distinguir os resultados obtidos com esse tipo de terapia de outros produtos apresentados como regenerativos. “O resultado de um transplante não pode ser transferido para qualquer produto vendido como regenerativo”, ressalta Storch.

Alzheimer: por que recuperar a memória é um desafio diferente?

No Alzheimer, o problema não se limita à perda de um tipo específico de neurônio. A doença compromete conexões espalhadas por várias regiões do cérebro, afetando memória, linguagem, raciocínio e, pouco a pouco, a independência.

Por isso, a reposição celular, por si só, não seria suficiente para recuperar uma lembrança. O que acumulamos ao longo da vida está guardado em redes de comunicação entre neurônios, construídas com o tempo. Mesmo que novas células fossem introduzidas, seria preciso entender como elas se integrariam a essa arquitetura e passariam a funcionar dentro dela.

“Uma lembrança depende de conexões celulares construídas ao longo da vida. Colocar novas células no cérebro não garante que elas consigam reconstruir essa organização. Por isso, parte das pesquisas procura preservar o tecido que ainda funciona, reduzir a inflamação e criar condições para que os neurônios resistam ao processo de degeneração”, explica o médico.

Nesse caminho, a ciência estuda células capazes de influenciar o ambiente cerebral, com efeitos sobre a inflamação e sobre mecanismos de proteção dos neurônios. O objetivo não é necessariamente substituir tudo o que se perdeu, mas preservar o que ainda está ativo e frear os danos. São abordagens promissoras, mas ainda em investigação, e precisam comprovar eficácia antes de entrar na rotina de tratamento.


O desafio é encontrar intervenções capazes de produzir resultados que façam diferença na vida do paciente. Preservar a capacidade de reconhecer familiares, manter a comunicação ou realizar atividades sem ajuda são objetivos que precisam orientar a avaliação de qualquer avanço científico.

O que já é possível oferecer aos pacientes?

Com o avanço das pesquisas, é preciso distinguir uma terapia em investigação de um procedimento com eficácia comprovada para determinada indicação. No Brasil, a Anvisa alerta para os riscos de produtos à base de células-tronco oferecidos sem aprovação e para promessas de cura de Alzheimer e Parkinson sem respaldo científico.

Para Storch, a expectativa em torno das descobertas não pode desviar o olhar do que acontece hoje dentro de casa. “As famílias buscam recursos para lidar com dificuldades do dia a dia, como caminhar, dormir ou aumentar a independência do familiar adoecido. Essas questões exigem cuidado agora, com revisão do tratamento e apoio a quem acompanha o paciente”, observa.

O acompanhamento médico, a reabilitação e o suporte aos cuidadores continuam fundamentais. No Parkinson, medicamentos e fisioterapia ajudam a controlar sintomas e preservar a mobilidade. No Alzheimer, o acompanhamento envolve treinamentos para manter a funcionalidade, acompanhamento das alterações cognitivas e medidas para que a pessoa conserve sua autonomia pelo maior tempo possível. O suporte a quem cuida também faz parte do tratamento.

A medicina regenerativa acrescenta uma camada nova a esse cenário: a possibilidade de atuar diretamente sobre o dano. No Parkinson, a reposição de neurônios já chegou a uma autorização de uso, sob condições específicas, no Japão. No Alzheimer, proteger as células que restam e buscar mecanismos de reparo seguem como as apostas da ciência. Esses caminhos permanecem em investigação e sua eficácia precisa ser confirmada antes que possam integrar os tratamentos recomendados à população de maneira geral. Fonte: thepresident.

terça-feira, 9 de junho de 2026

Cientistas japoneses apostam em células-tronco para tratar Parkinson pela primeira vez

O transplante de células-tronco é um novo tratamento para Parkinson, estudado por cientistas japoneses. (Foto: Bhautik Patel | Unsplash)

08/06/2026 - O Japão aprovou, no início de março, de forma condicional e limitada, um tratamento inovador contra a doença de Parkinson, informou a farmacêutica Sumitomo Pharma.

O Amchepry, nome do tratamento, baseia-se no transplante de células-tronco pluripotentes induzidas (iPSC), produzidas laboratorialmente, direto ao cérebro do paciente. Desta forma, os pacientes poderiam reverter a progressão do Parkinson.

Entenda como o Parkinson destrói neurônios e afeta os movimentos

Quando uma pessoa é diagnosticada com Parkinson, os neurônios dopaminérgicos (células responsáveis pela produção e liberação da dopamina, essenciais para o controle motor, motivação e cognição) começam a morrer de forma repentina.

Quando elas morrem, o corpo humano perde sua capacidade de produzir a dopamina, o que faz com que os músculos não recebam os sinais cerebrais de maneira correta. E, justamente essas interferências causam as contrações involuntárias, os chamados espasmos.

Uma vez ocorrida, a morte dos neurônios dopaminérgicos é irreversível. Portanto, os portadores de Parkinson têm de aprender a conviver com a doença e suas consequências, em geral progressivas, que podem abranger diversas manifestações:

como tremores;

rigidez muscular;

lentidão de movimentos (bradicinesia);

instabilidade postural.

Em muitos casos, a manifestação da doença é perturbadora, o que faz com que os enfermos recorram a tratamentos psicológicos para enfrentar a nova e dura realidade.

Mãos de uma pessoa com Parkinson. A doença de Parkinson causa inúmeros sintomas neurológicos. (Foto: Alexas_Fotos | Unsplash)

Os atuais tratamentos buscam fazer com que a doença não progrida, assim como tentam mitigar os sintomas. Entretanto, não conseguem focar no essencial: a perda dos neurônios dopaminérgicos.

Já o Amchepry utiliza as células-tronco para substituir justamente esses neurônios danificados. Caso chegue ao mercado, este será o primeiro tratamento do mundo baseado em iPSCs disponível ao público.

De acordo com a Parkinson’s Foundation, cerca de 10 milhões de pessoas convivem com a doença em todo o mundo.

Como células adultas são “reprogramadas” para regenerar tecidos humanos

A possibilidade de buscar novos tratamentos com as iPSCs é real hoje graças a anos de investigação e descobertas sobre a fisiologia celular humana.

Diferentemente das células estaminais embrionárias, derivadas de embriões, as iPSCs são geradas a partir de células adultas, muitas vezes obtidas por pequenas biópsias, procedimentos médicos que removem uma pequena amostra de tecido ou células para análise laboratorial.

Em nosso organismo, as células somáticas, responsáveis por formar todos os órgãos e tecidos, se dividem para renovar os tecidos e reparar danos. No entanto, em alguns tipos celulares essa capacidade de divisão é limitada e, após um certo número de divisões (normalmente cerca de 50) começam a surgir alterações que podem levar à morte celular.

É nesse momento que as células-tronco pluripotentes induzidas, as iPSCs, atuam, "substituindo" as células mortas por novas e permitindo a renovação dos tecidos, já que podem se transformar em diferentes tipos de células do corpo humano.

Em outras palavras, células adultas são "reprogramadas" para voltar a um estado semelhante ao embrionário.

Essa descoberta surgiu há 20 anos e foi feita por Shinya Yamanaka, que recebeu, em 2012, o Prêmio Nobel de Medicina ao lado do biólogo Sir John Gurdon. Esse método, conhecido como fatores de Yamanaka, possibilitou grandes avanços na medicina regenerativa.

Terapia experimental para Parkinson avança, mas ainda exige novos testes

O tratamento com iPSCs utilizado pela Amchepry já obteve sucesso em sete pacientes reais que, em um estudo clínico, receberam transplantes de 5 a 10 milhões dessas células-tronco sem apresentar qualquer efeito secundário grave.

O estudo demonstrou ainda que os transplantes sobreviveram durante todo o processo, conseguiram produzir dopamina e não formaram novos tumores.

E o mais importante: pelo menos quatro dos sete pacientes notaram uma melhora nos sintomas da doença.

Entretanto, pesquisadores mais cautelosos afirmam que o tratamento ainda não demonstra uma segurança real e sugerem que sejam feitos mais testes. Segundo eles, ainda não é possível garantir que as melhorias observadas sejam causadas por fatores externos ao estudo, nem descartar que os resultados tenham sido influenciados pelo viés dos próprios cientistas.

Por outro lado, o otimismo de autoridades japonesas também se dá pelo fato de elas se basearem em outros tratamentos que utilizam a mesma tecnologia (iPSC) e que já geraram resultados ainda mais promissores e seguros. Fonte: gazetadopovo.

sábado, 7 de março de 2026

Japão aprova terapia com células-tronco para Parkinson

Leia mais AQUI.

Entenda a terapia com células-tronco para Parkinson aprovada no Japão

Terapia para Parkinson que transplanta células no cérebro recebeu autorização condicional e pode começar a ser oferecida ainda em 2026.

Imagem em close-up de várias células humanas circulando pelas veias. Matéria-prima do corpo ampliada. Ilustração 3D de células-tronco.

06/03/2026 - O Japão aprovou um tratamento inovador para Parkinson baseado no uso de células-tronco. A decisão, anunciada pelo Ministério da Saúde do país nesta sexta-feira (6/3), torna o Japão o primeiro a autorizar esse tipo de terapia para a doença neurológica.

O medicamento, chamado Amchepry, foi desenvolvido pela farmacêutica japonesa Sumitomo Pharma. A técnica consiste no transplante de células produzidas em laboratório diretamente no cérebro do paciente com o objetivo de substituir neurônios que foram danificados pela doença.

A autorização concedida pelas autoridades japonesas é condicional e tem prazo limitado. Isso significa que o tratamento poderá ser utilizado enquanto novos estudos continuam avaliando sua segurança e eficácia em um número maior de pessoas.

Caso seja amplamente disponibilizado, o produto pode se tornar o primeiro tratamento comercial no mundo baseado em células pluripotentes induzidas, conhecidas como células iPS.

O que é o Parkinson?

O Parkinson é uma condição crônica e progressiva causada pela neurodegeneração das células do cérebro.

Estima-se que cerca de 10 milhões de pessoas no mundo tenham Parkinson.

A ocorrência é mais comum entre idosos com mais de 65 anos, mas também pode se manifestar em outras idades.

A doença atinge principalmente as funções motoras, causando sintomas como: lentidão dos movimentos, rigidez muscular e tremores.

Os pacientes também podem ter: diminuição do olfato, alterações do sono, mudanças de humor, incontinência ou urgência urinária, dor no corpo e fadiga.

Cerca de 30% das pessoas que vivem com Parkinson desenvolvem demência por associação.

Como funciona a terapia?

O tratamento utiliza células pluripotentes induzidas, conhecidas como células iPS. Elas são produzidas a partir de células adultas, como as da pele, que passam por um processo de reprogramação em laboratório para voltar a um estágio mais primitivo, semelhante ao das células embrionárias.

A técnica foi criada pelo pesquisador japonês Shinya Yamanaka, que recebeu o Prêmio Nobel de Medicina em 2012 pelo desenvolvimento desse método.

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A partir dessa tecnologia, os cientistas conseguem transformar essas células em diferentes tipos de tecidos do corpo. No caso do Parkinson, elas são direcionadas para se tornar células precursoras de neurônios que produzem dopamina.

A dopamina é um neurotransmissor essencial para o controle dos movimentos. No Parkinson, os neurônios responsáveis por sua produção são destruídos progressivamente, o que leva a sintomas como tremores, rigidez muscular e lentidão motora.

Entenda a terapia com células-tronco para Parkinson aprovada no Japão - destaque galeria

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Esse processo degenerativo das células nervosas pode afetar diferentes partes do cérebro e, como consequência, gerar sintomas como tremores involuntários, perda da coordenação motora e rigidez muscular

Outros sintomas da doença são lentidão, contração muscular, movimentos involuntários e instabilidade da postura

Em casos avançados, a doença também impede a produção de acetilcolina, neurotransmissor que regula a memória, aprendizado e o sono

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), apesar de a doença ser conhecida por acometer pessoas idosas, cerca de 10% a 15% dos pacientes diagnosticados têm menos de 50 anos

Não se sabe ao certo o que causa o Parkinson, mas, quando ocorre em jovens, é comum que tenha relação genética. Neste caso, os sintomas progridem mais lentamente, e há uma maior preservação cognitiva e de expectativa de vida

Em um estudo conduzido pela Universidade de Kyoto, pesquisadores implantaram essas células no cérebro de sete pessoas com Parkinson, com idades entre 50 e 69 anos. Cada paciente recebeu entre cinco e dez milhões de células em cada lado do cérebro.

Os resultados iniciais indicaram que o procedimento foi bem tolerado pelos participantes e apresentou sinais de melhora em alguns sintomas da doença. Fonte: metropoles.