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terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Anvisa avalia regular cannabis medicinal

27/01/2026 - Diretoria colegiada se reúne nesta quarta-feira para analisar uma proposta para regulamentar a substância, que cada vez mais vem sendo indicada para doenças neurológicas

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária avalia, na reunião colegiada de amanhã, uma proposta de regulamentação da produção de cannabis medicinal no Brasil, conforme foi determinado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Segundo o diretor da Anvisa Thiago Lopes Cardoso Campos, relator da matéria, a ideia é criar parâmetros para o produto em função da demanda, cada vez maior, por parte de pacientes que utilizam a substância para o controle de doenças crônicas — e assim obter qualidade de vida.

A proposta reúne três resoluções da diretoria colegiada, voltadas à produção, à pesquisa científica e às associações de pacientes. A regulamentação da produção autoriza o cultivo exclusivamente para fins medicinais e farmacêuticos, restrito a pessoas jurídicas, com exigência de inspeção sanitária prévia, rastreabilidade, controle de segurança, georreferenciamento das áreas, registro fotográfico e vinculação da quantidade cultivada à transformação farmacêutica.

Além disso, o teor de THC (tetrahidrocanabinol, princípio ativo da cannabis) deverá ser igual ou inferior a 0,3%, padrão que terá de ser comprovado desde o registro junto ao Ministério da Agricultura até a análise laboratorial de cada lote produzido. Segundo a Anvisa, caso a proposta seja aprovada, o transporte das espécies ficará limitado a detentores de autorização especial, sob controle da Polícia Rodoviária Federal. Em caso de irregularidades sanitárias, a autorização poderá ser revogada e a produção destruída.

A cannabis medicinal vem sendo aplicada como um tratamento para várias doenças de origem neurológica. Serve para o alívio de dores crônicas, como neuropatias, fibromialgia e artrite (ajuda a reduzir a inflamação e a percepção da dor) e dores oncológicas (auxilia pacientes com câncer que não respondem bem a opioides). Também pode ser ministrado no controle de convulsões, uma vez que o canabidiol é amplamente reconhecido por reduzir drasticamente a frequência de crises em formas graves de epilepsia refratária — como as síndromes de Dravet e Lennox-Gastaut, especialmente em crianças.

A substância é recomendada também para a esclerose múltipla, pois ajuda a reduzir a rigidez muscular e os espasmos. Além disso, mostra-se eficiente contra o Parkinson (auxilia no controle de tremores e na melhora do sono) e, em relação ao Alzheimer, estudos indicam melhora na agitação e sintomas comportamentais.

Pode ser aplicada também contra a ansiedade e insônia, uma vez que o canabidiol tem propriedades calmantes que ajudam a regular o ciclo do sono. Outra ação é contra o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), uma vez que auxilia na redução de pesadelos e crises de pânico.

Caso a resolução seja aprovada, haverá um prazo de seis meses para início da vigência e de 12 meses para adequação da produção.

Entre as pessoas públicas que fazem uso da cannabis medicinal estão o vereador paulistano Eduardo Suplicy (contra sintomas da Doença de Parkinson), o ator Selton Mello (declarou em entrevistas que substituiu medicamentos alopáticos pelo óleo de canabidiol para tratar ansiedade e insônia) e o surfista Pedro Scooby (usar óleo de canabidiol para melhorar a qualidade do sono e a recuperação física após treinos intensos). Fonte: abradilan.

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Suplicy apresenta melhora de 54% nos sintomas do Parkinson após tratamento com cannabis medicinal

Estudo de caso com uso de THC destaca avanços em mobilidade, qualidade de vida e sono

Suplicy apresenta melhora de 54% nos sintomas do Parkinson após tratamento com cannabis medicinal

08/08/2025 - Deputado estadual de São Paulo Eduardo Suplicy, de 83 anos, apresentou uma redução de 54,55% nos escores da Escala Unificada de Avaliação da Doença de Parkinson (UPDRS)

Após oito meses de tratamento com cannabis medicinal, o deputado estadual de São Paulo Eduardo Suplicy, de 83 anos, apresentou uma redução de 54,55% nos escores da Escala Unificada de Avaliação da Doença de Parkinson (UPDRS).

O resultado indica uma melhora significativa nos sintomas motores da Doença de Parkinson (DP), como mobilidade, bradicinesia e tremores nas mãos. A evolução permitiu ao parlamentar recuperar funções essenciais do dia a dia, como amarrar cadarços, escrever com clareza e segurar uma xícara sem derramar.

Os benefícios secundários relatados incluem melhora da qualidade de vida, sono, comunicação e redução de sintomas depressivos e ansiosos. Nenhum efeito adverso significativo foi registrado ao longo do tratamento.

Os resultados foram publicados em julho de 2025 na Revista Brasileira de Farmacognosia, em um estudo de caso que detalha a evolução clínica de Suplicy. A dose utilizada — 18,25 mg de tetraidrocanabinol (THC) por dia, dividida em três administrações — foi suficiente para alcançar o pico de bem-estar físico relatado pelo paciente. Com o tempo, a dose foi passada para 20mg de THC por dia, divididos no café, almoço e janta.

A Doença de Parkinson é uma condição neurodegenerativa progressiva, caracterizada por sintomas motores (como tremores, rigidez e instabilidade postural) e manifestações não motoras. Antes de iniciar o uso da cannabis, Suplicy utilizava apenas Levodopa, medicamento convencional para a DP, mas apresentava sintomas motores graves, como tremores intensos e dificuldade para caminhar.

A cannabis foi introduzida como tratamento complementar. Apesar do uso de doses consideradas altas de THC, o paciente relatou poucos efeitos adversos. Isso se deve, em parte, à baixa biodisponibilidade da administração oral — apenas 4% a 12% do THC atinge a corrente sanguínea nesse formato, em comparação com até 35% por inalação. Suplicy não apresentou sedação ou letargia, indicando ausência de acúmulo de canabinoides no organismo.

Os autores do estudo sugerem que os dados obtidos podem inaugurar uma nova linha de pesquisa focada no uso oral de doses elevadas de THC no tratamento da Doença de Parkinson e outras condições neurológicas. No entanto, destacam a necessidade de estudos mais robustos, com amostras maiores e metodologia controlada, para confirmar os efeitos observados. Fonte: Sechat.

domingo, 13 de abril de 2025

Cannabis e Parkinson: O que a ciência já sabe sobre essa relação

12/04/2025 - Embora ainda limitadas, o neurologista Dr. Luis Otavio Caboclo considera que as evidências científicas abrem uma possibilidade real de utilizar a Cannabis medicinal para ampliar o cuidado e melhorar a qualidade de vida de pacientes com a doença.

A Doença de Parkinson é uma das condições neurodegenerativas mais comuns no mundo, afetando cerca de 10 milhões de pessoas globalmente, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS). De caráter progressivo e ainda sem cura, a doença impacta diretamente a qualidade de vida dos pacientes, com sintomas como tremores, rigidez muscular, lentidão dos movimentos e, em estágios mais avançados, alterações no equilíbrio, cognição e comportamento emocional.

Apesar da evolução no tratamento dos sintomas, a busca por novas abordagens terapêuticas continua sendo uma prioridade para médicos, cientistas e pacientes. Nesse contexto, a Cannabis medicinal vem ganhando destaque. Mas quais são as evidências científicas sobre o uso da Cannabis na Doença de Parkinson?

O neurologista Dr. Luis Otavio Caboclo, Chief Medical Officer da Endogen – healthtech especializada em nutrição clínica e Cannabis medicinal – e professor assistente de neurologia da Faculdade Israelita Albert Einstein, explica que a Cannabis contém compostos conhecidos como canabinoides, sendo o canabidiol (CBD) e o tetraidrocanabinol (THC) os mais estudados.

“Tais substâncias interagem com o sistema endocanabinoide do organismo, responsável por regular funções como controle motor, dor, humor e sono – todas frequentemente afetadas em pacientes com Parkinson”, acrescenta o especialista.

Segundo ele, estudos preliminares indicam que o CBD possui propriedades neuroprotetoras e anti-inflamatórias, que podem ajudar a reduzir a rigidez muscular e melhorar o sono. Já o THC, embora psicoativo, também tem mostrado efeitos positivos na redução de espasmos musculares e dores crônicas. A combinação e a dosagem ideais, no entanto, ainda são objetos de pesquisas.

Limitações – Dr. Caboclo destaca ainda que, embora muitos pacientes relatem melhora significativa com o uso da Cannabis medicinal, as evidências científicas são limitadas, e os efeitos variam de pessoa para pessoa.

“Alguns estudos sugerem benefícios como redução da ansiedade e melhora da qualidade de vida, mas ainda precisamos de mais ensaios clínicos controlados para oferecer recomendações seguras e padronizadas”, afirma.

Outro ponto importante são os efeitos colaterais, que incluem sonolência, tontura e alterações cognitivas.

“Por isso, o uso da Cannabis medicinal deve sempre ser acompanhado por um profissional de saúde qualificado. Países como Canadá, Estados Unidos e Brasil já permitem seu uso sob prescrição médica, em situações específicas”, informa Caboclo.

Na passagem do Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson, celebrado em 11 de abril, a comunidade médica e a Sociedade têm uma oportunidade para ampliar os debates sobre alternativas terapêuticas que possam contribuir para melhorar a qualidade de vida desses indivíduos.

“Enquanto a ciência avança, a esperança se mantém viva para os pacientes com a Doença de Parkinson. A Cannabis medicinal pode não ser a cura para o Parkinson, mas representa um caminho promissor na busca por mais qualidade de vida para os indivíduos que sofrem com essa patologia”, conclui o neurologista. Fonte: folhadepiracicaba.

terça-feira, 26 de novembro de 2024

CCJ leva ao plenário utilização de Cannabis medicinal

26/11/2024 - O projeto de lei que autoriza o fornecimento de medicamentos à base de cannabis pelo SUS em Santa Catarina foi aprovado na manhã desta terça-feira, 26, pela Comissão de Constituição e Justiça da Alesc. Agora, a iniciativa da deputada Paulinha (Podemos), que é discutida desde 2021 no Parlamento Catarinense, está pronta para ser votada no plenário da Casa.

"Essa aprovação é mais um passo para aliviar a dor de milhares de famílias catarinenses que enfrentam tantas barreiras para conseguir um tratamento digno. Nosso propósito é fazer a saúde chegar a todos que precisam, com medidas comprovadamente eficazes, sempre com a devida orientação médica e respaldo científico, para garantir mais esperança e qualidade de vida para essas pessoas", destacou a deputada Paulinha.

O texto votado na sessão desta terça-feira amplia o acesso aos medicamentos pelo SUS para além das três condições de epilepsias graves já previstas na portaria da Secretaria de Estado da Saúde: síndrome de Dravet, síndrome de Lennox–Gastaut e Complexo Esclerose Tuberosa. Conforme o texto, caberá ao médico prescrever o uso de medicamentos à base de cannabis nas condições em que o tratamento for necessário.

Dessa forma, a medida poderá atender também pacientes com Alzheimer, Parkinson, fibromialgia, epilepsia, autismo, TDAH, entre outras condições que já tiveram o efeito do medicamento comprovado em tratamentos. Entre os critérios previstos, destaca-se a exigência de prescrição médica e o acompanhamento dentro dos protocolos estabelecidos, garantindo segurança e eficácia no uso dos medicamentos.

Por fim, o texto aprovado também reconhece a importância de legislações semelhantes já implementadas em mais de 15 estados brasileiros. Em São Paulo, por exemplo, a lei já está em vigor, inicialmente atendendo pacientes de três condições de epilepsias graves, os quais já podem receber os medicamentos pelo SUS, com a devida orientação médica. Fonte: Imagem da Ilha.