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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Bloqueio da morte celular pode ser a chave contra Parkinson

Descoberta revela alvo molecular promissor para proteger neurônios

16/01/2026 - A morte progressiva de neurônios é um dos principais motores por trás de doenças neurodegenerativas como Parkinson e Alzheimer, condições que afetam milhões de pessoas e ainda não contam com tratamentos capazes de interromper sua evolução.

Um avanço científico relevante sugere que bloquear seletivamente a morte celular pode abrir caminho para medicamentos capazes de preservar células cerebrais e retardar o avanço dessas doenças.

Quando a morte celular se torna um problema

A morte celular programada é um processo natural e essencial para o equilíbrio do organismo. Entretanto, no cérebro, a ativação excessiva desse mecanismo pode causar a perda irreversível de neurônios, comprometendo funções cognitivas e motoras ao longo do tempo.

Foi justamente esse desequilíbrio que motivou pesquisadores do Instituto Walter e Eliza Hall (WEHI), na Austrália, a investigar novas formas de impedir a morte celular em neurônios, sem interferir em outros processos biológicos essenciais.

Estudo revelou um novo caminho terapêutico

A descoberta foi descrita no estudo científico “Regulação diferencial da atividade apoptótica de BAX e BAK revelada por pequenas moléculas”, publicado na revista Science Advances. A pesquisa foi conduzida por Kaiming Li et al.

O trabalho identificou uma pequena molécula capaz de bloquear seletivamente a ação da proteína BAX, um dos principais gatilhos da morte celular.

Por que a proteína BAX é tão importante?

A proteína BAX desempenha um papel central na ativação da morte celular ao atacar as mitocôndrias, responsáveis pela produção de energia das células. Quando esse processo ocorre de forma descontrolada, as células entram em colapso.

O estudo demonstrou que a molécula identificada consegue impedir que a BAX alcance as mitocôndrias, mantendo as células vivas. Esse efeito é especialmente relevante em neurônios, que possuem capacidade limitada de regeneração e são altamente sensíveis à perda energética.

Tecnologia de triagem acelera a descoberta

Para chegar a esse resultado, os pesquisadores utilizaram uma triagem de alto rendimento, analisando mais de 100 mil compostos químicos. Essa abordagem avançada permitiu identificar substâncias capazes de interferir de forma precisa nos mecanismos da morte celular, algo considerado um grande desafio na farmacologia moderna.

Além disso, a descoberta se apoia em décadas de pesquisas do WEHI sobre apoptose, área que já resultou em terapias inovadoras para o câncer, mas que agora ganha novo foco no campo das doenças neurodegenerativas.

O que esse avanço pode significar no futuro

Ao demonstrar que é possível bloquear a morte celular excessiva, o estudo abre caminho para o desenvolvimento de medicamentos neuroprotetores, capazes de atuar na raiz do problema e não apenas nos sintomas.

Embora ainda sejam necessários estudos adicionais antes da aplicação clínica, o avanço representa um passo decisivo rumo a tratamentos modificadores da doença, algo considerado essencial para mudar o curso de condições como Alzheimer e Parkinson. Fonte: noticias r7.