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sexta-feira, 31 de julho de 2026

Eficácia e segurança do transplante de microbiota fecal na doença de Parkinson: uma revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos randomizados com avaliação GRADE

 31 de julho de 2026 – Resumo

Contexto

A doença de Parkinson (DP) é uma doença neurodegenerativa comum que representa um desafio crescente para a saúde pública. Evidências recentes demonstraram que a disbiose da microbiota intestinal está envolvida na patogênese da DP, despertando interesse no transplante de microbiota fecal (TMF) como uma possível intervenção capaz de modificar o curso da doença. Esta revisão sistemática e meta-análise visa avaliar a eficácia e a segurança do TMF em pacientes com DP.

Métodos

Realizamos uma revisão sistemática da literatura utilizando as bases de dados PubMed, Scopus, Web of Science e Cochrane Library até 4 de junho de 2026, para identificar ensaios clínicos randomizados (ECRs) que comparassem o TMF com placebo ou intervenções de controle na DP. Após a remoção de duplicatas e a triagem de títulos e resumos, seguida pela análise dos textos completos, sete ensaios clínicos randomizados foram incluídos nesta revisão sistemática e meta-análise.

Resultados

Foram analisados ​​sete ensaios clínicos randomizados (ECRs) envolvendo 318 participantes. O TMF foi administrado por meio de cápsulas orais, sondas nasojejunais ou colonoscopia, com períodos de acompanhamento variando de 12 a 52 semanas. A meta-análise indicou uma melhora notável a curto prazo nas atividades motoras diárias, avaliada pela escala MDS-UPDRS Parte II, após um mês (diferença média de -transplante de microbiota fecal (TMF)2,19; intervalo de confiança de 95%: -4,32 a -0,06; P = 0,044). No entanto, não foram observadas estimativas significativas para a MDS-UPDRS Parte III, pontuações agregadas da MDS-UPDRS, complicações motoras, sintomas não motores ou qualidade de vida geral em nenhum dos períodos avaliados. Alguns estudos individuais relataram ganhos na capacidade cognitiva, redução da ansiedade, melhora na qualidade de vida relacionada à constipação e em certas categorias do questionário PDQ-39, embora essas melhorias não tenham sido observadas de forma uniforme. De modo geral, o TMF foi bem tolerado pelos participantes; as reações adversas consistiram principalmente em problemas gastrointestinais leves e autolimitados, sem riscos graves de segurança. 

Conclusões

O FMT é um tratamento seguro para indivíduos com DP e pode oferecer vantagens modestas a curto prazo na execução de tarefas motoras diárias. No entanto, as evidências atuais não indicam melhorias duradouras nas capacidades motoras globais, nos sintomas não motores ou na qualidade de vida. São necessários estudos mais abrangentes e com poder estatístico adequado, utilizando procedimentos de FMT padronizados e períodos de observação mais longos, para esclarecer os benefícios terapêuticos do FMT na doença de Parkinson. Fonte: springer.

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Eficácia e Segurança do Transplante de Microbiota Fecal para a Doença de Parkinson: Uma Revisão Sistemática

28112025 - O transplante de microbiota fecal (TMF) é um procedimento que envolve a transferência de material fecal de um doador saudável para um paciente, com o objetivo de restaurar o equilíbrio intestinal. A disbiose intestinal na doença de Parkinson (DP) agrava os sintomas motores e gastrointestinais. Estudos sugerem que o TMF pode aliviar esses sintomas, melhorando a saúde intestinal e reduzindo a neuroinflamação.

Métodos:  Esta revisão seguiu as diretrizes PRISMA e Cochrane. Uma busca bibliográfica foi realizada nas bases de dados Cochrane Library, PubMed e Scopus. Os artigos foram selecionados para inclusão usando a plataforma Rayyan®, com base em critérios de elegibilidade predefinidos, com quaisquer conflitos resolvidos por consenso.

Resultados:  De 760 registros, quatro estudos preencheram os critérios de inclusão. O TMF demonstrou desfechos variáveis, com melhora dos sintomas variando de 45% a 70% para distúrbios gastrointestinais e função motora. Os eventos adversos foram mínimos, envolvendo principalmente desconforto gastrointestinal leve. O TMF foi eficaz na restauração do equilíbrio da microbiota intestinal e na redução da neuroinflamação. No entanto, a heterogeneidade nas populações de pacientes, nos protocolos de TMF e nos desenhos de estudo complicaram a padronização dos desfechos.

Conclusão:  O TMF oferece uma abordagem terapêutica promissora para a DP, particularmente na melhora dos sintomas gastrointestinais e motores. A variabilidade nas populações de pacientes, nos protocolos de TMF e nos desenhos de estudo destacam a necessidade de metodologias padronizadas e de ensaios clínicos mais abrangentes. Otimizar a administração do TMF e explorar seu papel como tratamento adjuvante às terapias convencionais podem melhorar os desfechos dos pacientes e fornecer uma estratégia inovadora para o manejo da DP. Fonte: scielo.

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Conexão entre microbiota intestinal e Parkinson pode abrir caminho para novos tratamentos

07/08/2025 -Jacy Bezerra Parmera comenta a respeito de estudos que revelam que o Parkinson pode começar no intestino e que o transplante de microbiota surge como esperança de tratamento modificador da doença

Uma proteína chamada alfa-sinucleína, quando mal agregada, está associada ao Parkinson e também é encontrada no intestino

Um artigo científico aponta ligações entre a microbiota intestinal e a doença de Parkinson, o que aumenta as possibilidades de tratamento, uma vez que a relação entre patologias no cérebro e alterações no microbioma intestinal podem levar a novas terapias. A médica Jacy Bezerra Parmera, neurologista do Hospital das Clínicas e docente da Faculdade de Medicina (FM) da USP, explica: “São décadas de estudo, hoje o que se acredita – tem o estudo dinamarquês, que é um estudo novo– é que existam pessoas nas quais a doença de Parkinson se inicia no cérebro. Inclusive, nós chamamos esse grupo de pessoas de brain first, primeiro cérebro. E existem outros grupos de pessoas em que a doença se iniciaria no intestino. E daí nós chamamos esse grupo de indivíduos de body first. Então existe essa linha de pesquisa em doença de Parkinson associada à microbiota intestinal e ao intestino.

Jacy reforça que cerca de 90% dos pacientes com Parkinson sofrem de constipação e outros distúrbios gastrointestinais, sintomas que muitas vezes precedem os problemas motores, como tremores e rigidez. Uma proteína chamada alfa-sinucleína, quando mal agregada, está associada ao Parkinson e também é encontrada no intestino. “Essa proteína é encontrada no intestino e acredita-se que a hiperprodução dessa proteína possa estar relacionada a alterações da microbiota. Você, renovando a microbiota intestinal, poderia diminuir a hiperprodução dessa proteína alterada”, explica a especialista.

O tratamento testado na Bélgica – o transplante de microbiota fecal (TMF) – busca restaurar o equilíbrio intestinal. Jacy explica que esses ensaios clínicos ainda estão em fases iniciais (1 e 2), sendo realizados principalmente em centros europeus e norte-americanos. Ela ressaltou que, atualmente, não existem estudos específicos sobre essa abordagem para Parkinson no Brasil.

Mais evidências

A neurologista destaca a necessidade de mais evidências para comprovar se esse método pode se tornar um tratamento modificador da doença – capaz de interromper sua progressão, e não apenas aliviar sintomas. Ela enfatiza que, embora os tratamentos sintomáticos atuais sejam eficazes, a medicina ainda carece de terapias que possam estacionar o avanço do Parkinson.

Jacy destaca que é possível oferecer qualidade de vida aos pacientes mesmo com os tratamentos atuais. “Hoje, a gente tem tratamentos medicamentosos que conseguem conter os sintomas por décadas”, explica. Além dos medicamentos, ela cita a importância da estimulação cerebral profunda para casos mais avançados e reforça a necessidade de acompanhamento multidisciplinar, incluindo fisioterapia e cuidados nutricionais.

Sobre os próximos passos da pesquisa, a neurologista é enfática: “É possível que existam pessoas que comecem no cérebro e outras no intestino. (…) Embora a gente tenha um tratamento sintomático eficaz, a gente realmente precisa muito de um tratamento modificador para estacionar a doença.”. Ela acredita que, quanto mais linhas de pesquisa forem exploradas, maiores as chances de se encontrar terapias inovadoras. “É importante a gente entender e diminuir o estigma da doença de Parkinson, no sentido de que, às vezes, as pessoas recebem o diagnóstico e acham que não vão ter tratamento, que não vão conseguir mais trabalhar, o que não é verdade”, finaliza. Fonte: usp.