Pesquisa investiga como exercício aeróbico e tarefas cognitivas podem reduzir a sobrecarga do córtex pré-frontal em pacientes
27.04.2026 - Estudo propõe novas abordagens que melhorem a autonomia e a qualidade de vida das pessoas com Parkinson
Unir atividade física aeróbica a estímulos cognitivos produz ganhos no controle mental de pessoas com doença de Parkinson, segundo pesquisa desenvolvida na Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo.
O trabalho analisou os efeitos imediatos de três tipos de intervenção — exercício em bicicleta ergométrica, tarefas cognitivas isoladas e a combinação das duas — sobre a automaticidade do andar, a atividade cerebral e as funções executivas de 20 voluntários com a condição.
Os resultados apontaram melhora na flexibilidade mental e no controle inibitório dos participantes, mesmo após sessões únicas de aproximadamente 30 minutos.
A lógica por trás da pesquisa
O Parkinson provoca a degeneração de estruturas cerebrais responsáveis pela automatização dos movimentos. Com isso, tarefas cotidianas como caminhar deixam de ser inconscientes e passam a exigir esforço cognitivo constante.
O córtex pré-frontal assume uma função compensatória, o que gera sobrecarga, lentidão e redução da eficiência nos movimentos — fatores que elevam o risco de quedas e comprometem a qualidade de vida. O tratamento medicamentoso, embora necessário, não resolve esse problema específico.
A pesquisa, conduzida por Jumes Leopoldino Oliveira Lira sob orientação do professor Carlos Ugrinowitsch, partiu exatamente dessa lacuna para investigar se intervenções não farmacológicas poderiam atuar sobre a automaticidade do andar e o desempenho executivo dos pacientes.
Como o experimento foi realizado
Os 20 voluntários selecionados visitaram o Laboratório de Biomecânica da EEFE em quatro ocasiões, com intervalo de uma semana entre cada uma.
Na primeira, foram levantados dados sobre saúde e condição física. Nas três seguintes, cada participante passou, em ordem aleatória, pelas três modalidades de intervenção.
As sessões cognitivas incluíam cálculos e sequências de números, letras e cores, com o objetivo de avaliar memória de trabalho, flexibilidade mental e controle inibitório. O desempenho motor e executivo foi medido antes e imediatamente após cada sessão.
Os resultados não indicaram diferenças estatisticamente relevantes entre as modalidades para automaticidade do andar ou atividade do córtex pré-frontal. Ainda assim, houve melhora observável na flexibilidade mental e no controle inibitório em comparação com os dados coletados antes das intervenções.
Também foi registrada uma tendência de menor variação no tempo de passo durante tarefas simples — sinal de que mesmo uma única sessão pode mobilizar regiões corticais ligadas ao controle motor e cognitivo.
Perspectivas para novos estudos
Por ser o primeiro trabalho a examinar os efeitos imediatos dessas três modalidades sobre a automaticidade do andar em pessoas com Parkinson, a pesquisa abre espaço para investigações futuras com maior número de participantes e períodos mais longos de acompanhamento.
Estima-se que mais de 500 mil brasileiros vivam com Parkinson, condição neurológica crônica e progressiva.
O estudo está disponível na íntegra no Banco de Teses da USP, sob o título “Efeitos agudos do exercício aeróbico com e sem tarefas cognitivas na automaticidade do andar, na atividade do córtex pré-frontal e nas funções executivas de indivíduos com a doença de Parkinson: um ensaio clínico controlado e randomizado duplo cego”. Fonte: oantagonista.
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