17 de janeiro de 2026 - Seus horários de evacuação podem dizer mais sobre sua saúde do que você imagina. Um novo estudo descobriu que a frequência das evacuações pode ser um indicador poderoso de bem-estar geral. Pesquisadores identificaram um “ponto ideal” de uma a duas evacuações por dia associado aos melhores resultados de saúde — desafiando a visão comum de que problemas digestivos são apenas pequenos incômodos.
Com que frequência você evacua por dia? É uma pergunta que a maioria das pessoas evita, mas a ciência sugere que importa. Um estudo de 2024 publicado na Cell Reports Medicine destaca como a frequência das suas evacuações pode influenciar tanto sua fisiologia quanto sua saúde a longo prazo.
Ritmo intestinal, um reflexo da saúde geral
Sean Gibbons, pesquisador principal do Instituto de Biologia de Sistemas, espera que essas descobertas “abram a mente dos médicos para os riscos de um controle inadequado da frequência das evacuações”. Muitas vezes, diz ele, os médicos descartam evacuações irregulares como um pequeno “incômodo”.
Ao contrário de pesquisas anteriores que se concentravam em pacientes já doentes, este estudo analisou mais de 1.400 adultos saudáveis sem doenças ativas. Isso permitiu que a equipe observasse os efeitos reais da frequência das evacuações em pessoas saudáveis.
Toxinas no sangue de pessoas constipadas
Os participantes forneceram amostras de sangue e fezes e responderam a questionários detalhados sobre dieta e estilo de vida. Eles foram agrupados em quatro categorias: constipação (uma ou duas evacuações por semana), baixa a normal (três a seis por semana), alta a normal (uma a três por dia) e diarreia.
Os pesquisadores descobriram que, quando as fezes permanecem por muito tempo nos intestinos, os micróbios intestinais ficam sem fibras — seu alimento preferido — e começam a fermentar proteínas. Esse processo cria compostos tóxicos, como o sulfato de p-cresol e o sulfato de indoxil.
E se suas evacuações fossem o barômetro mais confiável da sua saúde?
“Descobrimos que mesmo pessoas saudáveis com constipação apresentavam níveis mais altos dessas toxinas na corrente sanguínea”, diz Gibbons. Esses compostos podem prejudicar os rins e podem explicar por que a constipação crônica está ligada a maiores riscos de doenças. Diarreia e seus efeitos no fígado
No extremo oposto, a diarreia frequente apresentou sinais químicos de inflamação e estresse hepático. Durante os episódios de diarreia, o corpo perde ácidos biliares — normalmente reciclados pelo fígado para digerir gorduras.
Esse desequilíbrio força o fígado a trabalhar em excesso, levando ao estresse oxidativo e possíveis danos a longo prazo. A inflamação intestinal que acompanha a diarreia também dificulta a vida das bactérias anaeróbias estritas, as bactérias intestinais fermentadoras de fibras vitais para a boa saúde.
Esses micróbios benéficos prosperam no que os cientistas chamam de "zona ideal": uma a duas evacuações por dia. Gibbons observa que mais estudos ajudarão a refinar esse equilíbrio ideal.
Fatores-chave para um trânsito intestinal equilibrado
Os dados mostraram que adultos mais jovens, mulheres e pessoas com IMC mais baixo tendem a ter menos evacuações. Diferenças hormonais e neurológicas, juntamente com o fato de os homens geralmente comerem mais, podem explicar essa diferença.
Ao comparar amostras biológicas com dados de estilo de vida, os pesquisadores encontraram um padrão claro entre aqueles na “zona ideal”: maior consumo de frutas e vegetais, boa hidratação, exercícios regulares e uma dieta predominantemente à base de plantas.
O próximo passo pode envolver um ensaio clínico de longo prazo para testar se a otimização da frequência intestinal pode prevenir doenças. Por enquanto, a mensagem é simples: mantenha-se hidratado, consuma alimentos ricos em fibras e mantenha o ritmo intestinal regular para um bem-estar geral melhor. Fonte: futura-sciences.

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