sábado, 31 de janeiro de 2026

Pulsos de dióxido de carbono eliminam toxinas de cérebro de pacientes com Parkinson, diz estudo

Pesquisadores descobriram que manipular a quantidade de dióxido de carbono que uma pessoa respira pode ativar sistema de eliminação de resíduos tóxicos do cérebro

31/01/2026 - Estudo liderado por neurocientistas da Universidade do Novo México (UNM) e da The Mind Research Network, nos EUA, oferece uma possibilidade de tratamento usando um sistema de eliminação do cérebro que só foi identificado em humanos na última década.

As descobertas sugerem que o aumento intermitente dos níveis de CO2 no sangue pode ajudar a eliminar resíduos tóxicos do cérebro – talvez até mesmo prevenindo doenças neurológicas associadas a essas toxinas, como Parkinson ou Alzheimer, relata o Science Alert.

Em experimentos recentes com participantes saudáveis ​​e pessoas com doença de Parkinson, pesquisadores descobriram que a aplicação de pulsos rítmicos de ar rico em CO2 por curtos períodos melhorou o fluxo do sistema de eliminação de resíduos do cérebro.

Os cientistas ainda não sabem ao certo por que isso acontece, mas a flutuação dos níveis de CO2 pode causar a dilatação e a constrição dos vasos sanguíneos. Esse movimento pode estar impulsionando a circulação do líquido cefalorraquidiano (LCR) – o líquido transparente localizado atrás do sistema glinfático que banha o cérebro e a medula espinhal.

Normalmente, enquanto uma pessoa dorme, ondas ocultas de LCR eliminam gradualmente os resíduos do cérebro. Mas problemas de sono são comuns em pacientes com Parkinson, possivelmente levando ao acúmulo de proteínas malformadas.

O fluxo sanguíneo cerebral também parece menos ajustável em casos de Parkinson, e o cérebro geralmente contém concentrações maiores de proteínas malformadas com efeitos potencialmente tóxicos. Assim, alguns pesquisadores levantaram a hipótese de que o sistema de limpeza do cérebro seja a base da doença neurológica.

Agora, os cientistas querem descobrir como manipular o sistema glinfático para manter o cérebro saudável. O dióxido de carbono pode ser uma maneira eficaz de fazer exatamente isso.

Em experimentos, 63 adultos mais velhos, 30 dos quais com Parkinson, foram submetidos a exames de ressonância magnética com contraste BOLD enquanto respiravam ciclos de breves elevações de CO₂ por cerca de 35 segundos, seguidos por ar normal.

Essa intervenção, conhecida como hipercapnia intermitente, aumenta temporariamente os níveis de CO₂ no sangue. Tanto em participantes saudáveis ​​quanto naqueles com Parkinson, ela alterou o fluxo do líquido cefalorraquidiano.

"Nós fizemos um brainstorming sobre como poderíamos potencializar essa resposta", diz a neuropsicóloga Sephira Ryman, da UNM. Em outro experimento, envolvendo 10 participantes, 5 dos quais com Parkinson, os participantes foram submetidos a três sessões de 10 minutos de hipercapnia intermitente. Os níveis de CO₂ no sangue foram medidos aproximadamente 45, 90 e 150 minutos depois.

Tanto os participantes saudáveis ​​quanto aqueles com Parkinson apresentaram aumento do fluxo sanguíneo no líquido cefalorraquidiano e da depuração glinfática. Os resíduos metabólicos cerebrais também aumentaram no sangue, sugerindo uma melhor eliminação.

Um participante do estudo apresentou evidências de proteínas beta-amiloides no sangue, um biomarcador da doença de Alzheimer. Após as sessões de hipercapnia intermitente, seus níveis plasmáticos dessas toxinas aumentaram significativamente.

"A hipercapnia intermitente pode ser capaz de eliminar peptídeos e proteínas implicados na doença de Alzheimer, destacando seu potencial como uma terapia modificadora da doença para pacientes com Alzheimer", especulam os autores.

Ainda não se sabe se essas alterações são duradouras ou têm um impacto significativo na patologia da doença. Embora as toxinas no cérebro estejam associadas ao Alzheimer e ao Parkinson, não está claro se elas atuam ativamente na progressão da doença ou se são apenas subprodutos.

Ryman e seus colegas estão agora investigando se práticas que se concentram na respiração abdominal, como ioga, tai chi e qigong, também podem impactar os níveis de dióxido de carbono e a eliminação dessas toxinas pelo cérebro de maneira semelhante.

O estudo foi publicado no periódico NPJ Parkinson's. Fonte: Época negócios.

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