16 de dezembro de 2025
- Os neurologistas Ray Dorsey e Michael Okun alertaram, em entrevista
ao The Telegraph, que ações simples como dieta, qualidade do ar
interno e rotina de sono podem influenciar o desenvolvimento de
riscos neurológicos.
As evidências
científicas sobre a doença de Parkinson estão em um momento
crucial, de acordo com dois dos especialistas mais renomados na área,
os médicos americanos Ray Dorsey e Michael Okun.
Dorsey e Okun afirmam
que o aumento global de casos está relacionado a compostos presentes
em alimentos e produtos domésticos. Ambos alertaram, em entrevista
ao The Telegraph, sobre a "pandemia de Parkinson",
impulsionada por fatores ambientais presentes em produtos do dia a
dia. A prevalência de casos está aumentando a uma taxa sem
precedentes: o Estudo Global da Carga de Doenças estimou que, em
2021, havia 11,8 milhões de pessoas com esse distúrbio neurológico,
quase o dobro do número de seis anos antes.
O aumento nos
diagnósticos entre jovens agrava a situação. Os médicos relataram
atender mais pacientes entre 30 e 40 anos. Pesquisas recentes
destacaram que substâncias químicas presentes nos alimentos, na
água e no ar, às quais as pessoas são expostas desde a infância,
são fatores contribuintes importantes.
Os 3 hábitos naturais
comprovados pela ciência para melhorar a saúde intestinal e
prevenir doenças digestivas
Dorsey afirmou: “A
doença de Parkinson não é uma consequência natural do
envelhecimento. É antinatural. Não é inevitável; é evitável.”
Ambos os médicos disseram ao veículo de comunicação britânico
que as principais causas são externas ao corpo e estão ligadas a
poluentes ambientais, especialmente pesticidas e solventes
industriais.
Uma nova perspectiva
sobre os fatores de risco
Em seu livro, "The
Parkinson's Plan: A New Path to Prevention and Treatment" (O
Plano de Parkinson: Um Novo Caminho para a Prevenção e o
Tratamento), Dorsey e Okun argumentam que o aumento global de casos
está relacionado a compostos presentes em alimentos e produtos
domésticos.
Eles sugerem que, se a
doença de Parkinson tem origem em substâncias químicas ambientais,
então é uma doença evitável e propõem um guia de ações
individuais para reduzir o risco:
1. Lave bem as frutas e
verduras
Os especialistas
desaconselharam limitar a higiene apenas à água corrente. Dorsey
afirmou: "Eu lavo minhas frutas com água e sabão porque alguns
dos pesticidas associados à doença de Parkinson se dissolvem na
gordura."
Sugere-se lavar os
produtos por mais de 30 segundos e considerar soluções com vinagre
ou sal. Alerta-se que mesmo produtos orgânicos podem conter resíduos
nocivos, especialmente quando provenientes de países com
regulamentações menos rigorosas.
2. Adote uma dieta
mediterrânea
O livro Parkinson's 25
destaca que uma dieta mediterrânea, rica em frutas e verduras e
pobre em produtos de origem animal, pode estar associada a um menor
risco de desenvolver a doença.
A redução no consumo
de carne de animais expostos a pesticidas e o aumento da ingestão de
antioxidantes explicam parcialmente esse efeito. Também se aconselha
a escolha de vinhos orgânicos, visto que níveis significativos de
contaminação foram detectados em variedades convencionais na
França.
3. Incorpore exercícios
físicos regulares e intensos
Okun apontou que o
exercício atua como um escudo neuronal: “O exercício libera
fatores de crescimento no cérebro que protegem os neurônios.”
Ele recomendou
atividade intensa três vezes por semana e uma meta de 7.000 a 7.500
passos diários como diretriz. A consistência na atividade física
promove a proteção dos neurônios produtores de dopamina.
4. Priorize um sono
reparador à noite.
Use purificadores de
ar. Usar purificadores de ar e verificar os rótulos dos produtos
domésticos ajuda a minimizar a exposição a compostos tóxicos
ligados à doença de Parkinson. Dorsey enfatizou que o ar interno
pode conter partículas e gases associados ao Parkinson. Ele afirmou
que “os purificadores de ar podem remover algumas das partículas e
gases que foram associados à doença”. Ele recomendou avaliar a
qualidade do ar em residências, escolas e locais de trabalho.
7. Filtre sua água.
Os autores citaram o
caso de uma base militar dos EUA onde a exposição a produtos
químicos na água potável aumentou o risco de doença de Parkinson
em 70%. Filtrar a água reduz a presença de pesticidas e outros
compostos perigosos. Okun considera essa medida uma das mais
acessíveis e valiosas.
8. Tome precauções
extras ao jardinhar.
De acordo com
especialistas, a exposição prolongada a herbicidas e inseticidas
aumenta significativamente o risco de desenvolver a doença.
O uso de herbicidas e
pesticidas domésticos representa um risco significativo. Segundo o
Plano Parkinson, aqueles expostos a herbicidas por 160 dias tiveram
70% mais chances de desenvolver a doença, e a exposição a
inseticidas aumentou o risco em 50%. Recomenda-se o uso de luvas e
máscaras, e produtos que contenham glifosato devem ser evitados.
9. Verifique os rótulos
dos produtos domésticos. Piretróides como a permetrina, encontrados
em coleiras antipulgas, sprays e roupas, foram associados, em
estudos, à perda de células nervosas produtoras de dopamina. Dorsey
alertou contra o uso desses compostos e sugeriu manter as crianças
afastadas durante a aplicação.
As evidências destacam
que, embora a genética desempenhe um papel, os poluentes ambientais
e as escolhas cotidianas têm uma influência decisiva no
desenvolvimento e na prevenção da doença de Parkinson. Fonte:
infobae.