terça-feira, 29 de julho de 2025

Respiração e coração: o que músculos inspiratórios têm a ver com a saúde cardíaca

Estudo mostra que treinamento muscular inspiratório pode ajudar o organismo a se adaptar melhor a mudanças posturais provocadas pelo Parkinson

28/07/2025 - De repente, o corpo se curva, o passo fica mais lento, as mãos tremem, a fala enfraquece e a memória recente começa a falhar. Esses sinais, muitas vezes associados ao envelhecimento, podem também ser sintomas da doença de Parkinson, uma condição neurológica progressiva que afeta principalmente pessoas com mais de 60 anos.

Descrita pela primeira vez em 1817, pelo médico britânico James Parkinson, a doença é a segunda condição neurodegenerativa mais comum no mundo, perdendo apenas para o Alzheimer. Estima-se que cerca de 1% das pessoas com mais de 65 anos convivam com o Parkinson. No Brasil, esse número gira em torno de 200 mil pacientes diagnosticados.

Por que decidi pesquisar Parkinson?

Há alguns anos, decidi me aprofundar no estudo da doença de Parkinson impulsionado pela sua forte relação com o sistema nervoso autônomo, meu foco de estudo desde o começo da carreira.

Como pesquisador do Departamento de Fisiologia e Farmacologia da Universidade Federal Fluminense, busco entender não apenas como a doença afeta o sistema nervoso autônomo, mas também como o corpo pode se adaptar, mesmo em meio à degeneração neurológica. E, recentemente, isso nos levou a investigar algo aparentemente simples, mas extremamente promissor: a respiração.

No dia 21 de julho, tivemos a satisfação de ver nosso artigo científico publicado no periódico Autonomic Neuroscience: Basic and Clinical, da editora Elsevier. O estudo aponta que um treinamento respiratório feito em casa pode melhorar a função autonômica cardíaca de pacientes com Parkinson.

Treinar os músculos da respiração: uma proposta sem remédio

A proposta do nosso estudo foi testar os efeitos do treinamento muscular inspiratório, conhecido pela sigla TMI, que é um tipo de exercício feito com aparelhos simples, que aumentam a resistência à inspiração, fortalecendo os músculos responsáveis por puxar o ar para os pulmões.

Essa técnica já é usada com sucesso em diversas populações, como atletas, idosos e pessoas com doenças respiratórias. No nosso caso, queríamos saber se esse treinamento poderia melhorar o controle autonômico do coração, ou seja, a forma como o sistema nervoso regula, automaticamente, a frequência cardíaca e a resposta do corpo a mudanças posturais, como levantar-se de uma cadeira ou da cama.

O sistema nervoso autônomo possui dois ramos principais: o simpático, que acelera o coração em situações de estresse, e o parassimpático ou vagal, que atua como freio, diminuindo a frequência cardíaca em momentos de repouso. Em pacientes com Parkinson, esse equilíbrio costuma estar comprometido, especialmente durante situações de estresse postural, como a mudança da posição sentada para a em pé, o que pode levar a tonturas, queda de pressão e até desmaios.

Nosso experimento: respiração e sistema nervoso

No estudo, avaliamos oito pacientes com doença de Parkinson e oito voluntários saudáveis, em idades semelhantes. Eles passaram por cinco semanas de treinamento muscular inspiratório em casa, utilizando aparelhos simples que aumentam a resistência à inspiração.

Antes e depois do programa, medimos dois indicadores principais: a pressão inspiratória máxima — uma medida da força dos músculos respiratórios; e a variabilidade da frequência cardíaca — uma forma de avaliar a saúde do sistema nervoso autônomo, especialmente a atividade vagal.

Os testes foram feitos em duas situações: na posição sentada que foi identificada como repouso, e durante estresse ortostático, que é uma situação em que o corpo é desafiado a manter a pressão arterial estável ao ficar em pé.

Resultados promissores, especialmente para quem tem Parkinson

Ambos os grupos (com e sem Parkinson) apresentaram melhora na força muscular inspiratória e na atividade vagal em repouso. Mas o que mais nos chamou a atenção foi que apenas os pacientes com Parkinson mostraram melhora na resposta do coração ao estresse ortostático após o treinamento.

Isso sugere que esse tipo de treinamento pode ajudar o organismo a se adaptar melhor a mudanças posturais, o que pode reduzir sintomas como tonturas, fadiga e até quedas, tão comuns em pessoas com Parkinson.

Por que a respiração afeta o coração?

A relação entre respiração e batimentos cardíacos é profunda. A cada inspiração, o coração tende a acelerar levemente; ao expirar, ele desacelera. Esse fenômeno é regulado, em grande parte, pelo nervo vago, importante componente do sistema nervoso parassimpático.

O treinamento inspiratório parece influenciar esse equilíbrio ao prolongar o tempo da expiração, o que favorece a ação vagal sobre o coração. Em outras palavras: ao treinar os músculos respiratórios, estamos estimulando uma parte do sistema nervoso que protege o coração e ajuda a controlar a pressão arterial.

O que já sabíamos e o que ainda precisamos saber

Nossos achados estão em linha com nosso estudo anteriorde revisão sistemática da literatura, publicado no Archives of Gerontology and Geriatrics que mostra que o treinamento inspiratório pode melhorar a modulação vagal cardíaca, a pressão arterial e o desempenho físico mesmo em idosos considerados saudáveis. Mas o nosso recém publicado artigo traz um dado novo: apenas cinco semanas de treinamento já são suficientes para gerar benefícios autonômicos relevantes, destacando ainda a forma segura e prática, pois foi realizado no próprio ambiente domiciliar dos pacientes.

Claro que ainda temos muito a investigar. Nosso estudo foi um piloto, com número reduzido de participantes. E não avaliamos pacientes com Parkinson avançado e com sintomas severos da doença, e que exigiriam acompanhamento mais rigoroso.

Planejamos ampliar a amostra e incluir testes mais detalhados de disfunção autonômica, como o teste de inclinação (head-up tilt). Mas já podemos dizer que o treinamento inspiratório se mostra uma ferramenta promissora, barata e de fácil aplicação no manejo da doença. Fonte: apm.

domingo, 27 de julho de 2025

Proteção contra o Parkinson pode estar em nova molécula

Novas pesquisas de drogas na medicina

270725 - Desde a virada do milênio, multiplicam-se os estudos científicos que demonstram efeitos positivos de psicodélicos em tratamentos de transtornos mentais. De lá para cá, vemos em países como Austrália e Estados Unidos, algumas dessas substâncias sendo incorporadas à prática médica. No Brasil, apesar de a maioria dos psicodélicos ainda ser proibida, a Anvisa tem demonstrado abertura ao diálogo com a comunidade científica. Mas, enquanto as aprovações clínicas não vêm, o país avança nas pesquisas, com diversos institutos fazendo descobertas importantes, que vão além dos tratamentos de transtornos mentais.

O cientista Stevens Rehen, professor licenciado da Universidade Federal do Rio de Janeiro, lidera no Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino um grupo que contribui de forma relevante e sistemática para o avanço da ciência psicodélica. Para Rehen, que também conduz estudos nos institutos Usona e Promega Corporation, nos Estados Unidos, a fronteira da pesquisa no campo está na compreensão dos efeitos de psicodélicos em mecanismos relacionados ao envelhecimento e a doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson.

Em entrevista ao GLOBO, o cientista fala sobre as contribuições do seu grupo para essas novas frentes de pesquisa, conta como a inteligência artificial vem ajudando a desenvolver uma medicina psicodélica de precisão, e comemora os avanços regulatórios no Brasil.

Passados alguns anos de hype da ciência psicodélica, o que você destacaria como seus principais êxitos?

O principal é a revalidação clínica e científica, com novas tecnologias e metodologias, do potencial terapêutico dos psicodélicos. Estudos clínicos mostram que compostos como psilocibina, DMT, LSD e MDMA produzem respostas rápidas, duradouras e clinicamente relevantes em transtornos como depressão resistente, ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático e dependência química. A curto e médio prazos, há expectativa concreta de aprovação clínica da psilocibina nos Estados Unidos, especialmente para depressão resistente. Na Austrália, desde 2023, psiquiatras autorizados podem prescrever psilocibina em contexto clínico supervisionado. Esses avanços sinalizam que os psicodélicos estão se aproximando cada vez mais da prática médica convencional com rigor, segurança e base científica. Paralelamente, cresce a profissionalização das terapias assistidas por psicodélicos, com programas certificados de formação e integração psicoterapêutica. Estamos diante de uma possível mudança de paradigma no tratamento de transtornos mentais.

Além de transtornos mentais, há pesquisas promissoras aplicáveis a outras áreas da medicina?

Duas outras linhas vêm ganhando destaque. Uma extremamente recente investiga os efeitos geroprotetores dos psicodélicos. Este mês, pesquisadores dos Estados Unidos demonstraram que a psilocibina aumenta a longevidade de camundongos idosos e prolonga a vida útil de células humanas. Também este mês, nosso grupo no Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino demonstrou que o LSD é capaz de prolongar em até 25% a vida de Caenorhabditis elegans — um pequeno animal muito usado em pesquisas sobre envelhecimento. Outra é a aplicação de psicodélicos em doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson. Diversos estudos, inclusive os nossos, mostram que psicodélicos podem ajudar a modular redes neuronais, reduzir inflamação e reprogramar circuitos celulares associados à degeneração. Fomos pioneiros ao observar esses efeitos tanto em C. elegans quanto em organoides cerebrais humanos. Esses estudos sugerem que, além de suas aplicações na saúde mental, os psicodélicos também podem atuar em mecanismos fundamentais relacionados ao envelhecimento e a doenças neurodegenerativas, abrindo novas possibilidades terapêuticas para promover saúde ao longo da vida.

O seu grupo do IDOR se destaca pelo uso de organoides como modelo de pesquisa. Quais as vantagens desse modelo em estudos com psicodélicos medicinais?

O uso de organoides cerebrais humanos derivados de células-tronco tem sido transformador na biologia. Essas entidades celulares tridimensionais mimetizam aspectos-chave do desenvolvimento e da organização celular do cérebro humano, com presença de neurônios e outras células do sistema nervoso. Eles nos permitem testar os efeitos de psicodélicos diretamente em tecido humano vivo. Integramos essa abordagem com tecnologias de imagem de alta resolução, proteômica (estudo das proteínas das células), transcriptômica (estudo de RNA mensageiro) e, mais recentemente, inteligência artificial. Esse modelo tem sido especialmente útil para testar compostos em organoides de pacientes com doenças específicas. Isso abre caminho para triagens mais refinadas e abordagens personalizadas, integrando psicodélicos, genética e bioengenharia.

A inteligência artificial pode se tornar uma aliada ?

Sim, e já estamos utilizando de forma intensiva. A IA permite analisar volumes massivos de dados morfológicos, metabólicos e ômicos (ligados à ciência do DNA) gerados por experimentos com organoides. Por exemplo, em parceria com a empresa Promega, treinamos algoritmos para reconhecer padrões metabólicos, alterações mitocondriais e biomarcadores após o uso de psicodélicos. E começamos a usar modelos de machine learning para prever a resposta de organoides derivados de diferentes indivíduos. Isso é essencial para avançar em direção à medicina de precisão psicodélica — ou seja, prever quais compostos são mais eficazes para quais pacientes, com base em características celulares e moleculares.

Terapias psicodélicas e cannabis medicinal: Brasil avança na regulamentação de substâncias psicoativas

Quais os principais desafios para a pesquisa com psicodélicos hoje?

Muitos psicodélicos seguem classificados como substâncias controladas no Brasil, o que implica que são legalmente considerados de alto potencial de abuso e sem uso terapêutico aceito; uma definição que contrasta com as evidências científicas. Isso dificulta o financiamento de pesquisas e impõe barreiras logísticas. Além disso, há uma resistência cultural significativa, alimentada por décadas de estigmatização e desinformação. Ainda assim, existem avanços importantes. A Anvisa tem demonstrado abertura ao diálogo com a comunidade científica e o uso ritual da ayahuasca é reconhecido e protegido legalmente no país. Se o Brasil conseguir construir pontes sólidas entre ciência, regulação e saberes tradicionais, há potencial para se tornar uma referência global em inovação psicodélica, com ética, diversidade e sustentabilidade. Fonte: oglobo.

quinta-feira, 24 de julho de 2025

HHS lança ambicioso programa de células-tronco para restaurar a função cerebral

18 de julho de 2025 - O governo federal está procurando pesquisadores que possam, em 5 anos, desenvolver tratamentos com células-tronco para reparar danos cerebrais causados por acidente vascular cerebral (AVC), neurodegeneração e trauma.

O programa Reparo Funcional do Tecido Neocortical (FRONT) premiará cientistas que conseguirem produzir tecido de enxerto comercialmente viável e desenvolver procedimentos de enxerto para recuperação funcional do cérebro, de acordo com uma solicitação de propostas emitida pela Agência de Projetos de Pesquisa Avançada para a Saúde, que faz parte do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA (HHS).

O programa terá como alvo específico a maior região do cérebro, o neocórtex, responsável pelo funcionamento cognitivo superior, incluindo atenção, pensamento, percepção e memória episódica. As autoridades disseram que o objetivo é desenvolver tecnologia para reparar danos a essa parte do cérebro causados por acidente vascular cerebral (AVC), traumatismo craniano ou outras condições neurodegenerativas.

“Não existe tecnologia para reparar tecidos danificados e restaurar completamente a função perdida”, afirmou Jean Hebert, PhD, gerente do programa FRONT, em um comunicado. “Isso permitirá que milhões de indivíduos com o que atualmente é considerado dano cerebral permanente recuperem funções perdidas, como controle motor, visão e fala.”

No entanto, a meta de desenvolver essa tecnologia em 5 anos é “muito, muito ambiciosa”, disse Brent E. Masel, MD, diretor médico nacional da Brain Injury Association of America e professor clínico de neurologia na University of Texas Medical Branch, em Galveston, Texas, ao Medscape Medical News.

“É o proverbial tiro à lua”, disse ele. “Levará mais de 4 ou 5 anos para que isso seja realizado.”

Notavelmente, não há menção no anúncio do HHS ou na solicitação de propostas sobre quanto dinheiro poderia ser concedido aos pesquisadores.

Os projetos financiados pelo programa FRONT utilizarão apenas células-tronco desdiferenciadas derivadas de adultos. Propostas que exijam o uso de tecido embrionário ou fetal humano ou tecido quimérico humano-animal não serão aceitas, de acordo com a solicitação.

As restrições quanto aos tipos de células-tronco a serem consideradas não devem ser um obstáculo, disse Masel.

“Quinze anos atrás, isso teria sido uma limitação”, disse ele, acrescentando que muitos pesquisadores agora trabalham com células desdiferenciadas derivadas de adultos.

Alguns pesquisadores estão avançando no uso de células-tronco em doenças cerebrais.

Conforme relatado pelo Medscape Medical News em abril, um grupo em Tóquio, Japão, e outro grupo no Memorial Sloan Kettering Cancer Center, na cidade de Nova York, relataram resultados positivos em estudos iniciais sobre o uso de células-tronco para produzir dopamina no cérebro de pacientes com doença de Parkinson.

Em maio de 2024, pesquisadores da Universidade Stanford, em Stanford, Califórnia, relataram na Academia Americana de Cirurgia Neurológica que um pequeno número de pacientes com AVC que receberam transplantes de células-tronco neurais recuperaram parte da função motora.

Pesquisadores interessados no programa FRONT têm até 18 de agosto para enviar um resumo da proposta. As propostas finais devem ser entregues até 25 de setembro.

Masel relatou que trabalha em uma rede de clínicas de reabilitação de lesões cerebrais com fins lucrativos. Fonte: medscape.

sexta-feira, 11 de julho de 2025

Hipotensão: Quando a pressão arterial baixa pode ser um alerta para a saúde

11-07-2025 - A pressão arterial baixa, conhecida como hipotensão, pode passar despercebida por muitas pessoas, mas, em alguns casos, merece atenção médica.

A pressão arterial é essencial para garantir que o sangue chegue a todos os órgãos e tecidos do corpo humano. No entanto, quando essa pressão está abaixo do considerado normal — ou seja, inferior a 120/80 mmHg — pode indicar um quadro de hipotensão.

Embora a hipotensão nem sempre represente um problema grave, quando acompanhada de sintomas, deve ser investigada. Tonturas ao levantar-se, desequilíbrio, desmaios, fadiga, visão turva e até dificuldades de concentração estão entre os sinais mais frequentes da condição.

Entre as causas mais comuns estão a gravidez (especialmente nos primeiros meses), uso de determinados medicamentos (como diuréticos e fármacos para hipertensão, Parkinson ou depressão), desidratação, reações alérgicas severas, problemas cardíacos e endócrinos, bem como carências nutricionais, como deficiência de vitamina B12 ou ácido fólico.

Especialistas recomendam que quem sofre de sintomas frequentes mantenha um registo detalhado dos episódios, incluindo o que estava a fazer no momento em que os sintomas surgiram, indica a CUF.

O tratamento varia de acordo com a causa subjacente. Em casos leves e sem sintomas, pode não ser necessário qualquer tipo de intervenção, no entanto, se a pressão arterial baixa estiver relacionada com medicamentos ou outras doenças, pode ser necessário ajustar o tratamento ou mesmo recorrer a medicamentos para estabilizar os níveis.

A prevenção também é possível através de mudanças simples no estilo de vida: levantar-se devagar, fazer refeições leves e frequentes, aumentar a ingestão de água, evitar longos períodos em pé ou sentado, e reduzir o consumo de álcool ou cafeína, especialmente ao final do dia. Fonte: noticiasdecoimbra.

Terapias genéticas investigacionais para a doença de Parkinson

10 de julho de 2025 - Terapias genéticas investigacionais para a doença de Parkinson.


FDA aprova tratamento bilateral com ultrassom focalizado para doença de Parkinson

8 de julho de 2025 - Pacientes com doença de Parkinson avançada agora têm a opção de receber ultrassom focalizado em ambos os lados do cérebro em duas sessões com intervalo mínimo de seis meses.

O tratamento para um dos lados foi liberado em 2021.

A Food and Drug Administration (FDA) dos EUA agora permitirá que pacientes com doença de Parkinson (DP) avançada recebam tratamento com ultrassom focalizado – como complemento ao tratamento medicamentoso – no segundo lado do cérebro. Esta decisão é um marco importante para a tecnologia, visto que a DP é uma doença sistêmica com sintomas como rigidez e discinesia, que podem afetar todo o corpo. Uma opção de tratamento bilateral não invasiva, como o ultrassom focalizado, será uma boa escolha para certos pacientes com DP avançada.

Afetando mais de um milhão de pessoas nos EUA, a DP é uma doença neurodegenerativa sem cura que frequentemente afeta ambos os lados do corpo. Os tratamentos tradicionais para sintomas motores incluem terapia medicamentosa e cirurgia invasiva (por exemplo, estimulação cerebral profunda ou lesão por radiofrequência).

Em dezembro de 2018, a FDA aprovou o dispositivo de ultrassom focalizado Exablate Neuro da Insightec para tratar a DP com predominância de tremor, que afeta aproximadamente 10 a 20% da população com Parkinson. Em novembro de 2021, essa aprovação foi ampliada para incluir aqueles que sofrem de sintomas de mobilidade, rigidez ou discinesia. Para certos pacientes, o ultrassom focalizado oferece uma alternativa não invasiva à cirurgia, com menor risco de complicações e menor custo. É importante observar que o ultrassom focalizado – e todas as terapias atuais – abordam apenas os sintomas da DP e não a doença primária.

Agora, pacientes que foram submetidos a tratamento com ultrassom focalizado em um lado podem ter o outro lado tratado pelo menos seis meses após o procedimento inicial. Esse procedimento para o segundo lado também é chamado de tratamento bilateral em estágios.

A decisão da FDA baseou-se em dados de um ensaio clínico conduzido em nove centros nos EUA, Europa e Ásia, que investigou a tractotomia palidotalâmica bilateral (PTT) em estágios em pacientes com DP e demonstrou resultados encorajadores. A Insightec indica que os resultados completos do estudo devem ser publicados ainda este ano.

"Este é um marco tremendo não apenas para a área do ultrassom focalizado, mas também para os pacientes que sofrem desta doença debilitante", disse o presidente da fundação, Dr. Neal F. Kassell. "Parabenizamos a equipe da Insightec e todos os pesquisadores, incluindo o Dr. Daniel Jeanmonod, que foram pioneiros com sucesso nesta técnica de PTT." Fonte: fusfoundation.

quinta-feira, 10 de julho de 2025

Acendendo a esperança

Sara Penuela Rodriguez (à esquerda), doutoranda interdisciplinar em neurociência, administra terapia com laser infravermelho como parte de um estudo cego que investiga seu potencial para tratar os sintomas do Parkinson, melhorando o metabolismo celular e aumentando o fluxo sanguíneo.

10 de julho de 2025 - Estudo da UD explora terapia a laser para tratar o Parkinson

Tim Hihn, de 64 anos, notou pela primeira vez uma contração muscular significativa no braço direito há vários anos. Ele foi diagnosticado com doença de Parkinson (DP) em 2021. Desde então, o produtor de cogumelos de sexta geração, semi-aposentado, de West Grove, Pensilvânia, também notou mudanças cognitivas.

“Eu costumava realizar várias tarefas ao mesmo tempo com facilidade. Agora, preciso me concentrar em uma tarefa de cada vez”, disse Hihn.

Em busca de ajuda, Hihn se juntou a um estudo de pesquisa na Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Delaware. Várias vezes por semana, ele usa um capacete equipado com sensores projetados para estimular o cérebro com terapia a laser.

"É como o calor do sol na cabeça", disse ele.

O estudo é cego, então os participantes não sabem se estão recebendo terapia a laser ou um placebo. Mesmo assim, após 18 sessões ao longo de seis semanas, Hihn acredita ter notado mudanças.

"Coisas em que eu costumava ser bom, como matemática, memória e organização, agora sou melhor", disse ele.

A ciência por trás da intervenção

A tecnologia de laser infravermelho é usada há décadas para tratar lesões em tendões e músculos.

"Arremessadores da MLB a usam antes dos jogos para aumentar o metabolismo no braço, o que parece ter um efeito na prevenção de lesões", disse John Jeka, professor de cinesiologia e fisiologia aplicada (KAAP). "Agora, estamos explorando como a mesma tecnologia pode beneficiar o cérebro."

Em Newark, Brian Pryor, cofundador e CEO da NeuroThera, estuda a fotobiomodulação como tratamento para transtorno depressivo maior e traumatismo cranioencefálico, onde se mostrou bastante promissora, bem como para Alzheimer e DP.

“Todo mundo conhece alguém afetado por essas doenças, e essas pessoas estão desesperadas por melhores resultados”, disse Pryor. “A laserterapia tem um potencial enorme.”

Pryor está colaborando com a Jeka e os copesquisadores Thomas Buckley e Roxana Burciu, ambos professores da KAAP, para estudar os efeitos da laserterapia na DP.

O objetivo é melhorar os sintomas, atuando em regiões do cérebro afetadas pelo Parkinson, como o córtex frontal, que auxilia na função executiva e na memória, além de controlar o comportamento motor.

“Vários estudos demonstraram que a laserterapia pode penetrar no tecido cerebral, melhorando o metabolismo celular e aumentando o fluxo sanguíneo”, disse Burciu. “Esperamos que isso leve a melhorias na mobilidade, no equilíbrio e na função executiva.”

O estudo é único porque inclui um grupo placebo, o que ajuda a determinar se os efeitos observados são devidos à terapia em si, e não a expectativas ou fatores não relacionados. Os participantes também são testados sem medicação, pois a medicação pode mascarar ou confundir as alterações relacionadas ao tratamento.

“Queremos entender os efeitos do tratamento na doença sem a influência da medicação”, disse Jeka.

O estudo sobre terapia a laser, apoiado pelo Desafio Grandes Ideias da UD, está sendo administrado por Roxana Burciu (à esquerda), professora assistente de cinesiologia e fisiologia aplicada, cuja pesquisa se concentra na doença de Parkinson (DP). Na foto, Burciu conversa com o participante do estudo Tim Hihn (à direita), que foi diagnosticado com DP em 2021.

Alguns participantes do estudo também combinam terapia a laser com exercícios estruturados.

“O exercício pode complementar a medicação no controle dos sintomas”, disse Burciu. “Queremos ver se a terapia a laser, isoladamente ou combinada com exercícios estruturados, pode levar a melhorias maiores na função motora do que qualquer uma das abordagens isoladamente.”

Para mensurar os resultados, os pesquisadores usam tecnologia vestível para rastrear movimentos e atividades. Os pacientes também passam por testes cognitivos três meses após a última sessão de terapia a laser para avaliar os potenciais benefícios a longo prazo.

O estudo exploratório é financiado pelo Big Ideas Challenge da UD e pelo Instituto de Biotecnologia de Delaware.

“Este financiamento é crucial e nos ajuda a reunir os dados piloto necessários para buscar subsídios maiores”, disse Jeka.

Treinando a próxima geração de pesquisadores

A doutoranda Sara Penuela Rodriguez, que estuda neurociência interdisciplinar, administra as sessões de terapia a laser. Ela veio para a UD de uma pequena faculdade de artes liberais com experiência prévia em laboratório e agora está adquirindo um valioso treinamento prático em um ambiente de pesquisa de Nível 1.

“O STAR Campus oferece uma experiência de pesquisa de nível internacional para estudantes como Sara”, disse Jeka.

Inicialmente interessada em psicologia, Penuela Rodriguez ficou fascinada pela função motora e mudou seu foco para a neurociência.

“A DP não estava no meu radar, mas me apaixonei por este trabalho e por ajudar as pessoas por meio da pesquisa”, disse ela.

Ela está aprendendo não apenas a conduzir pesquisas, mas também a interagir com populações clínicas sensíveis.

“Trabalhar com pessoas com DP é um privilégio”, disse Burciu. “Isso nos lembra do lado humano da ciência — as pessoas reais por trás dos dados. Oferece a estudantes de doutorado como Sara insights inestimáveis ​​e aprofunda a compreensão de maneiras que livros didáticos e palestras simplesmente não conseguem.”

Avançando na ciência

Pesquisadores planejam testar um novo capacete que estimula simultaneamente os córtices frontal e motor.

“Espero que tenha um efeito mais forte”, disse Jeka. “Mas levará anos para determinar.”

Estudos futuros também podem utilizar ressonância magnética e biomarcadores sanguíneos para rastrear as alterações fisiológicas associadas à DP.

Se a terapia a laser se provar uma intervenção valiosa que pode modificar a função motora e cognitiva e melhorar a qualidade de vida, os pesquisadores querem torná-la mais amplamente acessível. Embora Pryor não espere que os capacetes de terapia a laser se tornem dispositivos domésticos nos próximos anos, a NeuroThera pretende disponibilizá-los em ambientes médicos.

“Com a dosagem que estamos administrando, provavelmente continuará sendo uma ferramenta clínica”, disse Pryor. “Se os ensaios clínicos forem bem-sucedidos e as seguradoras cobrirem o custo do tratamento, ele poderá se tornar mais acessível.”

O recrutamento para o estudo sobre Parkinson da UD está em andamento. Para saber mais sobre a elegibilidade, envie um e-mail para Sara Penuela Rodriguez em penuelas@udel.edu ou consulte o Registro de Doença de Parkinson da UD para saber mais sobre todas as pesquisas sobre DP em andamento na instituição. Fonte: udel.