quinta-feira, 8 de junho de 2023

Para ser admirado! Martin Scorsese homenageia Michael J Fox por sua fundação para combater o Parkinson

JUNIO 8, 2023 - O cineasta Martin Scorsese entregou um prêmio especial a Michael J Fox por sua carreira e sua luta contra o Parkinson.

Martin Scorsese, Davis Guggenheim e Richard Kind foram apenas algumas das pessoas que homenagearam a carreira de Michael J. Fox no Spring Moving Image Awards deste ano. O Museu da Imagem em Movimento homenageou Fox com um prêmio pelo conjunto de sua obra por seu trabalho na tela e defesa do Parkinson.

Além das homenagens mencionadas, o Museu lhe dedicou uma cadeira no Redstone Theatre, que levará seu nome para sempre. Algo semelhante ao que acontece no Morelia International Film Festival com alguns convidados especiais. No evento, Scorsese falou sobre a carreira de Fox e o quanto o admira:

“Nos anos 80 foi realmente incrível testemunhar a carreira de Michael decolar. Eu vi naquelas primeiras imagens e fiquei atordoado. Vê-lo na tela pela primeira vez foi como ver James Cagney em Public Enemy. Michael é uma potência que foi feita para filmes."

O cineasta vencedor do Oscar, responsável por filmes como Taxi Driver, Raging Bull, Goodfellas e Gangs of New York, não parou por aí. Ele também aplaudiu em seu discurso o enorme trabalho de Fox na luta pelo Parkinson. O ator luta contra a doença há mais de 30 anos.

“Preste atenção na quantidade de trabalho que ele fez desde que foi diagnosticado com Parkinson. Tornou-se uma luz orientadora para muitas outras pessoas com Parkinson. Isso inclui minha esposa Helen. Michael, seu apoio significou o mundo para ela e para mim".

Davis Guggenhiem, diretor do novo documentário Still: A Michael J. Fox Movie, também esteve presente. O cineasta, que em seu filme relata a luta da vida do ator dentro e fora das telas, foi quem presenteou Fox com o prêmio pelo conjunto de sua obra. O protagonista de De Volta para o Futuro, disse, de acordo com o The Hollywood Reporter:

“Vou me transformar em uma abóbora em cerca de cinco minutos, então estou tentando superar isso. Algumas pessoas antes disso me pediram para contar a história da minha vida e elas estavam chorando antes mesmo de chegarem a mim. E eu fiquei tipo, 'Fique limpo e te vejo mais tarde.'”

“Mas Davis conseguiu. Eu tenho tantas coisas maravilhosas na minha vida. Não tenho uma vida chorosa e triste. Aconteceu algo realmente ruim, mas me colocou em posição de fazer outras coisas que foram eficazes e talvez melhorar as coisas."

Michael J Fox falou sobre seu amor pela atuação e pelo cinema, e como diretores e diretores de fotografia elevaram seu trabalho a níveis que ele nunca imaginou. Ele encerrou sua palestra com uma piada: “O que o caracol disse quando montou nas costas das tartarugas? 'Weeee!'... É tudo uma questão de perspectiva.

Vários amigos de Fox compartilharam anedotas e aplausos com ele por meio de um vídeo. Na platéia estava Richard Kind, ex-co-estrela da Fox na série de comédia Spin City. Após o diagnóstico de Parkinson, Fox teve que deixar o show. Isso refletiu Kind em seu amigo:

“A vida é muito injusta. É injusto que um homem altamente dotado tenha contraído Parkinson. Mas também é injusto que um homem seja dotado de todo esse talento, quando todos nos esforçamos tanto para ser talentosos e ele o faz com tanta facilidade." Original em inglês, tradução Google, revisão Hugo., com fotos na fonte. Fonte: Palomaynacho.

quarta-feira, 7 de junho de 2023

Beneficiários do Bolsa Família terão acesso gratuito a 40 medicamentos

7 de junho de 2023 - Anticoncepcionais e fraldas geriátricas estão entre os itens que serão disponibilizados gratuitamente para quem recebe o Bolsa Família

O governo federal anunciou nesta quarta-feira (7) que os beneficiários do Bolsa Família poderão retirar gratuitamente os 40 medicamentos disponíveis na lista atual do programa Farmácia Popular.

Atualmente, as medicações disponíveis no programa estão divididas em duas categorias. Parte da lista é gratuita, e o restante tem um desconto de 90% em relação ao preço tabelado das farmácias comerciais.

Entre os remédios que têm apenas desconto e, agora, passarão a ser gratuitos para quem recebe Bolsa Família, estão quatro anticoncepcionais, dois tipos de tratamento para o Parkinson, três apresentações da sinvastatina, usada no combate ao colesterol, e três alternativas para controle da rinite, além de fraldas geriátricas.

O Farmácia Popular também oferece de forma gratuita, a todos os cidadãos, 22 medicações para controle da asma, da diabetes e da hipertensão. Para essa lista, nada muda. As gratuidades serão mantidas.

Segundo o governo, quem recebe Bolsa Família não precisará fazer um novo cadastro para retirar esses medicamentos de forma gratuita. A identificação do beneficiário será feita pelo próprio sistema do Farmácia Popular.

Como pegar os remédios

O paciente que desejar obter os medicamentos gratuitos pelo programa Farmácia Popular tem de ir a um estabelecimento credenciado. São farmácias e drogarias que exibem o selo “Aqui tem Farmácia Popular”.

O cidadão precisa apresentar um documento oficial de identidade com foto e número do CPF e receita médica dentro do prazo de validade emitida pelo SUS ou por um médico particular. Fonte: O Sul.

“Esta doença é um castigo cósmico por todo o sucesso que tive”, desabafa Michael J. Fox no documentário “Still”

 “Still: A História de Michael J. Fox” revisita de forma exímia a carreira fulgurante em Hollywood, o choque do Parkinson aos 29 anos e o seu quotidiano hoje, aos 61. Tudo isto com uma edição eletrizante — como sempre foi a sua imagem

É notável o que Davis Guggenheim logrou em “Still: A História de Michael J. Fox”. O realizador transformou uma história triste, de frustração, a roçar o desesperante, num documentário leve que se vê como um “feel good movie” à moda dos anos 1980 — e isto, ao que parece, sem faltar à verdade. É preciso recuar no tempo e recordar como a popularidade de Michael J. Fox explodiu para níveis estratosféricos com “Regresso ao Futuro”, em 1985. E quando, quase dois meses depois, “Lobijovem” chegou às salas de cinema, as bilheteiras ainda continuavam dominadas pelo filme de Robert Zemeckis. Catapultado pela fama entretanto adquirida pelo seu protagonista, “Lobijovem” subiu de imediato ao segundo lugar na tabela do box office, atrás de “Regresso ao Futuro”.

Nos anos seguintes, a popularidade do pequeno grande ator manteve-se nos píncaros. “Regresso ao Futuro III” — a sequela final — saiu em 1990. A década seguinte ficaria marcada por uma série de escolhas infelizes de papéis e de filmes que não deixaram lastro. Até que, em 1998, entretanto regressado ao pequeno ecrã, em “Spin City” (passou na RTP2), Michael J. Fox anunciou ao mundo que sofria de Parkinson e que a doença neurológica lhe fora diagnosticada ainda em 1991, aos 29 anos.

Disponível na Apple TV+, o documentário “Still: A História de Michael J. Fox” aborda o quotidiano do ator — como ele lida com a doença, com a perspetiva de não haver cura e de que o hoje, por muito mau que seja, será sempre melhor do que o amanhã — ao mesmo tempo que mistura cenas de filmes e séries em que entrou com cenas novas (filmadas com o uso de duplos) para recria a sua vida.

É um retrato original e inventivo que reconstrói momentos pessoais recorrendo a um vasto arquivo fílmico. É, nesse aspeto, um verdadeiro tratado de edição, fruto do génio criativo de Michael Harte, responsável pela montagem. O processo, engenhoso, tem entre outros efeitos o de revisitar a filmografia de Michael J. Fox, deslizando de forma imaculada entre o papel que o impulsionou em Hollywood — Alex Keaton, em tudo “Quem Sai aos Seus” —, os filmes que o tornaram uma estrela mundial e alguns que se seguiram, como “Bright Lights, Big City” (“As Mil Luzes de Nova Iorque”), sem nunca deixar de fora as pequenas participações em séries sem história que marcaram o seu período inicial.

É pela edição que o documentário de Davis Guggenheim (autor de “Uma Verdade Inconveniente”) se distingue, é o que o torna um documentário ímpar. À edição das imagens junta-se a narração divertida de Michael J. Fox, ainda que a voz off seja recauchutada dos áudios dos vários livros autobiográficos que publicou, e que sempre fez questão de narrar.

Quando aparece em primeiro plano, a falar para a câmara, em discurso direto, respondendo às questões que Davis Guggenheim lhe coloca, a voz de Fox está mais frágil — também ele. Treme muito. Não consegue ficar quieto. Às vezes, pede uma pausa até que os comprimidos atuem — e conta como, quando está nessa exata situação, se alguém lhe perguntar se está tudo bem, responde que está à espera de apanhar o autocarro.

 

Porque é que Michael J. Fox haveria de se sujeitar a isso? O próprio responde, em notas de produção disponibilizadas pela Apple+: “Eu estava em Santa Bárbara com a minha família quando o Davis telefonou. Disse que tinha lido os meus livros e que gostava da forma como conto a minha história. Começámos a discutir a hipótese de fazer um filme. Parecia que ia ser muito simples. Eu não teria de gravar muitos diálogos por já existirem nos audiolivros. Ele poderia utilizar algumas imagens de arquivo, e outros sons, e teria o seu filme. Mas, na verdade, não foi assim tão simples.”

Davis Guggenheim, presente nessa conversa, acrescenta: “A minha ideia original é que não teríamos ninguém a falar para a câmara. Mas decidi que me sentaria com o Michael, só para experimentar. Só para efeitos de pesquisa, foi o que eu pensei. Mas acabámos por nos encontrar seis ou sete vezes ao longo de seis meses. Nunca levei uma lista de perguntas. O que se vê é apenas uma conversa entre duas pessoas. E essas entrevistas tornaram-se o coração e a alma do filme.”

O documentário mostra como Michael J. Fox filmou “Regresso ao Futuro” de noite depois de filmar cenas de “Quem Sai Aos Seus” durante o dia. Quando terminava de filmar as cenas para a série, um motorista levava-o até ao set do filme, onde a rodagem seguiria noite adentro. Quando terminavam, o mesmo motorista levava-o a casa para dormir três a quatro horas. Um outro motorista, a quem ele dera uma cópia da chave, entrava, preparava café e garantia que o ator acordasse a horas — e um novo ciclo começava.

O filme revela também os truques que Michael J. Fox aprendeu para esconder os tremores perante as câmaras na década de 90. Para dar uma aparência de normalidade, muitas vezes segurava uma caneta ou adereço na mão esquerda, ou tapava-a com o casaco. E geria o tempo de filmagem com o tempo que os comprimidos demoravam a fazer efeito. O facto de ter sentido necessidade de disfarçar a doença tantos anos depois do diagnóstico, de nunca ter parado de trabalhar — e de como afetou a sua carreira, pela escolha dos papéis e capacidade de representar — é, visto agora em retrospetiva, um pouco penoso. A certa altura, Michael J. Fox deixa sair um desabafo: “Esta doença é um castigo cósmico por todo o sucesso que tive.” Ainda assim, fica a garantia: deste documentário ninguém sairá abatido. Michael J. Fox não deixa. Fonte: Expresso pt.

Ctgb(*): nenhuma relação causal entre uso de substâncias e Parkinson

© Burt Sytsma

07 JUN 2023 - Até agora, nenhuma relação causal foi demonstrada entre o uso de produtos fitofarmacêuticos e a ocorrência da doença de Parkinson. Isso é relatado por Jessica Broeders, toxicologista do Conselho de Autorização de Produtos Fitofarmacêuticos e Biocidas (Ctgb).

Na semana passada, Broeders e colegas explicaram aos jornalistas a avaliação da toxicologia humana na autorização de produtos fitofarmacêuticos. Nos últimos anos, muita atenção tem sido dada à relação entre o aumento da incidência da doença de Parkinson e o uso de substâncias.

O programa de TV Zembla dedicou transmissões a isso. O ministro da Agricultura, Piet Adema, também disse recentemente que contratou o RIVM para conduzir pesquisas sobre a exposição a substâncias e as consequências para a saúde pública.

• Leia também: RIVM inicia pesquisa sobre arelação entre doença de Parkinson e uso de substâncias

Broeders diz que os sinais preocupantes sobre distúrbios neurológicos, como o Parkinson, levaram o Ctgb a levantar a questão com a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar. 'Mas continua difícil gerar sinais para neurotoxicologia em métodos de teste. É por isso que a ligação com o Parkinson é difícil de estabelecer.

Doença ocupacional
Na França, o Parkinson é classificado como uma doença ocupacional para os produtores de uva. Segundo o toxicologista do Ctgb, isso significa que o governo francês assume uma ligação entre o uso da substância e a doença, mas isso ainda não afetou a política de internação.

“Os problemas com Parkinson parecem ser principalmente um legado do passado. Isso pode remontar a trinta anos atrás. Naquela época, ainda mais recursos eram usados ​​e menos atenção era dada à exposição de operadoras e residentes locais', diz Broeders. Original em holandês, tradução Google, revisão Hugo. Fonte: Nieuweoogst.

(*) Conselho de Autorização de Produtos Fitofarmacêuticos e Biocidas (Ctgb)

E dizem que não rolaria "cupção" por lá!

Análise Acústica e Perceptiva da Voz em Indivíduos com Doença de Parkinson

2024-06-01 - Acoustical and Perceptual Analysis of Voice in Individuals with Parkinson's Disease.

Estimativa de risco de Parkinson usando códigos de diagnóstico e tratamentos digitais

Figura 1: Tipos selecionados de códigos de diagnóstico e procedimento podem ajudar a prever um diagnóstico de doença de Parkinson (DP) dentro de cinco anos. O número de anos antes do diagnóstico de DP em que esses códigos preditivos aparecem pela primeira vez nas reivindicações do Medicare varia de acordo com o tipo de código. Códigos para fadiga ocorrem pela primeira vez mais de 3,1 anos antes do diagnóstico de DP para metade dos pacientes com DP, sintomas autonômicos há mais de 2,1 anos, traumas há mais de 1,9 anos e sintomas motores há mais de 1,4 a 1,6 anos, por exemplo. Uma variedade de testes de diagnóstico também começa a ocorrer em média 1,7 anos antes do diagnóstico de DP. (Figura fornecida)

June 6, 2023 - Parkinson’s Risk Estimation Using Digital Diagnosis Codes and Treatments

Progesterona pode ser usada no combate ao Parkinson

Jun 6 2023 - A progesterona demonstrou em um estudo ter um efeito protetor nas células nervosas do intestino. Essas descobertas aumentam as esperanças de que o hormônio possa ser usado na luta contra a doença de Parkinson.


As células nervosas do trato gastrointestinal se comunicam com as do cérebro e da medula espinhal. Isso sugere que o sistema nervoso do trato digestivo pode influenciar os processos no cérebro que levam ao Parkinson. Paula Neufeld e Lennart Stegemann, doutorandos em medicina no Departamento de Citologia da Faculdade de Medicina da Ruhr University Bochum, na Alemanha, foram os primeiros a detectar receptores de progesterona nas células nervosas do trato gastrointestinal e mostraram que a progesterona protege as células. Suas descobertas abrem perspectivas para o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas neuroprotetoras para combater doenças como Parkinson e Alzheimer. O estudo foi publicado na revista Cells em 21 de abril de 2023.

O segundo cérebro
O sistema nervoso entérico (SNE) é uma rede complexa que se estende ao longo de todo o trato gastrointestinal. É composto por cerca de 100 milhões de células nervosas, controla autonomamente os processos digestivos e é muitas vezes referido como o segundo cérebro dos humanos. Mas sua função é muito mais do que a digestão: pesquisas recentes mostraram que o SNE se comunica intimamente com o sistema nervoso central (SNC), ou seja, o cérebro e a medula espinhal.

A comunicação entre o SNE e o SNC está atualmente associada à patogênese de várias doenças neurológicas, como a doença de Parkinson e a doença de Alzheimer, além da depressão”.

Professor Carsten Theiβ, Chefe do Departamento de Citologia da Ruhr University Bochum

O eixo intestino-cérebro não é uma via de mão única; ambos os sistemas nervosos influenciam-se mutuamente.

A dieta de uma pessoa tem um impacto direto no microbioma intestinal, que por sua vez interage com o SNE. Estudos mostram que a composição do microbioma também pode afetar o SNC por meio do eixo intestino-cérebro, especialmente por meio do nervo vago, e promover doenças como o Parkinson. Uma dieta balanceada pode, portanto, não apenas contribuir para a preservação das células nervosas no intestino, mas também pode retardar a doença de Parkinson por muitos anos ou até evitá-la completamente.

O efeito protetor da progesterona
Os estudantes de doutorado em medicina Paula Neufeld e Lennart Stegemann demonstraram agora com sucesso um efeito protetor do hormônio esteróide natural progesterona nas células nervosas do SNE. Em uma série de experimentos, a dupla cultivou células nervosas do SNE durante várias semanas e as tratou com uma toxina celular para simular condições nocivas semelhantes à doença de Parkinson. Eles descobriram que as células nervosas que foram tratadas adicionalmente com progesterona morreram significativamente com menos frequência do que as células não tratadas.

Paula Neufeld destaca a importância de sua descoberta: "Nossa pesquisa fornece informações importantes para completar nosso conhecimento básico sobre o papel dos receptores de progesterona no sistema nervoso entérico. Isso abre caminhos completamente novos para o estudo dos mecanismos neuroprotetores de ação da progesterona dentro e fora do trato intestinal”. Lennart Stegemann acrescenta que "este estudo poderia abrir caminho para novas abordagens terapêuticas baseadas em hormônios esteróides. Também há esperança de que as abordagens terapêuticas baseadas em esteróides possam ajudar a desacelerar ou mesmo interromper doenças neurodegenerativas".

Parceiros de cooperação
O artigo é o resultado da colaboração e pesquisa translacional bem estabelecida entre o Departamento de Citologia liderado pelo Professor Carsten Theiβ no Ruhr University Bochum Medical Campus e o Professor Matthias Vorgerd, consultor sênior da Clinic for Neurology no BG University Hospital Bergmannsheil em Bochum. Original em inglês, tradução Google, revisão Hugo. Fonte: News Medical.

Colaboração explora alfa-sinucleína em terapias modificadoras de doenças

 June 7, 2023 - Collaboration explores alpha-synuclein in disease-modifying therapies.

Como a Inteligência Artificial pode estimular novos tratamentos


Imagem Ilustrativa.Créditos: Itamar Crispim/Fiocruz

Os pacientes com essa doença enfrentam, entre outras, complicações relacionadas à fala; é aí que entra a IA

6/6/2023 - A doença de Parkinson é um dos principais desafios da medicina. Relaciona-se ao sistema nervoso, é progressiva, afeta o movimento e é neurodegenerativa.

Os pacientes com essa condição enfrentam, entre outros problemas, várias complicações relacionadas à fala, incluindo disartria (perda ou dificuldade de articular palavras devido a problemas nos músculos que ajudam a falar) e distúrbios de linguagem.

Por isso, a ciência continua em busca de respostas para diagnosticar rapidamente e permitir um tratamento precoce da doença.

Com essa expectativa, a Inteligência Artificial (IA) entre em campo. Um grupo de pesquisadores avaliou características de fala entre pacientes com Parkinson.

A tecnologia de Processamento de Linguagem Natural (NLP) é um ramo da IA, que se concentra em permitir que os computadores entendam e interpretem grandes quantidades de dados da linguagem humana, utilizando modelos estatísticos para identificar padrões.

Como os pacientes com Parkinson sofrem com inúmeros problemas relacionados à fala, incluindo produção e uso prejudicado da linguagem, o grupo usou a PNL para analisar diferenças detectáveis em padrões com base em 37 características, usando textos artesanais.

A análise concluiu que os pacientes usaram menos nomes comuns e próprios e menos conectores de texto. Por outro lado, eles utilizaram uma porcentagem maior de verbos por frase.

Katsunori Yokoi, diretor do estudo e pesquisador da Escola de Medicina da Universidade de Nagoya, no Japão, disse: “Quando solicitado a falar sobre seu dia pela manhã, uma paciente com Parkinson pode dizer algo como o seguinte, por exemplo: ‘Acordei às 4h50. Achei um pouco cedo, mas levantei. Levei cerca de meia hora para ir ao banheiro. Então, me lavei e me vesti por volta das 5h30. Meu marido fez o café da manhã. Tomei café da manhã após às 6. Depois, escovei os dentes e me preparei para sair’”.

Yokoi prosseguiu: “Enquanto alguém no grupo de controle saudável pode dizer algo assim: ‘Bem, de manhã, acordei às 6 horas, me vesti e, sim, lavei o rosto. Então, alimentei meu gato e meu cachorro. Minha filha fez uma refeição, mas eu disse a ela que não podia comer e, hum, eu bebi um pouco de água’”.

O pesquisador, reunindo as informações dos dois casos, concluiu: “Apesar de serem exemplos que criamos de conversas que refletem as características de pessoas com Parkinson versus pessoas que não têm a doença, o que se pode notar é que a duração total é semelhante. No entanto, aqueles que lidam com a doença falam em frases mais curtas do que os indivíduos do grupo de controle, resultando em mais verbos na análise de aprendizado de máquina. O público saudável também usa mais conectores, como ‘bom’ ou ‘hum’, para encadear frases”.

De acordo com o diretor do estudo, o aspecto mais promissor da pesquisa é que a equipe realizou o trabalho em pacientes que ainda não apresentavam um grau avançado de comprometimento cognitivo relacionado ao Parkinson. Portanto, suas descobertas oferecem um meio potencial de detecção precoce para distinguir pacientes com a doença.

“Nossos resultados sugerem que, mesmo na ausência de comprometimento cognitivo, as conversas dos pacientes com a patologia diferiam das de pessoas saudáveis”, destacou Masahisa Katsuno, outro diretor do estudo.

“Quando tentamos identificar pacientes doentes ou controles saudáveis, com base nessas mudanças na conversa, conseguimos identificar os primeiros com mais de 80% de precisão. Este resultado sugere a possibilidade de uma análise de linguagem usando processamento natural para diagnosticar a doença de Parkinson”, acrescentou Katsuno.

Patologia é frequente e está relacionada à idade

A doença de Parkinson é considerada uma das patologias neurodegenerativas mais frequentes, relacionada com a idade. Afeta 1% das pessoas maiores de 60 anos e 0,3% da população em geral, segundo informações da Escola de Medicina da Universidade do Texas (EUA).

O estudo foi liderado por Masahisa Katsuno e Katsunori Yokoi, da Escola de Medicina da Universidade de Nagoya, em colaboração com a Aichi Prefectural University e a Toyohashi University of Technology no Japão. Também participaram da investigação Yurie Iribe, Norihide Kitaoka, Maki Sato e Akihiro Hori. Os resultados do estudo foram publicados na revista Parkinsonism & Related Disorders, de acordo com o site Infobae. Fonte: Revista Forum.