27 de novembro de
2020 - Um estudo recém-publicado usou o canabidiol em testes
clínicos com mais de 40 voluntários. Além deste, outras pesquisas
também já mostraram o poder do CBD em dependências de crack e
heroína.
A maconha é a droga
mais usada no Brasil e também no mundo. Mesmo ilícita aqui, é
estimado que existam 1,5 milhão consumidores, que fazem parte dos
198 milhões ao redor do planeta.
Segundo a
Organização Mundial da Saúde (OMS), o abuso da planta em forma de
cigarro pode causar dependência leve ou moderada.
Isso quer dizer que
ela pode sim viciar, mas nunca terá alguém correndo atrás da
maconha como um usuário de cocaína ou crack por exemplo.
Não há estudos que
afirmam de forma clara o porquê a planta vicia, quais são os
mecanismos que levam a dependência.
Mas o que se sabe é
que a porcentagem de pessoas que ficam dependentes varia de 5% a 8%,
uma porcentagem baixa se você for comparar com outras drogas como o
cigarro, por exemplo.
No entanto, os
sintomas de abstinência não passam de irritabilidade, falta de
apetite e insônia.
Como funciona
O nosso cérebro
trabalha com um sistema de recompensa, onde estão concentrados os
estímulos de prazer. Estes por sua vez, são responsáveis por
mandar as sensações para o resto do corpo.
As drogas tem a
capacidade de causar uma influência gigante nesta área, e o uso
contínuo faz o corpo querer cada vez mais, perdendo o interesse em
outros prazeres ou funções, como comer.
O que causa o famoso
“barato” da maconha, por exemplo, é uma substância chamada
tetra-tetraidrocanabinol (THC), mas que também tem lá os seus
efeitos terapêuticos.
Remédios como o
Mevatyl, por exemplo, utilizam o composto para ajudar no tratamento
de esclerose múltipla.
Quando a cannabis é
queimada no cigarro, o THC é ativado e pode influenciar algumas
funções nosso cérebro.
Como por exemplo, a
liberação de dopamina, o hormônio que dá a sensação de
bem-estar. Ele é parecido com a anandamida, que regula o nosso
humor, sono, memória e apetite.
É por isso que a
pessoa que consome maconha fica “feliz”, sonolenta, não se
lembra de muita coisa ou até com fome.
A cannabis é muito
interessante para a saúde porque produz canabinoides, pequenas
moléculas que também são produzidas pelo nosso organismo. O THC é
uma delas.
Através do sistema
endocanabinoide, ela pode influenciar e ajuda a regular várias
funções do organismo, como fome, humor, sono, sistema imunológico
e por aí vai.
A ciência atual tem
mostrado que isso pode ajudar a tratar uma série de condições,
como Alzheimer, Parkinson, epilepsia de difícil controle, insônia,
depressão e muito mais.
Por ela ser tão bem
aceita pelo organismo, é impossível alguém ter uma overdose de
cannabis.
Cannabis para tratar
o vício da maconha
Mas você deve estar
se perguntando, mas como ela pode ajudar no próprio vício
O THC não é o
único canabinoide da planta. Existem centenas deles que podem
influenciar o nosso corpo de formas diferentes.
O mais conhecido e
mais usado na fabricação de remédios é o canabidiol (CBD).
Diferente do THC ele não possui propriedades alucinógenas.
Uma curiosidade é
que juntos, os dois canabinoides são mais potentes. Além do mais, a
o CBD pode inibir as reações negativas do tetra-tetraidrocanabinol.
Foi pensando nisso,
que um estudo clínica da University College London, no Reino Unido,
mostrou que o canabidiol pode combater o vício da própria maconha.
A pesquisa publicada
na revista The Lancet conduziu testes com 48 pessoas que fazem o uso
recreativo por quatro semanas.
Os voluntários
foram divididos em quatro grupos, que tomaram doses diferentes do
óleo de canabidiol.
O primeiro, com
dosagens de 200 miligramas, o segundo com 400mg e o terceiro, 800. O
quarto e último grupo tomou um placebo.
Na fase 2 publicada
em julho, os voluntários que receberam 400mg a 800mg tiveram uma
redução moderada do desejo de usar maconha.
Desde a segunda
fase, os cientistas divulgaram que não houve nenhum efeito
colateral. Agora, foi comprovado que o possível remédio é seguro.
Outros estudos
A pesquisa não é
um caso isolado. Outros estudos também tem demonstrado o quanto o
canabidiol pode ser útil para o tratamento de dependência química.
Aqui no Brasil, por
exemplo, um estudo está sendo feito pela pesquisadora Andrea
Gallassi da Universidade de Brasília (UnB), que testa o canabidiol
em pessoas viciadas em crack.
Em parceria com o
Centro de Atenção Psicossocial (CAPs) de Ceilândia no DF, a
pesquisa conseguiu uma autorização da Agência de Vigilância
Sanitária (ANVISA) para importar o extrato e testá-lo.
O objetivo principal
da pesquisa que começou em 2019 é substituir os vários
medicamentos usados para tratar o vício, reduzindo apenas a solução
100% natural.
O método da
cientista envolve ainda, a não internação, para que o paciente
tenha uma rotina comum e siga a sua vida.
Outro estudo
concluído no mesmo ano com o CBD mostrou um grande avanço em
pessoas viciadas em heroína.
A pesquisa feita
contou com 42 voluntários. Os resultados foram positivos.
No entanto, nenhum
para tratar o vício da própria maconha. Estudos como este abre
caminho para possíveis medicações que poderão ser usados para
controlar vícios. Fonte: Cannalize.