Deep Brain Stimulation / Parkinson
Objetivo: atualização nos dispositivos de “Deep Brain Stimulation” aplicáveis ao parkinson. Abordamos critérios de elegibilidade (devo ou não devo fazer? qual a época adequada?) e inovações como DBS adaptativo (aDBS). Atenção: a partir de maio/20 fui impedido arbitrariamente de compartilhar postagens com o facebook. Com isto este presente blog substituirá o doencadeparkinson PONTO blogspot.com, abrangendo a doença de forma geral.
terça-feira, 1 de abril de 2025
domingo, 30 de março de 2025
Suicídio assistido garante uma morte digna? Veja histórias de quem decidiu encerrar a própria vida
Opção de escolher como e quando morrer tem atraído mais pessoas aos 14 países onde a prática é legalizada. Conheça histórias de quem decidiu encerrar a própria vida
Dos 14 países onde a morte voluntária assistida (MVA) é legaliza- da, oito deles estão na Europa: Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, Holanda, Luxemburgo, Portugal e Suíça. Dois são da América do Norte (EUA e Canadá), dois da América do Sul (Equador e Colômbia) e dois da Oceania (Austrália e Nova Zelândia) — Foto: Gustavo Magalhães
30/03/2025 - Um ferro de passar roupa, em alta temperatura, encostado no rosto. É assim que Carolina Arruda, de 27 anos, descreve a dor que sente. Algumas crises são tão fortes que ela chega a desmaiar. “É como se o cérebro desligasse o corpo para protegê-lo do sofrimento”, diz. A estudante de veterinária tinha 15 anos quando começou a sentir os primeiros “choques elétricos”. Achou que fosse sequela da dengue e não deu importância. Mas, a dor, antes esporádica, se tornou frequente. Cinco anos e 27 médicos depois, veio o diagnóstico: neuralgia do trigêmeo. Os neurologistas costumam se referir a essa condição, que afeta um nervo da face, como “a pior dor do mundo”.
Desde 2018, Carolina já tentou incontáveis tratamentos. Foram seis cirurgias – a última, em agosto, para implantar uma bomba de morfina no cérebro. O procedimento não deu o resultado esperado. De uns anos para cá, ela passou a cogitar o suicídio assistido na Suíça, um dos 14 países do mundo onde a morte assistida é legalizada. Já conseguiu arrecadar R$ 145 mil, via crowdfunding, para custear o processo. “Não espero ficar curada. Perdi essa ilusão”, diz Carolina, casada há três anos e mãe de uma menina de dez. “Na veterinária, quando sacrificamos um animal, não é por maldade, é por misericórdia. É para aliviar o sofrimento dele”, explica.
A vontade de Carolina de colocar um ponto final na própria vida foi alcançada, há alguns meses, por outro brasileiro, o poeta e filósofo Antonio Cicero, de 79 anos. No dia 18 de outubro de 2024, Cicero viajou para Paris pela última vez com seu marido, o figurinista Marcelo Pies, de 62. Na capital francesa, assistiram a uma exposição no Centro Georges Pompidou, visitaram a igreja Sainte-Chapelle e jantaram no restaurante La Coupole. Dois dias depois, seguiram para Zurique, na Suíça. Lá, o imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) cumpriu seu último desejo: uma morte digna e indolor. “Minha vida se tornou insuportável”, confessou, em carta aos amigos.
Antonio Cicero tomou a decisão em julho de 2023, depois de receber o diagnóstico de Alzheimer. Em pouco tempo, a doença neurodegenerativa se tornou implacável: o impediu de escrever versos – como “Tolice é viver a vida assim sem aventura”, da canção O Último Romântico, de Lulu Santos – e de redigir ensaios. Não bastasse, já não lembrava mais o que tinha feito na véspera, nem reconhecia quem encontrava pelas ruas. Pior: não conseguia mais ler, uma de suas paixões. Na terça, dia 22, telefonou para a irmã, a cantora e compositora Marina Lima, para dar adeus. “Espero ter vivido com dignidade e espero morrer com dignidade”, concluiu, em sua carta de despedida. Morreu no dia 23 de outubro de 2024.
A organização que ajuda pessoas a morrer
A instituição onde Antonio Cicero morreu se chama Dignitas – “Dignidade”, em latim. Foi fundada em 1998 pelo advogado suíço Ludwig Minelli e acolhe pacientes do mundo inteiro com doenças incuráveis ou incapacitação irreversível. Até 2022, ajudou 3,6 mil pacientes a morrer. Desses, 1,4 mil são alemães, 527 britânicos e 498 franceses, entre outras nacionalidades. Três eram brasileiros.
Outro na lista de pacientes famosos foi o ex-jogador de futebol americano Brian Ameche. “Prefiro morrer de pé a viver de joelhos”, alegou, ao descobrir-se com Alzheimer, em 2019. Três anos antes, em 2016, sua esposa, Amy Bloom, começou a notar os primeiros sintomas: fazia a mesma pergunta repetidas vezes, não conseguia memorizar datas e esquecia os nomes das netas. Sua história está contada no livro In Love – A Memoir of Love and Loss (2022), escrito por Bloom. “Sinto sua falta, mas não me arrependo de tê-lo ajudado a fazer o que ele achava ser o melhor para ele”, ela garante. “No lugar dele, teria tomado a mesma decisão”. Nos EUA, 11 dos 50 estados, como Califórnia e Washington, aprovam o suicídio assistido. Mas, como é exigida uma expectativa de vida menor que seis meses, o casal teve que viajar para a Suíça, em janeiro de 2020.
Quem passou por um drama parecido foi Andrew Solomon. Em agosto de 1989, sua mãe, Carolyn, descobriu um câncer no ovário e foi submetida a quimioterapia. De nada adiantou. “Não quero que lembre de mim”, recorda o escritor, “gritando em um leito de hospital”. Em outubro de 1990, sua mãe teve acesso a uma droga que, ingerida por via oral, daria fim ao seu sofrimento. Por incrível que pareça, sua vida ganhou novo sentido. “Enquanto houver a mais remota chance de eu ficar boa, continuarei com o tratamento. Quando disserem que estão me mantendo viva, mas sem a menor chance de recuperação, eu paro”, avisou.
No dia 19 de junho de 1991, o médico advertiu: se não fizesse uma cirurgia no intestino, não conseguiria mais ingerir alimentos. Foi quando ela decidiu tirar a própria vida. Carolyn morreu em casa, em Nova York, ao lado do marido, Howard, e dos filhos, Andrew e David. Suas últimas palavras foram: “Obrigada pela massagem, David!”, ditas para o caçula que massageava seus ombros. “Penso em acabar com a minha vida todos os dias. Mas, sempre opto por não fazê-lo. Saber que tenho escolha é o que me mantém vivo e em movimento”, filosofa o autor que, em O Demônio do Meio-Dia (Companhia das Letras, 2018), relata suas batalhas contra a depressão.
“Sinto sua falta, mas não me arrependo de tê-lo ajudado a fazer o que ele achava ser o melhor para ele”
— Amy Bloom, esposa de Brian Ameche, ex-jogador de futebol americano diagnosticado com Alzheimer que optou pelo suicídio assistido em janeiro de 2020
O país onde se vai para morrer
Na Suíça, pelo menos três instituições promovem o suicídio assistido: Dignitas, Lifecircle e Pegasos. A advogada Luciana Dadalto, Doutora em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), acompanhou o suicídio assistido de um australiano de 65 anos com diagnóstico de Parkinson, na Pegasos, em 2019. Já o geriatra Daniel Azevedo, Mestre em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o de um brasileiro de 70 anos com múltiplas doenças crônicas, na Dignitas, em 2023.
No primeiro caso, o paciente veio a óbito depois de administrar, ele próprio, uma substância letal na veia. Como a eutanásia é proibida na Suíça, é preciso que a própria pessoa acione a bomba de infusão. O procedimento foi gravado e entregue à polícia para averiguação. No segundo caso, o método seria diferente: em vez de morrer por infusão intravenosa da droga, morreria após tomar a substância por via oral. Acontece que, na manhã do procedimento, o paciente mudou de ideia e voltou ao Brasil. “Não explicou o porquê da desistência; apenas alegou motivos pessoais”, afirma Azevedo, autor do livro O Melhor Lugar para Morrer (Appris, 2020). “Meses depois, morreu em casa, por progressão da doença, recebendo o cuidado paliativo necessário”.
Morte assistida é uma expressão que engloba duas situações em que a pessoa doente recebe assistência para abreviar a vida: suicídio assistido e eutanásia — Foto: Gustavo Magalhães
A palavra paliativo vem do latim pallium, e quer dizer “manto” ou “cobertor”. “Era o manto usado para proteger das intempéries os cavaleiros que lutavam nas cruzadas”, explica o publicitário Tom Almeida, fundador do movimento InFINITO e presidente do Instituto Ana Michelle Soares. Por analogia, paliativos são os cuidados que dão proteção ao paciente e sua família contra o sofrimento causado pela doença ou por seu tratamento.
No Brasil, uma das maiores referências no movimento pela valorização dos cuidados paliativos era a jornalista e escritora Ana Michelle Soares (1982-2023). “AnaMi” tinha 28 anos quando descobriu o câncer de mama e 32 quando constatou metástase no fígado. Autora dos livros Enquanto Eu Respirar (Sextante, 2019), Vida Inteira (2021) e Entre a Lucidez e a Esperança (2023), morreu no dia 21 de janeiro de 2023, aos 40 anos. “Quando alguém diz ‘cuidado paliativo’, se pensa logo ‘quando não há mais nada a fazer’. Mas, é o contrário. É para viver com qualidade, mesmo tendo uma doença grave – não importando se é incurável, crônica ou terminal. O importante é tocar no assunto. Quanto mais a gente evita falar de morte, menos informação tem”, analisa Almeida.
Doenças com tratamento complexo costumam ser as principais razões que fazem pessoas buscarem a prescrição de remédios para morrer. Um estudo publicado na revista JAMA Internal Medicine, que envolveu instituições do Canadá, Estados Unidos e Europa, indicou que pessoas com ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica) representavam 17% dos pedidos do tipo. Em seguida estão pacientes com câncer - entre 3 e 4% do total. Outras condições (como doenças cardíacas) somam menos de 1%. Prescrições do tipo exigem que o paciente tenha prognóstico de vida de menos de seis meses. Mas as normas podem variar de acordo com o país: na Holanda, por exemplo, há casos de quem já recebeu a autorização após comprovar sofrimento mental ou doenças não terminais, como a síndrome da fadiga crônica.
A cada dez, sete desistem
Casos como o do brasileiro que, no dia do suicídio assistido, voltou atrás em sua decisão de morrer, não são raros. A proporção é de sete desistências para cada dez inscrições. A estimativa é da médica Erika Preisig. Ela é presidente da Lifecircle, fundada em 2011, e autora do livro Dad, You Are Allowed To Die (2019). Desde 2022, a Lifecircle não aceita novos membros. No momento, são 1.235 associados. Só do Brasil, são cinco – eram nove, mas três morreram por causas naturais e um por morte assistida. “Quem procura uma instituição dessas sofre de doença incurável, não tem esperança de melhora e quer dar fim ao seu sofrimento”, conta. “Essas pessoas não têm medo de morrer, têm medo de sofrer. A morte é inevitável, mas o sofrimento pode ser insuportável”.
Assim como a Lifecircle é uma dissidência da Dignitas, a Pegasos, criada em 2019, é uma dissidência da Lifecircle. Seu fundador, Ruedi Habegger, é irmão de Erika Preisig. “No Brasil, ainda não temos o direito de escolher ‘como’ e ‘quando’ morrer porque tanto o suicídio assistido quanto a eutanásia são proibidos por lei”, observa Luciana Dadalto, autora de Testamento Vital (Foco, 2022). “Estamos longe de legalizar qualquer forma de morte assistida porque o tema esbarra em questões ideológicas e religiosas”.
Praticar suicídio assistido na Suíça não é barato: custa 10 mil euros – algo em torno de R$ 60 mil, na cotação atual. Isso, sem contar as despesas com passagem e hotel. E pode levar dois meses, desde o primeiro contato até o procedimento. É o que explica o jornalista Adriano Silva, autor de O dia em que Eva decidiu morrer (Vestígio, 2025) e editor do site Boa Morte. No livro-reportagem, ele conta a história verídica de Eva (nome fictício), uma filósofa brasileira que decidiu se submeter ao suicídio assistido na Suíça depois de sofrer um acidente vascular cerebral (AVC). O procedimento inclui, entre outros trâmites, entrevistas em vídeo, consultas presenciais e envio de exames, laudos e atestados. “O Brasil é um país tanatofóbico [com medo da morte]”, define o autor. “Fazemos de tudo para não pensar na morte ou falar dela. No entanto, não há nada mais certo na vida do que morrer. É a única certeza que temos. A única coisa que podemos fazer diante da própria finitude é tentar morrer de modo digno e sem sofrimento. Ninguém deve ser obrigado a ter uma morte horrível”.
Empecilhos legais no Brasil
Dos 14 países onde a morte voluntária assistida (MVA) é legalizada, oito deles estão da Europa: Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, Holanda, Luxemburgo, Portugal e Suíça. Dois são da América do Norte (EUA e Canadá), dois da América do Sul (Equador e Colômbia) e dois da Oceania (Austrália e Nova Zelândia). Quatro não legalizaram a eutanásia: Alemanha, Áustria, Suíça e EUA. “Morte assistida é uma expressão que engloba duas situações em que a pessoa doente recebe assistência para abreviar a vida: suicídio assistido e eutanásia”, explica o geriatra Daniel Azevedo. “No primeiro caso, o agente é a própria pessoa; no segundo, o agente é externo. Mas, em ambos os casos, os procedimentos são feitos por determinação da própria pessoa”.
O psiquiatra Rodolfo Furlan Damiano, um dos organizadores do livro Compreendendo o Suicídio (Manole, 2021), aponta outra diferença: “Enquanto as discussões sobre eutanásia costumam focar em pacientes com doenças em estágio terminal, o suicídio assistido frequentemente aborda casos em que o paciente ainda possui capacidade funcional, mas enfrenta sofrimento físico ou psicológico intolerável”. No Brasil, as duas práticas são ilegais. A eutanásia é considerada homicídio e o suicídio assistido configura crime de participação ou indução ao suicídio.
Em latim, eutanásia significa “morte boa”. Isto é, sem sofrimento. O termo foi proposto pelo filósofo inglês Francis Bacon (1561-1626) em Historia Vitae et Mortis (1623). É quando o médico, ou algum membro da família, provoca, deliberadamente e movido por compaixão, a morte do paciente.
O sufixo “tanásia” aparece em pelo menos dois outros termos médicos: ortotanásia (“morte certa”) e distanásia (“morte lenta”). No primeiro caso, o médico, em respeito à vontade de um paciente terminal, resolve suspender procedimentos, tão sofridos quanto inúteis, que prolongam de maneira artificial a vida do doente. No segundo caso, o médico recorre a todos os meios, extraordinários e experimentais, para prolongar a vida (e o sofrimento) de um paciente grave, quase vegetativo, sem qualquer chance de cura. Um exemplo clássico de ortotanásia, cita o médico Antônio Carlos Lopes, do livro Eutanásia, Ortotanásia e Distanásia (Atheneu, 2018), é o de João Paulo II (1920-2005): “Em seus últimos dias, o Papa decidiu morrer em seus aposentos. Pediu para não ser mais levado ao hospital. Não queria mais ser submetido a nenhum tipo de tratamento”.
Em 2017, Vitor Hugo Brandalise transformou em livro, O Último Abraço (Record), uma notinha de jornal. Três anos antes, tinha lido, na Folha de S. Paulo de 30 de setembro de 2014, a história real de Nelson e Neusa Golla. Todas as tardes, Nelson, de 72 anos, visitava a esposa, Neusa, de 70, numa clínica de repouso. Vítima de dois AVCs, ela precisou ser internada e entrou em depressão. Durante as visitas, o marido gostava de umedecer a boca da mulher com água de coco, sua bebida favorita. Um dia, a enfermeira avisou que, por recomendação médica, ela passaria a ser alimentada por meio de sonda. “Quero morrer”, balbuciou Neusa. “Me tira daqui”.
“A única coisa que podemos fazer diante da própria finitude é tentar morrer de modo digno e sem sofrimento. Ninguém deve ser obrigado a ter uma morte horrível”
— Adriano Silva, jornalista e autor do livro-reportagem "O dia em que Eva decidiu morrer"
Em casa, Nelson improvisou uma bomba com fogos de artifício, amarrou o artefato no corpo e voltou para a clínica. No primeiro dia, não teve coragem de acionar o explosivo. No segundo, idem. No terceiro, praticou o que acreditava ser uma eutanásia. “Lembrem-se de nós nos momentos de alegria”, pedia no bilhete de despedida no porta-luvas do carro. Neusa morreu; Nelson, não. Preso, passou por uma clínica psiquiátrica e chegou a responder por homicídio. Morreu cinco anos depois, em 2019.
Cansaço de viver?
Em geral, os candidatos a suicídio assistido são pacientes em fase terminal, que relatam intenso sofrimento e se queixam de dores insuportáveis. Mas há casos atípicos, como o do cientista inglês David Goodall (1914-2018). Ele não tinha câncer, Alzheimer ou qualquer outra doença grave. Apenas dizia que sua qualidade de vida tinha piorado nos últimos 5 ou 10 anos. “O fenômeno da vida concluída é uma vivência experimentada por pessoas de idade avançada”, explica a advogada Sálvia Haddad, Mestre em Direito Constitucional pela Universidade de Fortaleza (Unifor) e autora de Suicídio Assistido por Completed Life (Foco, 2021). “O idoso deixa de sentir desejo de viver porque acredita que não há mais o que viver. É um cansaço existencial”.
Goodall tinha 104 anos quando morreu, na manhã de 10 de maio de 2018, na Lifecircle. “Quero morrer, e isso não é triste. Triste é ser impedido de morrer”, declarou, em abril, no seu aniversário. Na véspera de sua morte, jantou peixe e batata frita, com cheesecake como sobremesa. Antes de receber uma injeção letal – a OMS recomenda que não seja divulgado o nome da substância –, ouviu Ode à Alegria, da Nona Sinfonia de Beethoven. Por não acreditar na vida depois da morte, dispensou o funeral. Mas, pediu para seu corpo ser doado à medicina.
Quem acompanhou de perto o suicídio assistido de David Goodall foi Philip Nitschke, o presidente da Exit, instituição fundada em 1997 na Austrália. Em 1999, Nitschke foi procurado por uma professora francesa aposentada chamada Lisette Nigot. Aos 77 anos, ela queria tirar a própria vida antes de chegar aos 80. A exemplo de Goodall, Nigot não estava doente; apenas já tinha vivido o suficiente. “Por que você não escreve um livro ou viaja pelo mundo?”, sugeriu o médico. “Por que você não cuida de sua vida?”, rebateu a mulher. “Quem sou eu para dizer a ela o que fazer?”, pensou Nitschke, envergonhado.
Três anos antes, ele tinha construído um aparelho que, depois de responder a uma série de perguntas, como “Sabe o que acontece se você apertar esse botão?”, liberava uma dose letal de barbitúricos (remédios que têm efeito sedativo e calmante). Foi usado no dia 22 de setembro de 1996 por Bob Dent, paciente com diagnóstico de câncer de próstata. Desde 2000, a Deliverance Machine (“Máquina da Libertação”, em livre tradução) virou peça de museu: está em exposição no Museu da Ciência, em Londres. Há alguns anos, Nitschke criou outra engenhoca: um sarcófago futurista apelidado de “Sarco”. Em vez de injetar a droga no braço do paciente, o aparelho libera nitrogênio dentro de uma cápsula. “O suicídio assistido deveria ser um direito de todos e não um privilégio para alguns”, protesta Nitschke.
“Coloquem Kid Abelha para eu escutar”
— Luciana Dadalto, advogada que escreveu um “testamento vital”. Documento indica cuidados pré-morte que ela quer receber – e até o que deseja ouvir na hora de morrer
Testamento vital encaminha final da vida
O músico Andreas Kisser não sabia quase nada sobre cuidados paliativos. Só começou a se inteirar do assunto quando a esposa, a empresária Patrícia Kisser, deu início a um tratamento oncológico, em 2021. Em janeiro daquele ano, ela foi ao médico investigar uma suposta pedra no rim. Voltou da consulta com suspeita de câncer no cólon. Para destruir o tumor, passou por sessões de quimioterapia. “Os últimos seis meses foram os mais difíceis”, diz o viúvo. Patrícia morreu no dia 3 de julho de 2022, aos 52 anos. “O Brasil é o terceiro pior lugar do mundo para morrer”, argumenta o guitarrista do Sepultura, referindo-se ao estudo que coloca o país na antepenúltima posição em um ranking de 81 nações – estamos à frente apenas do Paraguai e do Líbano. “Por que não temos a liberdade para decidir como queremos viver nossos últimos dias?”.
Em homenagem à esposa, Andreas Kisser fundou o Mãetrícia, movimento que debate, entre outras pautas, o testamento vital. A advogada Luciana Dadalto já fez o dela. No documento, recusa técnicas invasivas, como cirurgias e biópsias, e evita procedimentos desnecessários, como ventilação mecânica e reanimação cardiopulmonar, daqueles que prolongam o tempo de internação, mas não melhoram a qualidade de vida. Há espaço até para um pedido inusitado: “Coloquem Kid Abelha para eu escutar”.
Outro termo ainda pouco conhecido é hospice. Quem explica seu significado é a médica oncologista Dalva Yukie Matsumoto, coordenadora do Serviço de Cuidados Paliativos do Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo (HSPM-SP). O conceito nasceu no Reino Unido com a médica Cicely Saunders. Em 1967, ela fundou o St. Christopher Hospice, o primeiro do mundo a oferecer cuidado integral ao paciente, do controle dos sintomas até o alívio da dor.
No Brasil, o governo federal inaugurou, em 31 de janeiro de 2025, o Hospital Estadual Mont Serrat, em Salvador (BA), o primeiro hospital público do país especializado em cuidados paliativos. A unidade tem 70 leitos e capacidade para atender 2 mil pacientes por mês. A equipe de 435 colaboradores abrange, entre outros profissionais de saúde, médicos, enfermeiros e psicólogos. “Nosso objetivo não é adiar a morte do paciente. Muito menos apressá-la. Queremos apenas aliviar sua dor e oferecer apoio para a família”, explica Matsumoto.
ATENÇÃO: Se você ou alguém que você conhece está lutando contra a depressão ou pensamentos suicidas, entre em contato pelo telefone 188; o serviço funciona 24 horas. O CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo. Fonte: revistagalileu.
Esta é a relação entre solidão e transtorno neurológico, segundo estudo
A ciência reforça: cuidar da mente e das relações sociais pode ser um fator-chave na prevenção de doenças neurológicas
29/03/2025 - O Parkinson é uma doença neurodegenerativa que afeta milhões de pessoas ao redor do mundo. Estima-se que mais de 250 mil brasileiros sejam diagnosticados com essa condição, enquanto globalmente o número ultrapassa quatro milhões. Apesar de avanços na pesquisa, suas causas exatas ainda permanecem um mistério, desafiando cientistas a entenderem melhor essa enfermidade e os fatores que podem influenciar seu desenvolvimento.
A solidão como fator de risco
Um estudo publicado na revista JAMA Neurology trouxe uma descoberta surpreendente: a solidão pode aumentar significativamente o risco de desenvolver Parkinson. Para chegar a essa conclusão, pesquisadores acompanharam 491.603 indivíduos ao longo de 15 anos. No início da pesquisa, nenhum dos participantes havia recebido o diagnóstico da doença. No entanto, ao final do período de estudo, 2.822 pessoas desenvolveram Parkinson.
A análise revelou que aqueles que relataram sentir-se solitários apresentavam um risco maior de desenvolver a doença. E mesmo quando outros fatores de risco, como idade, índice de massa corporal, histórico familiar, tabagismo, atividade física e problemas de saúde como diabetes, hipertensão, AVC e depressão foram levados em conta, a associação entre solidão e Parkinson permaneceu.
Outro dado importante é que esse impacto da solidão não foi imediato. Nos primeiros cinco anos do estudo, a sensação de isolamento não parecia influenciar no desenvolvimento da doença. Contudo, quando a solidão persistia por mais de cinco anos, o risco aumentava consideravelmente.
A solidão prolongada pode impactar a saúde neurológica e aumentar o risco de Parkinson.
O que causa o Parkinson?
A origem do Parkinson é multifatorial, resultado da interação entre fatores genéticos e ambientais. Embora as causas exatas ainda sejam desconhecidas, a ciência já identificou alguns elementos que podem aumentar a propensão para a doença:
Envelhecimento
Histórico familiar
Predisposição genética
Ser do sexo masculino
Exposição a toxinas ambientais
Traumas cranianos
Estresse oxidativo e inflamação crônica do sistema nervoso
Embora a presença desses fatores não signifique que uma pessoa necessariamente desenvolverá Parkinson, eles servem como alerta para a necessidade de prevenção e atenção com a saúde ao longo da vida.
Conexões sociais são essenciais para o bem-estar e podem ajudar a reduzir os riscos de doenças neurodegenerativas.
Sintomas do Parkinson
O diagnóstico do Parkinson pode ser desafiador, já que seus primeiros sintomas costumam ser sutis. Com o passar do tempo, os sinais da doença se tornam mais evidentes, incluindo:
Tremores involuntários
Movimentos mais lentos
Rigidez muscular
Dificuldade para manter o equilíbrio e a postura
Mudanças na escrita, tornando-a menor e tremida
Alterações na fala, que pode se tornar mais baixa ou monótona
Fonte: catracalivre.
sábado, 29 de março de 2025
Efeitos da associação dos canabinoides THC e CBD sobre os sintomas motores e não motores da doença de Parkinson: um ensaio clínico, duplo-cego, randomizado e controlado por placebo
2024 - Resumo:
A doença de Parkinson (DP) é uma doença neurodegenerativa caracterizada pela degeneração progressiva dos neurônios dopaminérgicos na substância negra parte compacta, que leva a uma manifestação clínica complexa envolvendo sintomas motores, como a bradicinesia, tremor de repouso, rigidez muscular, além de sintomas não motores, como distúrbios do sono e dor. O tratamento farmacológico atual é paliativo e focado no restabelecimento da neurotransmissão dopaminérgica. Entretanto, os tratamentos atuais estão associados a efeitos adversos como as discinesias e flutuações motoras. Neste trabalho avaliamos os efeitos da administração de uma solução oral de CBD:THC (50:5 mg/dia) (n=38) comparado ao placebo (n=30) durante um período de 180 dias sobre os sintomas motores e não motores, qualidade de vida e níveis sanguíneos do fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF) de pacientes com a DP. Os participantes da pesquisa foram voluntários portadores da DP, de ambos os sexos, e até o estadiamento 3 pela escala de Hoen e Yahr modificada. Os resultados obtidos indicam que para a avaliação motora realizada pela MDS-UPDRS foi evidenciada uma antecipação dos efeitos dos canabinoides, ou seja, os efeitos positivos são percebidos mais precocemente do que no grupo placebo. Além disso, evidenciou-se que em diferentes aspectos, como na gravidade da doença, flexibilidade e qualidade do sono, as mulheres tiveram resultados superiores com o tratamento com a associação dos canabinoides CBD:THC em comparação aos homens. Adicionalmente, verificou-se uma correlação positiva moderada entre a gravidade dos sintomas gerais e qualidade de vida, bem como especificamente a gravidade dos sintomas motores e a qualidade de vida do paciente. Entretanto, para o tratamento com as presentes doses da associação dos canabinoides CBD:THC, embora tenha demonstrado diferenças em comparação ao estado inicial dos pacientes, não causaram efeitos significativos em comparação ao grupo placebo na maioria das avaliações realizadas. Estes achados enfatizam a necessidade da realização de pesquisas adicionais avaliando outras concentrações da associação de canabinoides para elucidar melhor os efeitos a longo prazo e o impacto na qualidade de vida em pacientes com a DP visto que também foi observado um efeito placebo mantido ao longo de seis meses de estudo. Em conclusão, os resultados encontrados apontam para um potencial dos canabinoides no tratamento da DP e uma influência do sexo na resposta ao tratamento com canabinoides. Adicionalmente, estudos que possam comparar diferentes faixas de doses podem ser úteis para melhor evidências em relação à dose-resposta dos canabinoides na DP. Fonte: repositório ufsc.
Novo tratamento prevê melhora de 70% nos tremores de pacientes com Parkinson
O procedimento utiliza ondas de ultrassom de alta intensidade em um ponto específico do cérebro responsável pelos tremores causados por Parkinson
28/03/2025 - Uma nova técnica de ultrassom para tratamento de tremores em pacientes diagnosticados com Parkinson chegou ao Brasil em março deste ano. O HIFU (High-Intensity Focused Ultrasound) é classificado como terapia não invasiva e é disponibilizado exclusivamente pelo Hospital Israelita Albert Einsten.O procedimento utiliza ondas de ultrassom de alta intensidade em um ponto específico do cérebro responsável pelos tremores causados por Parkinson. A aplicação do ultrassom na região causa uma lesão térmica milimétrica, com precisão anatômica no local, e prevê melhora dos tremores em torno de 70%.
Segundo estudos da representante comercial brasileira da Insightec, fabricante do equipamento, os resultados do tratamento são percebidos logo após a primeira sessão.
Cada sessão do tratamento dura cerca de duas horas e pode ser realizada com o paciente acordado, sem o uso de anestesia geral. No entanto, quem for realizar o procedimento precisa raspar os cabelos para utilizar o equipamento -semelhante a um capacete.
De acordo com o Einsten, não há necessidade de internação para realização da terapia e o paciente é liberado no mesmo dia. O tratamento é unilateral, mas se os tremores forem bilaterais pode ser necessária uma sessão adicional no lado oposto do primeiro procedimento depois de nove meses.
Para ter acesso ao método, o paciente deve passar por uma avaliação da equipe de neurologistas especialistas em distúrbios do movimento e realizar uma série de tomografia para avaliar se a estrutura óssea do crânio é compatível para realização do procedimento.
A terapia foi aprovada em 2021 pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e é permitida para pacientes acima de 18 anos, sem limite de idade. O hospital não divulgou o preço de cada sessão do procedimento.
Os tremores nas mãos, queixo, pés, de um ou dos dois lados do corpo, estão entre os principais sintomas neurológicos de Parkinson, doença neurodegenerativa que atinge, principalmente, os mais velhos.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) estimou que 8,5 milhões de pessoas em todo o mundo viviam com a doença de Parkinson em 2019 e que a condição deve aumentar drasticamente. Até 2050, estima-se que haverá 25,2 milhões de pessoas vivendo com a condição. Fonte: jornaldebrasilia.
sexta-feira, 28 de março de 2025
Sibo (Supercrescimento Bacteriano no Intestino Delgado) e resistência à levodopa em pacientes com parkinson
March 27, 2025 - Pesquisas indicam que uma proporção relativamente alta de pessoas com Parkinson também pode ter SIBO, embora as estimativas variem. A prevalência de SIBO em pacientes com Parkinson pode ser mais alta do que em indivíduos da população geral, com alguns estudos indicando que entre 30% a 50% dos pacientes com Parkinson podem ter SIBO. Isso pode estar relacionado ao impacto do Parkinson no sistema digestivo, como a lentidão do trânsito gastrointestinal, que favorece o crescimento bacteriano excessivo no intestino delgado.
Estudos sobre a relação entre a doença de Parkinson e o SIBO (Supercrescimento Bacteriano no Intestino Delgado) estão em andamento, e embora a prevalência exata de SIBO entre pacientes com Parkinson ainda não esteja completamente estabelecida, alguns estudos sugerem uma conexão significativa entre essas duas condições.
Prevalência de SIBO em Pacientes com Parkinson:
Pesquisas indicam que uma proporção relativamente alta de pessoas com Parkinson também pode ter SIBO, embora as estimativas variem. A prevalência de SIBO em pacientes com Parkinson pode ser mais alta do que em indivíduos da população geral, com alguns estudos indicando que entre 30% a 50% dos pacientes com Parkinson podem ter SIBO. Isso pode estar relacionado ao impacto do Parkinson no sistema digestivo, como a lentidão do trânsito gastrointestinal, que favorece o crescimento bacteriano excessivo no intestino delgado.
Fatores que Contribuem para essa Relação:
Motilidade gastrointestinal prejudicada: A doença de Parkinson pode afetar os músculos do trato gastrointestinal, levando a uma motilidade intestinal reduzida. Isso pode criar um ambiente propício para o supercrescimento bacteriano.
Uso de medicamentos: Alguns medicamentos usados para tratar Parkinson, como os que aumentam a dopamina ou os antiparkinsonianos, podem afetar o sistema gastrointestinal e contribuir para o desenvolvimento de SIBO.
Disfunção do sistema nervoso autônomo: O Parkinson pode afetar o sistema nervoso autônomo, que controla a motilidade intestinal, contribuindo para a estase alimentar e favorecendo o crescimento bacteriano no intestino delgado.
Embora os dados exatos possam variar, é importante que pacientes com Parkinson que experimentam sintomas digestivos, como distensão abdominal, gases, diarreia ou constipação, discutam com seu médico a possibilidade de SIBO e outras condições gastrointestinais associadas.
Menor eficácia da Levodopa em pacientes com SIBO
Quando um paciente com Doença de Parkinson apresenta SIBO (Supercrescimento Bacteriano no Intestino Delgado) e disbiose e não responde adequadamente à levodopa (medicação padrão para Parkinson), isso pode ser um desafio significativo. Existem várias razões pelas quais esses fatores podem interferir no tratamento, e abordagens multidisciplinares podem ser necessárias para melhorar a resposta ao tratamento.
Como SIBO e Disbiose Podem Impactar a Resposta à Levodopa:
Absorção prejudicada de medicamentos:
SIBO e disbiose afetam o equilíbrio bacteriano intestinal e a saúde do trato gastrointestinal. Isso pode prejudicar a absorção adequada da levodopa e de outros medicamentos, uma vez que a motilidade gastrointestinal reduzida e a inflamação intestinal podem interferir na capacidade do corpo de absorver a medicação de forma eficiente.
Alterações no metabolismo de medicamentos:
O crescimento excessivo de bactérias no intestino pode alterar a metabolização de medicamentos como a levodopa. O SIBO pode resultar em alterações no pH intestinal, que podem afetar a quebra e absorção de levodopa, além de influenciar o processo de conversão da levodopa em dopamina no cérebro.
Inflamação intestinal:
A disbiose e o SIBO geralmente causam inflamação no trato gastrointestinal, o que pode afetar a função nervosa e intestinal, contribuindo para uma pior resposta ao tratamento. A inflamação crônica também pode interferir na função do sistema nervoso autônomo, que regula muitos processos digestivos e a motilidade intestinal.
Interações com microbiota e dopamina:
A microbiota intestinal tem um papel importante na modulação da dopamina, um neurotransmissor crucial para a Doença de Parkinson. Disbiose pode alterar o equilíbrio da microbiota e afetar a produção de dopamina no sistema nervoso central e intestino, levando a um quadro de resistência ao tratamento com levodopa.
Abordagens para Melhorar a Resposta ao Tratamento:
Tratamento do SIBO e da Disbiose:
Antibióticos específicos: O tratamento de SIBO geralmente envolve o uso de antibióticos como rifaximina ou metronidazol, que ajudam a reduzir o crescimento excessivo de bactérias no intestino delgado. Esses antibióticos devem ser administrados sob a supervisão de um médico.
Probióticos: Embora seja importante em muitos casos, o uso de probióticos deve ser cuidadosamente monitorado em pacientes com SIBO, pois certos tipos de probióticos podem piorar o problema em algumas pessoas. Probióticos específicos podem ser introduzidos gradualmente, conforme a necessidade.
Dieta de baixo FODMAP (Fermentáveis, Oligossacarídeos, Dissacarídeos, Monossacarídeos e Polióis), do inglês Fermentable Oligosaccharides, Disaccharides, Monosaccharides and Polyols. Seguir uma dieta que limita alimentos ricos em FODMAPs pode ser benéfico para reduzir a fermentação intestinal e controlar o SIBO. Alguns alimentos como cebolas, alho, leguminosas, trigo e laticínios devem ser evitados.
Goma guar ou outros agentes espessantes: Agentes que ajudam na absorção e na motilidade gastrointestinal, como a goma guar, podem ser úteis para melhorar a digestão e a absorção de medicamentos.
Ajustes no tratamento com levodopa:
Ajuste da dosagem: A levodopa pode precisar ser ajustada em relação ao horário de administração e à dosagem. Muitas vezes, a absorção de levodopa pode ser melhorada se a medicação for tomada em jejum ou em horários específicos, longe das refeições.
Uso de inibidores da COMT (como entacapona ou tolcapona): Inibidores da COMT ajudam a aumentar a disponibilidade de levodopa no cérebro ao reduzir sua degradação. Isso pode ser útil quando o paciente não responde bem ao tratamento convencional.
Terapia com gel de levodopa/carbidopa: Para pacientes com dificuldades de absorção, o gel de levodopa/carbidopa (administração contínua via sonda nasogástrica) pode ser uma opção mais eficaz.
Apoio Nutricional e Suplementação:
Apoio nutricional adequado: Garantir que a dieta seja equilibrada, com boas fontes de proteína, micronutrientes e fibras de baixo FODMAP, pode melhorar a absorção de nutrientes e medicamentos.
Suplementos de dopamina precursora: Embora a levodopa seja o principal tratamento, em alguns casos, o uso de precusores de dopamina como L-tyrosina pode ser explorado como parte do tratamento.
Tratamento da motilidade gastrointestinal:
Procinéticos: Medicamentos que ajudam a melhorar a motilidade intestinal, como prucaloprida ou domperidona, podem ser usados para melhorar a motilidade do intestino e a absorção da levodopa.
Exercícios físicos: Incentivar exercícios físicos moderados pode ajudar a melhorar a função intestinal e a motilidade gastrointestinal, além de aliviar alguns dos sintomas motores da Doença de Parkinson. Fonte: andreiatorres.
Ascídias marinhas podem ajudar no tratamento de doenças do cérebro
Estudo da UFRJ aponta organismo com excelente modelo para pesquisas
27/03/2025 - Organismos que vivem no fundo do mar chamados ascídias podem abrir novas possibilidades no desenvolvimento de terapias para doenças que afetam o cérebro, como Parkinson e Alzheimer.
Um estudo realizado por pesquisadores da UFRJ, com o apoio financeiro da Faperj – Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro –, identificou que esses organismos possuem cérebro com estrutura semelhante a dos vertebrados, servindo como um excelente modelo para o estudo do sistema nervoso. Os cientistas descobriram ainda que os ascídias também contam com uma molécula promissora para a criação de um novo medicamento.
Existem mais três mil espécies de ascídias no mundo, que vivem em todos os ambientes marinhos e desempenham um papel ecológico muito importante como purificadoras da água do mar. Mas o que vem chamando atenção dos pesquisadores da UFRJ é o poder de regeneração do seu sistema nervoso.
A pesquisadora Cíntia Monteiro de Barros, do Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade da UFRJ, campus Macaé, explica que, diferentemente dos humanos, esses organismos conseguem recuperar funções perdidas no cérebro em menos de quinze dias. Cintia e sua equipe também concentraram os estudos em uma molécula encontrada nas ascídias que pode ser usada, futuramente, como um fármaco para ajudar na sobrevivência dos neurônios.
O Alzheimer é o principal tipo de demência no mundo, responsável por cerca de 70% dos casos da doença. No Brasil, ela afeta mais de 1,2 milhão de pessoas, e 100 mil novos casos são diagnosticados por ano. O Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa mais frequente no mundo, atrás do Alzheimer. A estimativa é que 200 mil pessoas vivam com essa condição no Brasil. Fonte: agenciabrasil.
quinta-feira, 27 de março de 2025
O que o equilíbrio pode significar para a saúde do coração e do cérebro
27 de março de 2025 - O que o equilíbrio pode significar para a saúdedo coração e do cérebro.
Porto Alegre, 27 de março de 2025.
Confesso, estou desautônomo, e o pior, me SINTO sem autonomia, ou seja, com disautonomia. Não dirijo mais e vendi meu carro. Mesmo tendo CNH válida. Admiti, não tinha mais condiçoes de dirigir. Apesar de não bater, a não ser espelhos e sinaleiras danificados.
Enfim, estou com um conjunto de perturbações causado pelo mau funcionamento do sistema nervoso autônomo, ou seja, tenho Parkinson. A isto fui informado agora e para minha surpresa, tinha consciência de que piorariam os sintomas de parkinson, mas nunca imaginei que chegasse ao nível que chegou. Fico em casa o dia inteiro, não consigo sair sem risco de cair. É chamado este estágio da doença, de disautonomia. O próximo passo será comprar uma cadeira de rodas.
Neuroestimulador recarregável
O Percept™ RC é um sistema de neuroestimulação recarregável com capacidades de detecção, direcionalidade e programação avançada para estimulação cerebral profunda (DBS).
Fonte: Medtronic.
Projeções para prevalência da doença de Parkinson e seus fatores motivadores em 195 países e territórios até 2050: estudo de modelagem do Estudo de Carga Global de Doenças 2021
04 February 2025 - (…) CONCLUSÕES
Até 2050, a doença de Parkinson se tornará um maior desafio de saúde pública para pacientes, suas famílias, cuidadores, comunidades e sociedade. Espera-se que a tendência ascendente seja mais pronunciada entre países com Índice Sociodemográfico médio, na região da Carga Global de Doenças do Leste Asiático e entre homens. Esta projeção pode servir como um auxílio na promoção de pesquisas em saúde, informando decisões políticas e alocando recursos. (…) Fonte: bmj.